A chamada "MP das Bets" vem sendo acompanhada de perto pela diretoria do Remo. O clube azulino é um dos 13 times do Brasileirão da Série A que possuem patrocínio de casas de apostas, que desde o dia 19 de setembro estão proibidas de operar no território brasileiro, conforme medida provisória anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Procurado pelo Núcleo de Esportes de O Liberal, o diretor jurídico do Remo, Gustavo Fonseca, explicou como o clube vem lidando com o caso, que tem provocado uma série de reação das equipes do eixo Rio-São Paulo, que alegam "o fim do futebol brasileiro" com a proibição da exploração, oferta e afins das bets.
"Estamos avaliando (o assunto) e participando das discussões atualmente", contou Gustavo Fonseca ao O Liberal.
Hoje, o Remo tem como um dos patrocinadores master a "Vaidebet", empresa de apostas. A marca divide a faixa central do uniforme do clube com o Banpará, além de anunciar nas mangas da camisa. Ao todo, são cinco exposições de uniforme e presença nos banners do clube.
Neste momento, com a medida provisória em vigor, proibindo todo e qualquer tipo de publicidade de bet, o Remo "suspendeu" o uso da marca nas redes sociais e demais materiais - como o uniforme.
Apesar disso, o clube adota cautela antes de tomar uma decisão "mais avançada", como a discussão para uma eventual rescisão de contrato com a Vaidebet.
"Estamos acompanhando (o caso antes de divulgar um posicionamento final). Aguardamos as coisas acalmarem para ver quais serão os desdobramentos. Em cumprimento a legislação em vigor, somos obrigados a isso (tirar a publicidade do ar)", ressaltou.
"Qualquer coisa neste momento é muito preliminar. Não dá para cravar nada (sobre o futuro do contrato com a Vaidebet)", completou.
Além da medida provisória, o Governo Federal vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê punições para quem explorar, operar ou divulgar casas de apostas no Brasil.
Brasileirão parado?
Nesta terça-feira (29), o jornalista Marcel Rizzo, do Estadão, divulgou que os clubes aumentaram a pressão e ameaçam paralisar o Brasileirão, além de ir ao Supremo Tribunal Federal para reaver a medida provisória.
Sobre o possível movimento de paralisação do Campeonato Brasileiro, Gustavo Fonseca garantiu "não ter essa informação" se o Remo teria ou não sido consultado pelos demais clubes da competição para integrar a ação.
O movimento dos clubes contra a medida provisória é liderado por Flamengo e Palmeiras. O clube carioca, por exemplo, lucra cerca de R$ 268,5 milhões por ano com o patrocínio da Betano, conforme revelado pelo presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o BAP. O dirigente revelou que o impacto na Gávea pode bater a casa dos R$ 400 milhões.
