Acostumados à pressão das arquibancadas, às cobranças por resultados e à rotina intensa de treinos, os jogadores de futebol convivem diariamente com desafios que vão muito além das quatro linhas. Para Gabriel Mesquita, do Paysandu, e Gabriel Taliari, do Remo, a chegada dos filhos trouxe uma nova perspectiva sobre a carreira. Em comum, os dois descrevem a paternidade como um divisor de águas, capaz de tornar o futebol ainda mais importante, mas sem ocupar o primeiro lugar na vida.
Pai de três filhos, Gabriel Mesquita afirma que a mudança começou ainda no nascimento da primogênita. O goleiro lembra que, ao segurá-la no colo pela primeira vez, passou a enxergar a profissão de outra forma.
"Virou uma chave. Viver esta realidade da paternidade me trouxe mais serenidade para lidar com situações difíceis. Abriu-se um mundo sobre o qual eu não tinha experiência nem conhecimento algum. Foi por meio dos desafios diários que aprendi a ter calma para superar as dificuldades encontradas com um bebê. Como atleta, lido da mesma forma, encarando as dificuldades com serenidade", explica.

O ambiente familiar também se tornou um refúgio nos momentos de maior cobrança. Mesquita conta que voltar para casa e encontrar os filhos é a motivação necessária para seguir trabalhando em busca dos objetivos da carreira.
"Vejo que o maior desafio realmente é o tempo corrido durante a rotina de treinos, jogos e viagens. Porém, quando estou junto com eles, busco aproveitar da melhor maneira possível o tempo, com brincadeiras, lendo livros, fazendo passeios em família, indo à missa. Buscamos ter o melhor tempo de qualidade juntos possível, pois é revigorante", conta.
Nova fase
Se Mesquita já acumula experiência na paternidade, Gabriel Taliari vive um dos momentos mais marcantes da vida. Na última segunda-feira (3), nasceu Serena, sua primeira filha. A chegada da menina, em Belém, mudou imediatamente a forma como o atacante do Remo enxerga a carreira.
Segundo o jogador, o futebol continua sendo uma prioridade, mas agora divide espaço com uma motivação ainda maior.
"Além do futebol, tem algo em casa que me espera. E isso me faz valorizar ainda mais cada oportunidade que eu tenho na minha carreira. E que eu possa, cada vez mais, dar o meu melhor, não só por mim agora, mas pela minha família", afirma.

A mudança também influencia a maneira como encara as dificuldades da profissão. O atacante acredita que derrotas e momentos de pressão passam a ter outro peso quando existe uma família esperando por ele em casa, oferecendo apoio e carinho.
"Os momentos difíceis sempre vão continuar existindo, porque fazem parte da nossa profissão. Mas só de saber que eu vou ter a minha família em casa esperando, que depende de mim, torce por mim e me dá força para superar as dificuldades... Eu sei que as derrotas e as dificuldades que a gente passa na nossa profissão vão ter um peso diferente quando eu chegar em casa e encontrar a minha família, que me ama e me dá todo o suporte para que eu esteja bem dentro de campo", disse.
Embora ainda esteja descobrindo a rotina como pai, Taliari sabe que conciliar o calendário do futebol com a criação da filha será um desafio. Entre concentrações e viagens, ele pretende aproveitar ao máximo o tempo ao lado de Serena e da esposa.
Em lados opostos da maior rivalidade da Amazônia, Gabriel Mesquita e Gabriel Taliari vivem momentos diferentes da paternidade. Um já experimenta a rotina de criar três filhos; o outro acaba de iniciar essa jornada. Mas ambos compartilham a mesma certeza: antes de jogadores de futebol, são pais.