O futuro político e administrativo do Clube do Remo estará nas mãos dos associados neste domingo (8). Ao todo, 4.015 sócios proprietários e remidos estão aptos a participar das eleições que definirão os representantes dos principais órgãos administrativos azulinos para o triênio 2027-2029. A votação será realizada das 8h às 17h, no Ginásio Serra Freire, na sede social do clube, em Belém, com urnas eletrônicas e acompanhamento do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA).
A disputa pela presidência do Conselho Diretor (CODIR) terá duas candidaturas. De um lado, está Glauber Gonçalves, atual vice-presidente do Remo e representante da situação, pela chapa 20, Remo Unidos para Avançar. Ele tem como companheiros Carlos Augusto Teixeira de Brito Nobre, o Guto Nobre, candidato à primeira vice-presidência, e Jean Klay Santos Machado, à segunda vice-presidência. O grupo conta com o apoio do atual presidente, Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão.
Do outro lado, a oposição apresenta Gilmar Nascimento, da chapa 10, Remo Forte, Transparência e Renovação. Advogado e ex-diretor jurídico do clube, ele tem Ricardo Antônio Rodrigues Ribeiro como candidato à primeira vice-presidência e Adalberto Araújo Rocha Júnior à segunda.
Projetos e desafios
A eleição ocorre em um momento em que o Remo precisa conciliar o crescimento esportivo com a organização administrativa e financeira. Entre os desafios estão o fortalecimento do futebol profissional, a estruturação das categorias de base, a relação com o torcedor, a recuperação de espaços do patrimônio e a atenção às demais modalidades esportivas.
Situação
Glauber defende a continuidade do trabalho, com maior investimento na estrutura profissional e fortalecimento do futebol, considerado por ele o carro-chefe da instituição. O candidato também reconhece falhas da atual gestão na relação com o torcedor e promete ingressos mais baratos, planos de sócio-torcedor acessíveis e um feirão para ampliar o número de associados, com a meta de ultrapassar 20 mil sócios.
Para o Baenão, apresenta um projeto de obras na área das Mercês, com novos camarotes, espaço de imprensa e cobertura dos tobogãs. Na base, pretende integrar jogadores do sub-17 e sub-20 ao elenco profissional, com a meta de ter quatro ou cinco atletas das categorias de formação participando do time principal já no início da temporada 2027.
Oposição
Gilmar, por sua vez, apresenta uma proposta de mudança na condução administrativa do clube, com três pilares: transparência, sustentabilidade financeira e profissionalismo. O candidato pretende implantar mecanismos de controle e ampliar o acesso dos associados às informações sobre receitas, despesas e decisões administrativas. Entre as propostas está a criação de uma conta própria, com prestação de contas transparente, além de um acompanhamento mais rigoroso da aplicação dos recursos destinados aos diferentes setores do Remo.
Uma das primeiras medidas previstas pela oposição é realizar, nos primeiros 100 dias de eventual gestão, um diagnóstico administrativo e financeiro para mapear a situação de cada departamento, identificar problemas e verificar o cumprimento das determinações estatutárias sobre a destinação de recursos. Gilmar também defende maior atenção aos esportes olímpicos e à sede náutica, sem deixar de considerar o futebol profissional como a principal missão de um presidente de um clube de massa.
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O que será escolhido?
Além da presidência e das duas vice-presidências do CODIR, os associados escolherão os integrantes do Conselho Deliberativo (CONDEL). Ao todo, são 254 candidatos inscritos para disputar 100 vagas de conselheiro. Os 100 mais votados serão eleitos para compor o órgão no próximo triênio. Após a definição dos conselheiros, será realizada uma votação para a escolha da mesa diretora do Condel.
Também haverá escolha para a Assembleia Geral. Nesse caso, a chapa 1000, formada por Paulo Coimbra Storino, candidato a presidente, e Edgard Mario de Medeiros Júnior, candidato a vice-presidente, foi homologada.
Como será a votação?
O processo ocorrerá em dez seções eleitorais instaladas no Ginásio Serra Freire. Cada uma contará com um presidente de mesa e fiscais das chapas, além de notebook, teclado e cabine de votação cedida pelo TRE-PA.
Os eleitores serão distribuídos por ordem alfabética. Para votar, será necessário apresentar documento oficial de identificação válido com foto. O presidente da mesa fará a habilitação individual do associado, que utilizará o equipamento eletrônico para registrar suas escolhas. Depois da votação, deverá assinar a folha de presença.
A apuração será realizada integralmente pelo sistema disponibilizado pelo TRE-PA, e os resultados ficarão disponíveis para consulta pública. Quem estiver na sua seção eleitoral no horário de encerramento, às 17h, terá o direito de votar garantido. Concluída a contagem, o presidente da Comissão Eleitoral encerrará o processo e o novo presidente da Assembleia Geral proclamará os resultados, considerando eleitos os candidatos vencedores e definindo os procedimentos de posse.
A eleição representa, portanto, mais do que uma disputa entre situação e oposição. O resultado determinará quem estará à frente das decisões políticas e administrativas do Remo nos próximos três anos, período em que o clube terá o desafio de sustentar seus resultados esportivos e avançar na organização institucional.
