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FUTEBOL

Torcida cobra melhorias e conforto no centenário Baenão: 'obsoleto e maltratado'; Remo se posiciona

Estádio Evandro Almeida já recebeu jogos com Pelé e Eusébio, ídolo português

Fábio Will

23 de agosto de 2026 às 08:00

( Foto: Luís Carlos / Ascom Remo )

O Remo comemorou, no último dia 15 de agosto, os 109 anos do Estádio Evandro Almeida, o tradicional Baenão, casa do Leão Azul. A data, que poderia ser marcada apenas pela celebração de um dos principais símbolos do clube, acabou também sendo utilizada pelos torcedores para cobrar melhorias na estrutura, conforto e manutenção do estádio.

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O clube lembrou o aniversário do Baenão por meio de uma publicação nas redes sociais. Nos comentários, porém, a homenagem abriu espaço para uma série de críticas à diretoria. Torcedores questionaram as condições atuais da praça esportiva e defenderam uma intervenção mais ampla no estádio, especialmente nas áreas de acesso, arquibancadas e na parte externa.

Localizado no centro de Belém, o Baenão é um dos patrimônios mais importantes da história azulina. O estádio recebeu partidas memoráveis, títulos e grandes nomes do futebol mundial. Entre eles estão Pelé, que esteve no local com o Santos em 1965, e Eusébio, ídolo da Seleção Portuguesa, que participou de uma partida entre Benfica e Remo em 1968.

Apesar do peso histórico, a situação estrutural do estádio voltou a ser motivo de preocupação entre os torcedores. Entre as principais reclamações estão a falta de conforto, a necessidade de melhorias na área da Travessa das Mercês e a conservação das estruturas do externas do estádio, além da área do Carrossel, local que em uma área nobre da cidade, mas que não contempla torcedores ou o clube da forma que o Fenômeno Azul gostaria.

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Cobranças

As críticas foram direcionadas principalmente à diretoria do Remo. Alguns torcedores lembraram que a própria torcida teve papel importante na recuperação do estádio e cobraram que o clube assuma a manutenção do patrimônio, veja alguns comentários:

“Tá mais do que na hora de uma ampla reforma ou vão esperar outra iniciativa da torcida para promover melhorias?” – Eberson Ribeiro

“Vocês deveriam ter vergonha de postar algo assim... Baenão só está funcional por causa da torcida, pois se dependessem de vocês [diretoria] ele nem existiria mais” – Rodrigo Ribeiro

“109 anos de completo descaso com o nosso patrimônio” – Vitor Barbosa

“Infelizmente sem condições de receber o torcedor com conforto atualmente. Torcemos pela melhora da estrutura da nossa casa” – Alexandre Lobato

“O que adianta parabenizar [o estádio em seu aniversário] se vocês mesmo não cuidam? Um estádio centenário caindo aos pedaços com muro de barro ainda. Deveriam ter vergonha na cara” – Rafael Nilander

“Um patrimônio que se não fosse a torcida reerguer estaria abandonado até hoje” – Rafael Rodrigues

“Uma pena que [o Baenão] é tão obsoleto e maltratado pelas gestões que passam anos e anos e nada acrescentam, mas de memórias afetivas eternas. O Baenão é casa, local onde todos fizemos amigos e por um momento todos viramos família” – Afonso Lucas

 “Uma pena não ser respeitado da forma como deveria. Entra gestão e sai gestão e as coisas não mudam. Só uma ‘maquiagenzinha’ aqui e ali, mas estrutura mesmo, está longe de ser o que merecemos” – Gleice Dias

“Tenham vergonha na cara e tomem como prioridade a reforma do Baenão. Um Baenão moderno é o mínimo que a torcida pode ter” – Murilo Vieira

“Só está de pé ainda pela torcida. Diretoria tem que criar vergonha na cara e honrar a nossa casa” – Bianca Dias

VEJA A PUBLICAÇÃO E A BRONCA DOS TORCEDORES

Clube do Remo responde

Em nota, o Remo respondeu que:

O Clube do Remo informa que vem realizando diversas melhorias no estádio Banpará Baenão. As obras contemplam as áreas internas e externas do estádio. 

Na parte interna, a revitalização iniciou pela área administrativa, onde foram construídas novas salas, com o objetivo de dar totais condições de trabalho aos funcionários que atuam no dia a dia do clube. 

Outra área reformada foi a cozinha que agora dispõe de um maquinário de última geração, além de um espaço reformulado. 

Na área para os atletas, foi reformado o vestiário com mais espaço e conforto, a área do Nasp foi contemplada com novos equipamentos, tanto para a fisioterapia quanto para a fisiologia. A sala de recovery foi ampliada e agora conta com oito banheiras individuais.

A área externa também foi contemplada, toda a fachada lateral e frontal do Banpará Baenão recebeu nova pintura.

Baenão

Embora seja conhecido popularmente como Baenão, em referência à Travessa Antônio Baena, o nome oficial do estádio é Evandro Almeida. A denominação homenageia Evandro de Melo Almeida, ex-atleta e dirigente histórico do Clube do Remo.

A relação do estádio com a história azulina, porém, vai além do nome. Ao longo de mais de um século, o local se transformou em um dos principais símbolos da identidade do clube e em um espaço marcado pela relação próxima entre o Remo e sua torcida.

Baenão é a casa da trcida azulina ( Arquivo OLiberal)
Baenão é a casa da trcida azulina ( Arquivo OLiberal)

Nos últimos anos, entretanto, o estádio também passou por um dos períodos mais difíceis de sua história. O último jogo oficial antes do fechamento foi 1º de maio de 2014, quando o Remo goleou o Independente de Tucuruí por 4 a 0, no jogo de volta da semifinal do Parazão. Desde então o Baenão foi fechado para obras de modernização. O projeto inicial não avançou como previsto, e o estádio permaneceu durante cinco anos sem receber partidas oficiais.

O Retorno do Rei

A retomada começou a ganhar força em 2017, quando torcedores se mobilizaram por meio do projeto “Retorno do Rei”. A iniciativa reuniu doações, campanhas e ações para recuperar a estrutura da casa azulina.

Parte da equipe do projeto "Retorno do Rei" que ajudou na reconstrução do Baenão
Parte da equipe do projeto "Retorno do Rei" que ajudou na reconstrução do Baenão (Divulgação / Facebook / Projeto Retorno do Rei ao Baenão)

O reencontro oficial com a torcida ocorreu em 13 de julho de 2019. Pela Série C do Campeonato Brasileiro, o Remo recebeu o Luverdense e empatou por 2 a 2. O resultado acabou ficando em segundo plano diante do significado daquela tarde: depois de cinco anos fechado, o Baenão voltava a receber uma partida oficial do time profissional.

Desde então, o estádio voltou a fazer parte da rotina do clube e da torcida. A história centenária permanece como motivo de orgulho para os azulinos, mas as cobranças feitas no aniversário de 109 anos mostram que, para os torcedores, preservar o Baenão também significa garantir melhores condições para que a casa do Remo continue cumprindo seu papel no futebol paraense.