Dois acessos seguidos em três anos e a história de Antônio Carlos Teixeira no Remo chega ao fim neste domingo (8). Então vice-presidente na gestão Fábio Bentes, o dirigente assumiu o cargo máximo do clube em novembro de 2023. De lá para cá, tirou o Leão da Série C e o colocou na Série A após 33 anos.
Na saideira do clube, Tonhão bateu um papo exclusivo com o Grupo Liberal. Em pauta, os bastidores e percalços vividos nos últimos três anos.
Confira a entrevista completa:
O Liberal: Foi o período mais vitorioso da história do Remo?
Tonhão: Foi um um período altamente positivo. Mas tivemos, talvez, outros momentos tão vitoriosos. Eu, particularmente, tive o prazer de ter algumas conquistas no Remo. Desde o primeiro acesso, quando era vice-presidente de futebol, depois com a junta governamental quando fizemos aquela campanha da Copa João Havelange. Depois fomos campeões Brasileiro (2005), que com certeza é o título mais importante que esse clube tem. E agora, com um período de três anos, você conseguir dois acessos seguidos é uma coisa que significa muito para mim, e principalmente ao torcedor azulino, porque o mais novo não teve a oportunidade de ver um clube do Norte na Série A.

OL: No período, o Remo teve nove treinadores. O que contribuiu para este número elevado?
T: Talvez esses acessos (de divisão) foram justamente ocasionados pelas trocas de treinadores. No primeiro momento, tivemos algumas trocas que não foram por vontade da diretoria. Mas a grande maioria (das trocas) foi. E acho que talvez o nosso sucesso alcançado no futebol foi justamente por fazer essa troca.
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OL: O que levou à saída do Sérgio Papelin?
T: O Papelin recebeu um convite do Fortaleza. Ele tinha uma identidade, uma amizade muito grande lá. Como ele já tinha cumprido o grande objetivo (aqui), que era o acesso à Série B, entramos em acordo e foi trabalhar no Fortaleza.
OL: Como era a relação com o Marcos Braz, que muita gente falava que era conturbada. Isso aconteceu?
T: Não sei se (relação) conturbada, porque eu sou "cara amarrada" e ele também é. Não sei se isso pode ter dado conflito. Mas foi uma relação profissional, eu como presidente e ele como funcionário do clube. Havia o respeito de ambas as partes. Ele que pediu para sair, não foi o Remo que o colocou para fora. Se algumas circunstâncias fizeram com que ele pedisse demissão, até hoje eu não sei. Mas logicamente que ele teve o seu valor. Foi um um dos responsáveis pelo nosso acesso à Série A, juntamente com toda a nossa diretoria.

OL: O que mudou na questão financeira do clube em 3 anos?
T: Recebi da mesma maneira que vou entregar. Um clube estável. Sem nenhum atropelo maior. Embora nesses meses de setembro e outubro recebemos um baque muito grande que foi a saída das Bets do nosso patrocínio. Automaticamente afetou outras áreas, como a Brax que toma conta da área das placas publicitárias do estádio. E isso trouxe um prejuízo para nós. Mas estamos deixando o clube com ativos. Há muito tempo que o clube não tem um plantel formado para começar a temporada e com ativos para ser disponibilizado (vendidos) caso haja necessidade.
OL: Hoje, o Remo tem a melhor situação financeira da história do clube?
T: Não sei porque não vivi toda a história do clube, mas acredito que sim.
OL: Qual a avaliação dos três anos de gestão?
T: Sou suspeito para falar, mas acho que foi positivo. Acredito que pelo reconhecimento que a gente tem e por estar jogando a série A. Havia 33 anos que o Remo não participava dessa competição. Estamos disputando uma competição dificílima, entre as cinco maiores do mundo e com o time que são considerados os melhores do futebol Brasileiro. E com uma folha (salarial) que talvez só ganha da Chapecoense e com uma estrutura menor de todas. Hoje estamos deixando o clube em uma situação melhor até de estrutura. O Remo tem tudo para caminhar para uma projeção de coisas bem melhores.
OL: Ponto positivo da gestão?
T: Os acessos (de divisão).
OL: E um ponto negativo?
T: As campanhas negativas que fizemos. Este ano, principalmente, pela falta de planejamento, pelo início meio conturbado que nós tivemos e pelas competições simultâneas que participamos, que não foram positivas. Temos esse lado negativo.
OL: O que faltou para dar um passo a mais na construção do Centro de Treinamento?
T: Faltou dinheiro, né? O dinheiro é o principal. Você não faz nada sem dinheiro, principalmente no investimento como é o CT. Tivemos a felicidade de através do nosso ex-governador (Helder Barbalho) viabilizar uma parceria com a iniciativa privada. Está sendo construído um campo e a área física, e nós estamos ainda, através de recurso próprio, fazendo outras melhorias construindo algumas coisas que possam facilitar o trabalho não só do plantel profissional, mas do feminino e de base para 2027 trabalhar lá.
OL: Em relação ao Baenão, foi cumprido todo o planejado?
T: Em grande parte sim. Tivemos uma melhora ali na área da 25, de toda a área do vestiário, com um novo refeitório, com a parte administrativa. Na minha visão, foi a minha grande obra. A partir da construção daquele espaço, acho que muita coisa clareou a partir daquele momento. Fora o investimento que fizemos no NASP, com a compra de equipamento de última geração, que nos ajudou muito na recuperação dos atletas. Além de fazer um (espaço de) recovery, com as seis banheiras quente e frias e isso tudo favoreceu o plantel. Independente disso, o que falhamos, e não pode ser uma falha porque nós não encontramos um parceiro que quisesse fazer o investimento no lado das Mercês. Infelizmente foi uma promessa que fiz e talvez seja uma das poucas que eu não realizei.

OL: O Remo conseguiu revelar o Kadu (lateral direito) nesta gestão e dar projeção nacional. Mas o que faltou para isso também acontecer com mais atletas da base?
T: O Kadu pouco jogou no time profissional este ano, foi mais no ano passado. Mas tivemos a oportunidade de dar oportunidade aos outros atletas. Mas jogar uma Série A não é fácil. Já existe uma certa preocupação, não só do treinador como da diretoria em preservar esses jogadores. O Remo tem um potencial muito grande de atleta que pode dar um fruto bem positivo no ano de 2027.
OL: Qual a estrutura que a gestão deixa de legado para a categoria de base?
T: O CT será um deles. Mas mesmo assim conseguimos investir em uma comissão técnica procurando profissionalizar com quem pudesse dar uma melhor assistência para esses jogadores.
OL: O Tonhão é o maior presidente da história do Remo?
T: Isso eu não vou dizer. Quem tem que dizer não sou eu. Mas a minha pretensão não foi essa. Sempre foi trabalhar por esse clube com amor e dedicação. Diuturnamente eu vivi esse clube e saio de cabeça erguida, com a missão cumprida.
OL: Quais os próximos passos dentro do clube?
T: Diretor nem na minha casa mais (risos). Mas remista, sempre. O grande remista não precisa de cargo para ajudar. Eu vou estar, embora longe fisicamente, sempre presente e sempre que meus companheiros, seja eles quem for comandando o Clube do Remo, estarei sempre à disposição para ajudar.