Legado da Copa do Mundo de 2024, que foi disputada no Brasil, o Centro da Juventude (Ceju) vem sendo o local escolhido pelas categorias de base para jogos e treinos, além de servir, em outros momentos, as equipes principais de Remo e Paysandu para períodos curtos de atividades.
Há mais de 10 anos de portas abertas aos clubes paraenses, o local vai passar por mudanças profundas nos próximos meses. A primeira delas, já em vigor desde o dia 1º de setembro: troca na gestão. Sai Danielle Almeida e entra em cena Vinícius Pacheco.
O atual diretor executivo da Tuna Luso assume a partir de agora a gerência do Centro da Juventude. E uma das primeiras ações na nova gestão é transformar o local em um centro de treinamento de qualidade, como ele revelou com exclusividade ao Grupo Liberal.
"O Ricardo (Gluck Paul, presidente da FPF e vice da CBF) me convidou com grandes esperanças e grandes projetos. Juntos estamos buscando (realizar o planejado). Em tudo que me meto, o objetivo é entregar o máximo e fazer coisas grandes. No Ceju não vai ser diferente. Vou me empenhar o máximo para fazer coisas novas, tentar mudar (o local) e fazer ali um CT de qualidade para voltar a revelar jogadores no futebol paraense", contou.
"Temos um potencial tardio, mas com muita joia que pode ser revelada", completou Vinícius exaltando o trabalho de categoria de base feito no futebol paraense.
Isso, inclusive, é um dos pontos fortes que o dirigente construiu nos últimos anos com a Tuna Luso. A mais recente conquista no clube foi a Copa da Juventude Sub-17 com vitória em cima do Paysandu na final.
"Os números por si só falam. Nos últimos três anos, fomos nós (Tuna Luso) que conquistamos tudo (na categoria de base). Existem resquícios de pontuação de ranking devido a Remo e Paysandu a nível profissional. Mas a nível de base é indiscutível. Nos últimos três anos, a maior base do Pará, a que mais ganhou e que mais revelou é a da Tuna Luso Brasileira", destacou.
Mangueirão 2
No Ceju, além de fomentar a formação de atletas desde a categoria de base, Vinícius Pacheco projeta ter no local uma extensão do Estádio do Mangueirão. Para isso, um dos pontos centrais é a adequação do gramado.
De acordo com o dirigente, há uma "carência" no Estado de locais como o principal palco do futebol da região norte do Brasil. E essa questão não passa apenas para o uso dos jovens, mas também para receber os adversários de Remo e Paysandu nas competições nacionais.
"É um sonho (a troca do gramado) que está sendo trabalhado para ser realizado. O objetivo é ter um gramado semelhante ao do Mangueirão. Hoje estamos carentes de uma estrutura adequada e qualificada de gramado, irrigação e drenagem para receber da forma exata os times de Série A que vem jogar contra o Remo, da Série B, que se Deus quiser será adversário do Paysandu (na competição)", ressaltou.

A adequação do Ceju aos parâmetros do Estádio do Mangueirão pode ainda colocar Belém na rota da Copa do Mundo Feminina, que será disputada em 2027 no Brasil.
Nos próximos meses a Fifa deve divulgar as bases das Seleções que vão jogar o torneio no país, e a capital paraense integra o "e-book" entregue pela entidade aos países já confirmados no Mundial.
Neste esboço, estão todas as cidades candidatas a receber as equipes para treinos e amistosos pré-Copa do Mundo. Em Belém, os Estádio do Baenão e Curuzu foram incluídos no projeto. Porém, para tornar viável isso, será preciso, além de uma estrutura adequada, a ajuda do poder público, como explicou o dirigente.
"Precisamos de uma estrutura paraense para quem sabe até uma Seleção Feminina na Copa do Mundo para almejar e sonhar sendo sede de pré-temporada do torneio aqui em Belém. Óbvio que não conseguimos fazer as coisas num estalar de dedos. Vamos precisar muito do poder público, da parte governamental, de entenderem e comprar o nosso projeto, da Federação, de forma a ajudar a fazer uma construção adequada para receber tanto Seleção como times de Série A. Acredito que foi isso que faltou para nós ser o maior candidato de competições maiores em Belém", concluiu.
