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Real Madrid pede saída de presidente de LaLiga após comparação com nazismo

O novo episódio da guerra de bastidores ocorreu após um desabafo do Real Madrid através de sua TV

Estadão Conteúdo

16 de outubro de 2026 às 11:36

( Foto: Franck Fife/AFP )

A longa briga entre Real Madrid e Javier Tebas, presidente de LaLiga e vice da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), por causa do caso Negreira, ganhou novo capítulo nesta sexta-feira após o dirigente acusar a emissora de TV do clube de usar métodos de Joseph Goebbels, ministro do regime de propaganda nazista alemão. Revoltada, a direção merengue soltou longa nota de repúdio na qual exige a renúncia imediata de seus cargos.

Há tempos que o Real Madrid cobra de Javier Tebas punição ao Barcelona por supostos pagamentos milionários a empresas de José Maria Enriquez Negreira, que foi vice-presidente do Comitê de Árbitros da Espanha e dirigente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), entre 2001 e 2018. O dirigente, porém, jamais aceitou as denúncias de corrupção esportiva em LaLiga, descartando favorecimento à esquadra catalã, desconsiderando as denúncias do clube madrilenho, que foi à Uefa cobrar penalidades.

O novo episódio da guerra de bastidores ocorreu após um desabafo do Real Madrid através de sua TV, na qual Tebas, RFEF e LaLiga foram definidos como "farinha do mesmo saco" no caso Negreira por falta de explicações e punições.

O presidente de LaLiga, então, usou o nazismo como resposta. "Esse método lembra as técnicas de propaganda empregadas por Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazista: repetição sistemática, construção de um inimigo e subordinação dos fatos à narrativa. A comparação é com essas técnicas de propaganda, não com uma ideologia ou, claro, com os torcedores do Real Madrid."

A medida deixou os dirigentes madrilenhos enfurecidos e a resposta veio pesada. "Diante das declarações de Javier Tebas, presidente da LaLiga e vice-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, o Real Madrid considera absolutamente intolerável e de extrema gravidade que alguém que ocupa dois cargos de máxima responsabilidade no futebol espanhol recorra a uma comparação com os métodos de propaganda do regime nazista para desacreditar o nosso clube, a sua diretoria e a sua emissora de televisão. O esclarecimento de que não se refere à ideologia nazista não atenua o caráter profundamente ofensivo, moralmente repugnante e institucionalmente indigno de suas manifestações", disparou o clube merengue.

"Essas declarações constituem um novo episódio dos ataques reiterados de Javier Tebas contra o Real Madrid, seu presidente e seus meios de comunicação. É inadmissível que ele se aproveite, inclusive, de perguntas, informações ou opiniões de jornalistas alheios ao clube para dirigir contra nós as suas desqualificações, atribuindo-nos ações de terceiros pelas quais não temos responsabilidade alguma", seguiu o Real em seu manifesto.

O longo protesto do clube dirigido por Florentino Pérez termina com uma constatação: Tebas não pode mais continuar dirigindo a entidade que rege o campeonato da Espanha por falta de parcialidade.

"A conduta reiterada de Javier Tebas evidencia uma falta de neutralidade, respeito e imparcialidade incompatível com as suas responsabilidades institucionais", destacou. "Os seus ataques constantes ao Real Madrid e àqueles que reivindicam transparência e regeneração constituem, na opinião do nosso clube, um verdadeiro flagelo para o futebol espanhol. Por tudo isso, o Real Madrid considera que as manifestações e comportamentos reiterados de Javier Tebas seriam inadmissíveis em qualquer instituição esportiva europeia que se paute por princípios de respeito, neutralidade e integridade, e que o desqualificam institucionalmente para continuar a exercer os cargos que ocupa", afirmou.

Por fim, o clube merengue determinou: "Consequentemente, o Real Madrid exige a sua renúncia imediata aos cargos de presidente da LaLiga e de vice-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol. O Real Madrid continuará a defender os seus direitos, o seu prestígio institucional, o completo esclarecimento do caso Negreira e a necessária regeneração do futebol espanhol."

CONFIRA O COMUNICADO OFICIAL COMPLETO DO REAL MADRID:

1) O Real Madrid C. F. considera absolutamente intolerável e de extrema gravidade que alguém que ocupa dois cargos de máxima responsabilidade no futebol espanhol recorra a uma comparação com os métodos de propaganda do regime nazista para desacreditar o nosso clube, a sua diretoria e a sua emissora de televisão. O esclarecimento de que não se refere à ideologia nazista não atenua o caráter profundamente ofensivo, moralmente repugnante e institucionalmente indigno de suas manifestações.

2) Essas declarações constituem um novo episódio dos ataques reiterados de Javier Tebas contra o Real Madrid, seu presidente e seus meios de comunicação. É inadmissível que ele se aproveite, inclusive, de perguntas, informações ou opiniões de jornalistas alheios ao clube para dirigir contra nós as suas desqualificações, atribuindo-nos ações de terceiros pelas quais não temos responsabilidade alguma.

3) É especialmente grave que Tebas utilize essas manifestações para questionar as atuações legítimas do Real Madrid e da Real Madrid Televisión em relação ao caso Negreira.

Diante da ausência de uma resposta à gravidade extraordinária do caso Negreira por parte das duas instituições nas quais Javier Tebas ocupa cargos de máxima responsabilidade, nosso clube teve de recorrer diretamente à UEFA para exigir o completo esclarecimento dos pagamentos realizados, ao longo de anos, pelo F. C. Barcelona ao vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros, bem como a adoção das medidas necessárias para garantir a integridade das competições.

O Real Madrid exige, ainda, uma renovação integral do sistema de arbitragem e das estruturas federativas de governança, gestão, supervisão e disciplina, por meio da substituição daqueles que exerceram funções de responsabilidade durante aquele período.

É especialmente significativo que Javier Tebas - presidente da LaLiga e vice-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, organização à qual está vinculado o Comitê Técnico de Árbitros - dedique seus esforços a desacreditar o Real Madrid, em vez de promover, a partir de suas responsabilidades institucionais, o esclarecimento desses fatos gravíssimos e a necessária regeneração do futebol espanhol.

4) A conduta reiterada de Javier Tebas evidencia uma falta de neutralidade, respeito e imparcialidade incompatível com as suas responsabilidades institucionais. Os seus ataques constantes ao Real Madrid e àqueles que reivindicam transparência e regeneração constituem, na opinião do nosso clube, um verdadeiro flagelo para o futebol espanhol.

Por tudo isso, o Real Madrid C. F. considera que as manifestações e comportamentos reiterados de Javier Tebas seriam inadmissíveis em qualquer instituição esportiva europeia que se paute por princípios de respeito, neutralidade e integridade, e que o desqualificam institucionalmente para continuar a exercer os cargos que ocupa.

Consequentemente, o Real Madrid C. F. exige a sua renúncia imediata aos cargos de presidente da LaLiga e vice-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol.

O Real Madrid C. F. continuará a defender os seus direitos, o seu prestígio institucional, o completo esclarecimento do caso Negreira e a necessária regeneração do futebol espanhol.