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Futebol

Eleição no Paysandu: o que faz o Condel e por que ele é importante para o clube

Mesmo com chapa única na disputa pela presidência, escolha dos integrantes do Conselho Deliberativo terá papel decisivo.

Caio Maia

1 de novembro de 2026 às 09:00

( Foto: Ronaldo Santos / Arquivo Paysandu )

A eleição do Paysandu, marcada para a próxima terça-feira (3), terá apenas uma chapa na disputa pela presidência – encabeçada pelo atual mandatário bicolor, Márcio Tuma. Mas isso não significa que o processo eleitoral bicolor será apenas uma formalidade. Uma das principais decisões dos associados estará na escolha dos integrantes do Conselho Deliberativo (Condel), órgão responsável por acompanhar e deliberar sobre assuntos fundamentais para o funcionamento do clube.

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Para o torcedor, entender o papel do Condel é importante para compreender o peso da votação. Embora não participe diretamente da gestão do futebol, o Conselho tem atribuições que influenciam os rumos administrativos e financeiros do Paysandu. Entre elas estão a análise das contas da Diretoria Executiva, a aprovação do orçamento anual e a autorização de negócios que podem representar compromissos financeiros relevantes para a instituição.

Na prática, o Condel funciona como uma instância de fiscalização e deliberação. É um dos mecanismos previstos no Estatuto Social para acompanhar a atuação de quem está à frente da administração do clube e garantir que decisões importantes sigam as regras estabelecidas.

O que faz o Conselho Deliberativo?

Associados comparecem para a votação na sede do Paysandu
Associados comparecem para a votação na sede do Paysandu (Thiago Gomes / O Liberal)

De acordo com o Estatuto do Paysandu, o Conselho Deliberativo é estruturado em três partes: Conselho Pleno, Mesa Diretora e comissões específicas. O Conselho Pleno é a instância superior do órgão e reúne os conselheiros com direito a participação e voto nas sessões.

Uma das principais responsabilidades do plenário é apreciar e julgar as contas anuais da Diretoria Executiva, depois da análise do Conselho Fiscal. O colegiado também avalia as prestações de contas referentes aos dois primeiros quadrimestres do ano e acompanha a execução do orçamento, comparando o que foi planejado com os resultados efetivamente alcançados.

Outra atribuição importante é aprovar o orçamento anual do clube e eventuais alterações. O Condel também precisa autorizar a celebração de negócios jurídicos com repercussão econômica anual igual ou superior a R$ 5 milhões, com exceção dos contratos para contratação de atletas profissionais.

O órgão ainda tem participação em decisões relacionadas ao patrimônio. A venda, a negociação ou a oneração de imóveis, participações societárias e determinados direitos de atletas dependem de autorização do Conselho, seguindo quóruns específicos previstos no Estatuto. A aquisição de imóveis também precisa passar pelo colegiado.

Além disso, o plenário pode autorizar empréstimos feitos por dirigentes, torcedores ou apoiadores, aprovar a participação do Paysandu em outras empresas e convocar o presidente da Diretoria Executiva para prestar esclarecimentos.

Como funciona a fiscalização?

O Estatuto do Paysandu prevê uma rotina com reuniões ordinárias para avaliar a situação geral do clube, analisar resultados e acompanhar o planejamento financeiro. Esse trabalho também é realizado por meio de comissões permanentes, que auxiliam o plenário e a Mesa Diretora em áreas específicas.

A Comissão de Administração e Finanças acompanha a execução financeira, orçamentária e de gestão, incluindo o cumprimento de metas e do planejamento estratégico. É uma das estruturas responsáveis por monitorar os resultados apresentados pela Diretoria Executiva.

Há ainda a Comissão Jurídica, que auxilia na interpretação das normas internas; a Comissão de Marketing, que acompanha as ações da área; e a Comissão de Obras, responsável por sugerir e acompanhar projetos de expansão, recuperação e manutenção dos espaços do clube.

A Comissão de Ética e Disciplina, por sua vez, atua na análise de processos disciplinares envolvendo associados. Em situações previstas no Estatuto, pode determinar a suspensão preventiva de um associado por até 120 dias, sujeita à aprovação posterior do plenário.

As comissões funcionam como órgãos auxiliares. Os pareceres e acompanhamentos ajudam a embasar as decisões do Conselho, mas as deliberações de maior alcance cabem ao plenário, conforme as competências estatutárias.

Quem faz parte do Condel?

 O Conselho Deliberativo é formado por membros natos, efetivos e suplentes. Entre os nato s estão ex-presidentes da Assembleia Geral, do próprio Condel e da Diretoria Executiva que atendam às exigências estatutárias, além de associados que receberam títulos honoríficos, como Benemérito e Grande Benemérito.

Já os membros efetivos e suplentes são escolhidos pelos associados em votação. Os efetivos integram o plenário e têm direito a participar e votar nas reuniões. Os suplentes, por sua vez, assumem uma vaga quando ocorre vacância ou impedimento de um titular. Enquanto não são efetivados, não participam das sessões com direito a voto.

A eleição também define quem poderá ocupar a Mesa Diretora do Condel, formada por presidente, primeiro e segundo vice-presidentes e primeiro e segundo secretários. Essa estrutura é responsável por organizar, coordenar e conduzir os trabalhos do Conselho.

Por que o voto é importante?

Eleições do Paysando escolhem membros do Condel (Caio Maia/O Liberal)
Eleições do Paysando escolhem membros do Condel (Caio Maia/O Liberal)

A escolha dos conselheiros ganha ainda mais relevância em um momento no qual o Paysandu precisa lidar com desafios administrativos e financeiros. O órgão terá participação no acompanhamento das contas, na aprovação do orçamento e na análise de decisões que podem comprometer o patrimônio e os recursos do clube.

Na eleição de terça-feira, os sócios escolherão 25 conselheiros efetivos e outros 25 suplentes, além dos integrantes da nova Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal. A votação será realizada das 16h às 21h, na sede social do Paysandu, na Avenida Nazaré, em Belém. O mandato da próxima gestão será referente ao biênio 2027-2028.