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Justiça libera Tifanny Abreu para jogar e prevê multa à CBV

Liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autoriza atleta do Osasco a disputar torneios nacionais e estabelece penalidade de R$ 5 mil por partida caso seja impedida de atuar

O Liberal com informações da AE

16 de outubro de 2026 às 20:36

( Foto: Instagram @tifannyabreu10 )

A jogadora de vôlei Tifanny Abreu obteve uma decisão liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que garante sua participação em competições organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A atleta havia sido retirada da relação de jogadoras com inscrição aprovada pelo órgão, e uma tentativa de reverter a medida na Justiça Desportiva já havia sido rejeitada.

Com a decisão, Tifanny está autorizada a entrar em quadra pelo Osasco na Supercopa, contra o Praia Clube, na noite desta sexta-feira (16), além de disputar a Superliga Feminina 2026/27.

A ação foi apresentada pela atleta, representada pelo advogado Luiz Fernando Novaes, após a negativa do pedido de revisão no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Juiz aponta risco à carreira da atleta

Ao conceder a liminar, o magistrado Antonio Luiz da Fonseca Lucchese considerou que o afastamento imediato poderia causar prejuízos à carreira de Tifanny. Na avaliação do juiz, permitir que a jogadora continue atuando temporariamente não representa uma situação inédita ou de gravidade excepcional.

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A decisão, no entanto, tem caráter provisório, enquanto os processos na Justiça Desportiva e no próprio TJ-RJ ainda estão em andamento.

"A manutenção, por algumas semanas, da situação reconhecida pela própria ré durante quase uma década é medida menos gravosa do que a exclusão imediata e definitiva da autora antes de qualquer pronunciamento exauriente, seja da Justiça Desportiva, seja deste Juízo", escreveu o juiz.

CBV pode pagar multa por partida

A liminar não suspende a nova regra adotada pela CBV, alinhada às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). A norma estabelece que as competições da categoria feminina sejam disputadas exclusivamente por atletas do sexo biológico feminino.

A decisão judicial, porém, determina que a confederação pague multa de R$ 5 mil por partida caso impeça Tifanny de jogar. O texto também proíbe a aplicação de punições ao Osasco em razão da participação da atleta, incluindo W.O., perda de pontos ou multas.

Tifanny segue no Osasco desde 2021

Tifanny conquistou o Campeonato Paulista pelo Osasco, a única competição em que recebeu autorização para atuar após a entrada em vigor da nova regra da CBV. Na temporada anterior, ela foi a única atleta transexual a disputar a Superliga Feminina.

A jogadora concluiu a transição de gênero e estreou na categoria feminina em 2017, após obter autorização da FIVB.

Aos 41 anos, a oposta passou pelo vôlei italiano antes de retornar ao Brasil e iniciar sua trajetória no Sesi-Bauru. Desde 2021, defende o Osasco, clube pelo qual conquistou um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas. Também foi vice-campeã sul-americana e terminou em terceiro lugar no Mundial de Clubes.