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FUTEBOL

Thiago Carpini pode mudar estilo de jogo do Remo na Série A, avaliam jornalistas

Para Carlos Ferreira e Paulo Fernando, treinador terá desafios táticos e psicológicos na luta contra o rebaixamento

O Liberal

20 de setembro de 2026 às 07:00

( Foto: Samara Miranda / Remo )

A chegada de Thiago Carpini ao Remo abre uma nova etapa para o clube na sequência da Série A do Campeonato Brasileiro. Anunciado para assumir o comando da equipe azulina após a saída de Léo Condé, o treinador terá a missão de reagir na competição e conduzir o time na luta contra o rebaixamento.

A estreia de Carpini coloca em discussão não apenas os resultados que o Remo precisa alcançar, mas também possíveis mudanças na maneira de a equipe jogar. Para os jornalistas Carlos Ferreira e Paulo Fernando, do Grupo Liberal, o novo treinador terá desafios dentro e fora de campo, desde a melhora do desempenho ofensivo até a recuperação da confiança dos jogadores.

Na avaliação de Paulo Fernando, Carpini chega em um momento em que o Remo precisa de respostas rápidas. Para ele, o treinador terá pouco espaço para fazer uma transição prolongada e precisará encontrar soluções dentro do elenco que já está à disposição.

“O momento do Remo não é bom na Série A e contrata um treinador que é o ‘Léo Condé 2’. Só olhar as campanhas dele, em poucos lugares deu certo. O Remo precisa de um técnico que chegue aqui com atitudes e ele não vai poder fazer milagres. Ele precisa melhorar a qualidade de finalização do Remo, além de mexer com o psicológico desse elenco”, afirmou.

O jornalista também destaca que o Remo precisa transformar as boas atuações em resultados. Na avaliação dele, a equipe não pode perder de vista a necessidade de iniciar uma sequência de vitórias, principalmente diante da situação na tabela.

“O Remo precisa vencer um jogo de cada vez. Não adianta pensar em ganhar várias, sem iniciar uma sequência de vitórias. Os jogadores precisam entender que jogar bem não basta. É necessário vencer, pois o time joga bem e vem perdendo seus jogos”, disse Paulo Fernando.

Outro ponto citado pelo jornalista é a possibilidade de um novo treinador enxergar alternativas que não eram utilizadas anteriormente. A mudança no comando pode fazer com que jogadores tenham novas oportunidades ou desempenhem funções diferentes dentro da equipe.

“Um professor novo, a diretoria tinha que agir e trazer um novo comandante. Se fica o Condé, o que ele faria para mudar esse cenário? O que ele conseguiria extrair desse elenco após todo esse tempo? O Carpini pode ver coisas que o Condé não via, jogadores podem se doar mais, alguns que passavam despercebidos podem ser vistos de outra forma pelo novo comandante”, avaliou.

Mudança na forma de jogar

Para Carlos Ferreira, uma das principais diferenças que podem aparecer no Remo sob o comando de Carpini está na postura da equipe com a bola. O jornalista parte de uma declaração do próprio treinador, que afirmou que “não tem depois, tem que ser agora” e defendeu que o Remo tenha coragem para atacar.

A leitura é de que o time pode deixar de priorizar uma postura mais reativa, característica apontada por Ferreira na equipe comandada por Léo Condé.

“Eu vou partir de um ponto, de uma fala do Carpini, quando ele diz que não tem depois, tem que ser agora, e que o Remo tem que ter coragem de atacar. Enfim, é o que ele quis dizer: o Remo do Léo Condé era um time reativo”, explicou.

Segundo Ferreira, o modelo baseado em transições fazia com que o Remo avançasse com poucos jogadores. Com isso, erros de passe poderiam provocar a perda imediata da posse e dificultar a retomada da bola.

A expectativa, portanto, é que Carpini procure reposicionar a equipe e aproximar os jogadores para facilitar a circulação da bola. O objetivo seria encontrar um equilíbrio entre os momentos em que o time precisa reagir e aqueles em que deve assumir a iniciativa.

“Como o Remo jogava em transição, então ele atacava com poucos atletas, e um erro de passe era a imediata devolução de bola para o adversário, e o Remo tinha uma certa dificuldade para a retomada. Então, eu imagino ele reposicionando o time, agrupando mais para facilitar o passe e sendo um time mais propositivo ou menos reativo”, afirmou.

Ferreira ressalta, porém, que a mudança não significa necessariamente abandonar a característica reativa. Para ele, a necessidade de resultados pode levar o Remo a assumir mais riscos e buscar o ataque com maior frequência.

“Mas, no sentido principal, de ser um time mais disposto a correr risco, mais voltado para o ataque do que antes, pela necessidade que tem de resultados. Não existe depois, como ele disse, tem que ser agora. Então, penso que, por conta disso, a gente já vai ver um Remo diferente contra o Santos”, destacou.

Confiança como desafio

Além das questões táticas, a recuperação da confiança do elenco e da torcida aparece como um dos principais desafios para Carpini. Carlos Ferreira entende que o discurso apresentado pelo treinador precisa ser acompanhado por uma resposta dentro de campo.

“Fora isso, um dos desafios dele é gerar confiança. Não é nem motivação, é gerar confiança nos atletas, mobilizar a torcida, e o discurso dele está sendo nesse sentido. Discurso que precisa de uma confirmação na prática, e isso é no jogo contra o Santos”, afirmou.

A partida contra o Santos, portanto, será um dos primeiros momentos para observar as mudanças promovidas pelo novo comandante. Para Ferreira, será também uma oportunidade para Carpini mostrar o que pode acrescentar à equipe e iniciar o processo de recuperação da confiança no ambiente azulino.

“É quando ele vai mostrar o que ele tem para acrescentar como forma de conquistar, reconquistar a confiança da torcida e a autoconfiança dentro do grupo. É o que eu penso.”

Com a mudança no comando, o Remo inicia uma nova tentativa de reação na Série A. Carpini terá a tarefa de encontrar soluções rapidamente, ajustar o funcionamento da equipe e fazer o elenco transformar desempenho em pontos na luta pela permanência na elite nacional.