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Tifanny diz que não vai desistir do vôlei: 'Carregarei comigo a coragem de resistir'

Estadão Conteúdo

2 de novembro de 2026 às 10:23

Impedida de jogar a Superliga feminina por causa da nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Tifanny Abreu voltou a se manifestar sobre o caso, pouco mais de uma semana depois de o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) derrubar uma liminar que a permitia atuar. Em publicação no Instagram, disse que não vai desistir do vôlei.

"Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde. E mesmo quando os caminhos se tornam difíceis, quando tentam silenciar minha voz ou limitar os meus passos, sigo acreditando que nenhuma luta é em vão. Em novembro, carregarei comigo a coragem de resistir, a dignidade de existir e o amor por uma profissão que escolhi exercer com verdade, respeito e carinho", escreveu a jogadora do Osasco.

"Nem sempre é fácil permanecer de pé diante de tantas adversidades, mas aprendi que resistir também é uma forma de amar aquilo em que acreditamos. Porque eu continuo aqui. Existindo, resistindo e acreditando. E enquanto houver amor pelo que faço, coragem para lutar e esperança no coração, nenhum obstáculo será maior do que a minha vontade de continuar. Podem tentar mudar os meus caminhos, mas jamais apagar a minha existência, a minha essência e o meu direito de seguir", concluiu.

Nos comentários da publicação, a oposta de 41 anos listou perfis de políticos e pediu que seus seguidores também os marcassem para chamar atenção ao caso. Entre os nomes marcados, estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os deputados federais André Janones (REDE), Sâmia Bonfim (PSOL), Gleisi Hoffmann (PT) e Erika Hilton (PSOL), além de Alexandre Padilha (PT), ministro da Saúde, e Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento.

No dia 24 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu manter a decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de impedir a participação de Tifanny Abreu em competições nesta temporada, o que acarretou na derrubada da liminar. O caso, contudo, não teve sua conclusão, pois ainda passará por análise definitiva na Justiça comum. No momento, os representantes da Tifanny buscam uma reconsideração.

A CBV determinou, em agosto deste ano, que a prática dos torneios da categoria feminina seja exclusiva para as atletas que possuem o sexo biológico feminino, regra adotada em consonância com as atuais políticas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Embora as entidades nacionais não sejam obrigadas a seguir os parâmetros do COI em suas competições, a confederação brasileira decidiu "atuar em conformidade com as diretrizes técnicas do Movimento Olímpico", como argumentou ao divulgar as novas diretrizes.

No dia 16 de outubro, a jogadora conseguiu a liminar, agora derrubada, no TJ-RJ para jogar competições da CBV, após ter sido excluída da lista de atletas do clube com inscrição deferida. A decisão na Justiça comum permitiu que a ponteira atuasse na partida pela Supercopa, contra o Praia Clube, na qual iniciou o jogo em quadra. Tifanny também participou da estreia do Osasco na Superliga, contra a equipe de Brasília.

Tifanny conquistou o Campeonato Paulista com o Osasco, única competição que teve liberação para jogar depois da implementação da nova regra pela CBV. Na última temporada, ela foi a única atleta transexual a participar da Superliga Feminina. A atleta concluiu a transição de gênero e estreou na categoria em 2017, após receber permissão da Federação Internacional de Vôlei.

Depois de passar pelo vôlei italiano, a oposta de 41 anos voltou ao Brasil e iniciou sua trajetória no Sesi-Bauru. Ela joga pelo Osasco desde 2021 e tem um título da Superliga e quatro Campeonatos Paulistas, além de um vice-campeonato no Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.