A insatisfação com a arbitragem brasileira foi um dos assuntos abordados pelo presidente do Remo, Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, em entrevista à Rádio Liberal +. O dirigente fez críticas contundentes às atuações dos árbitros durante a temporada, questionou a postura da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e afirmou que o clube foi prejudicado em diferentes partidas ao longo do ano.
Tonhão também direcionou cobranças à cúpula da entidade, especialmente ao presidente Samir Xaud e ao vice-presidente Ricardo Gluck Paul, paraense que integra a direção da CBF. Na avaliação do mandatário azulino, a expectativa de que a presença de dirigentes nortistas na entidade pudesse representar um olhar mais atento às necessidades dos clubes da região não se concretizou.
Ao falar sobre os encontros que teve com representantes da comissão de arbitragem, o presidente do Remo apontou a existência de um corporativismo entre os responsáveis pelo setor. Ele também demonstrou revolta com o que considera critérios diferentes na análise dos lances e das decisões tomadas durante as partidas.
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O dirigente relatou ainda um episódio envolvendo uma viagem de um representante do Remo ao Rio de Janeiro para uma partida contra o Fluminense. Segundo Tonhão, o encontro com o presidente da CBF evidenciou o distanciamento da entidade em relação à realidade dos clubes da Região Norte. O mandatário azulino não escondeu a indignação ao falar sobre o tratamento recebido pelo futebol paraense.
“Fora os ‘elogios’ que fiz para alguns árbitros, que vêm aqui e, na cara de pau, na ‘mão grande’, nos roubam. Tive algumas reuniões na CBF com a famosa comissão de arbitragem, mas geralmente o diretor da comissão de arbitragem é um ex-árbitro. Existe um corporativismo grande entre eles, sempre tem uma desculpa, porém, essas desculpas não são aplicadas em outros jogos. São duas medidas e isso chega a irritar, a vontade que dá é mandar todos para aquele lugar”, disparou.
Tonhão questionou a representatividade nortista na direção da entidade máxima do futebol brasileiro. O presidente do Remo citou tanto Samir Xaud, natural de Roraima, quanto Ricardo Augusto Lobo Gluck Paul, representante do Pará na vice-presidência da CBF.
“E olha que temos um vice-presidente da CBF que é do Pará. O presidente da CBF é do Norte, mas infelizmente a promessa que havia, de um presidente da CBF ser nortista e ter um novo olhar para o futebol do Norte não correspondeu à realidade. A prova é que fomos jogar com o Fluminense e um diretor nosso viajou em voo comercial, fez uma conexão em Brasília e encontrou o presidente da CBF. Bateram um papo e perguntou se o Remo iria jogar no Rio de Janeiro e contra quem? Meu irmão, o cara é presidente da CBF, é do Norte e não sabia. Aí tu vê como somos tratados e olhados”, afirmou.
'Saio com sentimento de impotência'
As reclamações também passaram pela responsabilidade financeira dos clubes com a logística da arbitragem. Tonhão destacou que o Remo arca com despesas de deslocamento e hospedagem dos profissionais que trabalham nas partidas em Belém e considerou injusto que, mesmo cumprindo essas obrigações, o clube se sinta prejudicado pelas decisões tomadas dentro de campo.
“Os clubes são responsáveis pela logística de passagem, de viagem e hospedagem. E quando os árbitros vêm apitar aqui a responsabilidade também é nossa. Acabamos pagando para sermos roubados, sacaneados e isso que revolta. O Pará faz parte do Brasil e essa torcida fanática merece respeito”, declarou.
Ao projetar o encerramento de seu ciclo à frente do Remo, o dirigente afirmou que leva consigo a frustração por não conseguir mudar o cenário que considera prejudicial ao clube. Tonhão desabafou e disse que é difícil bater de frente com a arbitragem.
“Agora o que fazer? É entregar tudo para eles, fazem da maneira que quiserem, pois não podemos fazer o torcedor de besta, nós gastando nossa saúde para assistir toda essa palhaçada. Saio [do Remo] com esse sentimento de impotência com esses desmandos”, concluiu.