O Remo terá 20% da receita líquida da bilheteria do jogo contra o Grêmio, nesta quarta-feira (7), no Mangueirão, destinada ao pagamento de uma dívida judicial. A determinação faz parte de um processo antigo e, segundo o diretor jurídico do clube, Gustavo Fonseca, não representa uma nova dívida ou uma cobrança que surgiu agora.
A execução foi movida por Hamilton Dias Bordalo contra o Remo e tramita na 15ª Vara Cível e Empresarial de Belém. O processo tem como base um instrumento de confissão de dívida e está na Justiça desde 2023. Segundo os valores apresentados no processo, o débito atualizado chega a R$ 959.440,79. Desse total, R$ 738.601,79 já estão depositados judicialmente, restando uma diferença de aproximadamente R$ 220,8 mil.
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Em entrevista ao programa Liberal+ Notícias, Gustavo explicou que o caso está relacionado a um empréstimo feito anteriormente ao clube. Segundo o dirigente, o Remo já conseguiu reduzir o valor da cobrança e vem pagando a dívida ao longo dos últimos meses.
“Esse bloqueio ocorre há muitos meses. É um processo antigo, de um empréstimo feito ao clube. Recentemente conseguimos reduzir o valor e já pagamos boa parte. Já temos cerca de R$ 700 mil depositados, e falta uma diferença que deve sofrer esse bloqueio agora ou em outra partida. É algo corriqueiro, que vem ocorrendo. Não é uma dívida nova.”
A diferença entre os valores citados pelo dirigente e os apresentados atualmente no processo ocorre porque os cálculos judiciais são atualizados com juros, correção e outros encargos. O clube também informou que pretende revisar os cálculos antes de se manifestar no processo. A defesa azulina trabalha com a possibilidade de a obrigação já ter sido quitada, o que ainda precisa ser confirmado nos autos.
Percentual já foi reduzido
A penhora sobre a renda dos jogos do Remo não começou agora. Inicialmente, a Justiça determinou o bloqueio de 20% da receita líquida das partidas. Em abril, o clube conseguiu provisoriamente reduzir o percentual para 10% após demonstrar que já havia outros bloqueios sobre a mesma fonte de receita. Naquele momento, as constrições chegaram a comprometer cerca de 70% da bilheteria em determinados jogos.
A redução, porém, perdeu efeito posteriormente, e os 20% voltaram a ser aplicados. Com isso, a renda líquida dos próximos jogos fica sujeita à retenção até que a execução seja encerrada ou uma nova decisão judicial altere a medida.
Como funciona o bloqueio
O percentual não é calculado sobre todo o dinheiro arrecadado com a venda de ingressos. A Justiça determinou a retenção de 20% da renda líquida, ou seja, depois dos descontos e das despesas relacionadas à realização da partida.
Um exemplo ajuda a entender: se um jogo gerar R$ 2 milhões de receita líquida, R$ 400 mil seriam destinados à execução. No confronto contra o Vasco, em abril, o Remo teve R$ 1,87 milhão de renda líquida e cerca de R$ 375 mil foram bloqueados pela Justiça.
