O que houve de espetacular no futebol paraense nesses nove meses de temporada? Em campo só alguns lances, especialmente defesas do goleiro azulino Marcelo Rangel e alguns momentos do meia bicolor Marcinho. Shows mesmo tivemos nas arquibancadas, principalmente no primeiro Re-Pa, quando as duas torcidas foram fabulosas com seus mosaicos e energia máxima, e no Remo x Flamengo, quando a torcida azulina impressionou o país com uma sucessão de mosaicos. Festa ímpar! Show e plateia têm ordem invertida em Belém. São os jogadores que se encantam com o que vêem, ouvem e sentem. A torcida paga para dar espetáculo e emocionar a quem ocupa o palco. É o poste mijando no cachorro! E o mais impressionante é que isso é o normal, sem questionamentos. Afinal, o futebol é um universo cheio de licenças à falta de lógica. É muito mais para os sentimentos do que para pensamentos. No mundo da bola, nem parece racional ser racional. Papão é o 2° e Leão 12°, mas nas arquibancadas No cenário ideal, os times estariam nas posições das torcidas. A do Papão é a 2a da Série C com 116.345 ingressos em 11 jogos em Belém. A do Leão é a 12a da Série A com 993.668 ingressos em 13 mandos. (fonte: Senhor Gol). As campanhas em campo mostram o Papão (sem considerar o jogo de Limeira) na última posição do quadrangular e 8a no geral. O Leão é o penúltimo da Série A. Também nos números só há show da plateia. BAIXINHAS * Cristiano Dresh, presidente do Cuiabá, vem sendo uma voz importante pela revisão do flairplay financeiro no futebol brasileiro. Ele defende perda de pontos para clubes caloteiros e cita exemplos do Santos e Corinthians, que não pagam o que devem e seguem contratando a rodo, praticando "estelionato esportivo". * Cristiano Dresh chama atenção para o Remo na Série A. Como ele diz, um clube de pequeno potencial de investimento para um cenário de Série A, que honra os seus compromissos, funciona dentro do seu limite financeiro, e luta contra rebaixamento contra clubes poderosos que contraem dívidas para não pagar. Assim, contratam grandes jogadores à base do calote. * Isso que o Cuiabá sofre, por vendas que lhe geraram um crédito vazio em torno de R\$ 40 milhões, é um escárnio institucionalizado. É crédito vazio porque o clube tem a receber, mas não tem perspectiva de receber por falta de mecanismos efetivos sustentados pela CBF. * Em 1986 o Remo vendeu o ídolo Dadinho para o Santa Cruz por 2 milhões de cruzados. Nunca recebeu um centavo. Um negócio mal explicado até hoje, que virou folclore. Na época, o Remo não teve em que se amparar nas cobranças. Quatro décadas depois, o Cuiabá ecoa seu grito por várias vendas em que foi lesado. * Tornar habitual a venda de jogadores seria o grande salto de Leão e Papão, a partir das ativação dos Centros de Treinamentos. Para a Base, CT dece ter o sentido de indústria de futebol. Este ano, o Remo contratou 30 e o Paysandu 24 jogadores. A única venda foi do volante bicolor Pedro Henrique, para o Flamengo. Uma venda forçada por circunstâncias. Era vender ou perder. * Jajá, Taliari, Galeano, Leonel Picco, Maiky e Marlon Matheus são os jogadores que vieram para o Leão com direitos econômicos comprados. Tchamba pode tornar-se mais um caso. Basta o clube fazer valer cláusula que garante renovação automática de contrato. Nessas aquisições reside a esperança de alguma venda, o que deve depender muito da reta final da Série A. * Uma fase de boas vendas do Paysandu foi de 2004 a 2010. O clube vendeu Fabrício, Balão, Thiago Potiguar, Vanderson, Velber, Rodrigo Andrade, Moysés, Magnum e Robgol. Todos acabaram voltando para a Curuzu, mas depois de terem dado um razoável resultado financeiro. Outros, como Sandro Goiano, Jobson e Iarley, saíram de graça.