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FUTEBOL

Força e resistência; jogadores do Remo são acompanhados pelo NASP e melhoram desempenho em campo

Fisiologista Erick Cavalcante explica o trabalho desenvolvido no NASP para melhorar o desempenho de atletas oriundos das categorias de base

Fabio Will / O Liberal

19 de dezembro de 2021 às 10:00

Volante Pingo teve uma melhora corporal significativa, com ganho de massa magra, aponta o fisiologista do clube

Volante Pingo teve uma melhora corporal significativa, com ganho de massa magra, aponta o fisiologista do clube ( Foto: Samara Miranda / Remo )

O Pará é um celeiro de jogadores de futebol, vários atletas já se destacaram pelo país e pelo mundo, mas para chegar a um patamar de jogar profissionalmente é uma batalha enorme. A maioria deles não possuem estrutura familiar e não conseguem conciliar a rotina de treinos, alimentação e descanso. No Remo, alguns jogadores, a maioria da base, passam por um período de recondicionamento físico, como foi o caso do volante Pingo, um dos destaques do time na temporada. 

Pingo, de 19 anos, iniciou a carreira no Comercial de Ananindeua e está no Remo desde 2017, porém, para chegar ao profissional e ter sequência dentro de campo, o jogador passou por uma série de trabalhos específicos realizados no Núcleo Azulino de Saúde e Performance (NASP). A equipe de O Liberal conversou com Erick Cavalcante, fisiologista do Clube do Remo e que esteve à frente da sequência de trabalho realizada com os atletas. Cavalcante explicou o processo que os atletas costumam passar e o quanto isso é importante para o crescimento deles dentro de campo. 

"Recebemos vários atletas com problemas, dos mais variados possíveis, mas quando o atleta vem da base possui dificuldades como o déficit de massa magra. O Pingo passou por um trabalho da nossa equipe no NASP, repassamos ao nutricionista, montamos uma programação de pré-treino, equilíbrio e força e ele conseguiu ganhar de seis a sete quilos de puro músculo. Falo por experiência, o atleta da base no Pará é um herói", disse. 

Legenda (Samara Miranda / Ascom Remo)
Legenda (Samara Miranda / Ascom Remo)

Potência e explosão

Para Erick Cavalcante, o ganho de músculo do Pingo, possibilita mais resistência em campo, sendo que o volante remista, é um dos que mais possui um volume de oxigênio do elenco azulino que disputou a temporada 2021.  

"Faz tempo que futebol é só dentro de campo, existe todo um trabalho fora dele para deixar os jogadores em condições de jogo. O Pingo está em plena evolução, é jovem, tem potencial e possui um volume de oxigênio muito bom, ele consegue desempenho de 70 a 80% de um jogo de forma constante, ainda sofre um pouco com câimbras, mas aos poucos vai mudando", comentou

Fisiologista do Remo Erick Cavalcante ao lado do goleiro Vinícius
Fisiologista do Remo Erick Cavalcante ao lado do goleiro Vinícius (Arquivo pessoal)

Pingo

O volante azulino saiu de dois jogos na temporada 2019, para oito em 2020. Agora em 2021, o volante azulino disputou 24 partidas com a camisa do Remo, sendo 15 delas na Série B do Campeonato Brasileiro, além de marcar um gol, o primeiro dele no profissional. 

Apoio aos atletas

O fisiologista azulino possui o apoio de outros dois fisiologistas, Joyce Oliveira Martins e Matheus Proença, ela faz análises de laboratório e Matheus trabalha no campo, com análise de dados de GPS e frequenciamento.  Erick Cavalcante afirma que esse problema de déficit não afeta somente atletas da base, porém é mais comum entre eles, por não terem um acompanhamento de uma rotina de treinos, alimentação e descanso. 

"Trabalhamos com muitos jovens, mas também já tivemos casos de jogadores que atuavam em outros centros, mas é algo pontual. Todos os atletas da base passaram por isso e ainda passam, como é o caso do Tiago Mafra, onde iniciamos recentemente, além de Ronald, Waley, Tiago Miranda. O aspecto social contribui bastante para que eles cheguem com esse problema, mas aos poucos vão sendo corrigidos e melhorados", falou. 

Fisiologista Matheus Proença e Joyce Oliveira Martins, que trabalham na equipe de Erick Cavalcante
Fisiologista Matheus Proença e Joyce Oliveira Martins, que trabalham na equipe de Erick Cavalcante (Arquivo pessoal)

Mudanças

A chegada do Centro de Treinamento do Remo possibilitou um acompanhamento melhor da base, segundo Erick Cavalcante, a forma como está sendo trabalhada os garotos da base, a diminuição dos problemas serão significativas em um futuro próximo, porém, algumas mudanças já são uma realidade. 

"Temos um CT e agora as coisas estão caminhando mais tranquilas, temos um acompanhamento maior, tanto alimentar quanto fisiológico. Sabemos o que os jogadores estão comendo, além do descanso. Isso é um avanço gigantesco e vai ficar melhor, quando ocorrer a construção do NASP no local", finalizou.