O Paysandu pretende fazer da valorização das categorias de base e do controle financeiro os pilares da montagem do elenco para 2027. Pelo menos é o que afirmou Márcio Tuma, presidente do Paysandu reeleito na última semana para o biênio 2027-2028. Em entrevista exclusiva ao Núcleo de Esportes de O Liberal, o mandatário bicolor disse que quer consolidar um modelo de gestão que alie competitividade esportiva à responsabilidade econômica, especialmente diante das limitações impostas pela recuperação judicial.
A proposta passa por aproximar ainda mais as categorias de base do futebol profissional. O clube pretende manter os investimentos na estrutura de formação, ampliar o suporte aos jovens e buscar um treinador que compartilhe dessa filosofia. Para Tuma, a utilização dos jogadores formados na Curuzu precisa fazer parte do planejamento esportivo, e não ser apenas uma alternativa em momentos de dificuldade.
"Não se trata apenas de investimento financeiro, mas também do olhar que estamos dando à base. Temos um olhar inovador, que vai continuar nos próximos dois anos. Esse apoio é fundamental para os interesses futuros do Paysandu", afirmou.
Treinador novo até segunda
A escolha do novo treinador, inclusive, seguirá critérios que vão além do desempenho dentro de campo. Questionado sobre o assunto, Tuma afirmou que o clube procura um profissional disposto a trabalhar dentro das possibilidades financeiras da instituição e citou o nome de Ignácio Neto, ex-auxiliar técnico do profissional e atual treinador do time sub-20.
"Ignácio é um treinador que merece todo o nosso respeito. Temos profissionais de fora cotados e outras possibilidades daqui. Vamos bater o martelo provavelmente durante o fim de semana e, na próxima semana, fazer o anúncio. Tenho certeza de que a Fiel Bicolor vai gostar muito do resultado. Esse treinador precisa acreditar no projeto de um clube saneado, que está se reestruturando e quer voltar ao cenário da elite do futebol brasileiro. Também precisa acreditar que a transição entre a base e o profissional é algo fundamental", explicou.
Finanças em alerta

A responsabilidade financeira será outro ponto central do planejamento. Em recuperação judicial desde fevereiro de 2026, o Paysandu busca reorganizar suas obrigações e evitar que os investimentos no futebol comprometam o equilíbrio das contas. O dirigente, entretanto, negou que a falta de recursos tenha sido responsável pelas dificuldades enfrentadas na montagem do elenco desta temporada.
Segundo Tuma, houve disponibilidade financeira para buscar reforços em 2026, mas o departamento de futebol encontrou dificuldades para identificar jogadores que correspondessem às expectativas técnicas e às condições econômicas do clube. Ele defendeu que o Papão não repita o histórico de contratações em grande quantidade, sem necessariamente garantir qualidade ao elenco.
"Não faltou investimento, não faltou verba. O orçamento existiu e, inclusive, sobrou, porque o departamento de futebol não identificou atletas que valessem a pena dentro das condições disponíveis. Trazer qualquer jogador também não faz sentido. A ideia é que a gente traga pessoas que realmente venham a funcionar", declarou.
O presidente citou como exemplo as dificuldades para contratar atletas de maior nível para a disputa da Série C. De acordo com ele, algumas negociações esbarraram nas exigências salariais dos jogadores, que poderiam ultrapassar R$ 100 mil mensais. Nesse cenário, a avaliação será feita de maneira conjunta, envolvendo diretoria, executivo, gerente de mercado e treinador.
A reorganização do departamento de futebol também integra o planejamento. Diego Moura, atual vice-presidente, assumirá a diretoria de futebol, enquanto Silvio ficará responsável pela gerência da área. O executivo Ricardo Drubscky permanecerá na estrutura. A intenção é aproximar as decisões administrativas das necessidades técnicas e dar maior integração ao processo de contratações.
Correções de rota

Tuma acredita que a experiência acumulada ao longo de 2026 permitirá corrigir problemas identificados durante a temporada. O dirigente citou, entre os pontos de avaliação, o desempenho da equipe, as dificuldades enfrentadas nos bastidores e a necessidade de aprimorar a escolha dos reforços.
O presidente também afirmou que o clube pretende começar 2027 com um elenco mais preparado, sem depender exclusivamente das janelas de transferências ao longo do calendário. Os campeonatos disputados no início do ano, segundo ele, serão importantes para dar entrosamento à equipe e identificar eventuais carências.
A meta esportiva permanece a mesma: recolocar o Paysandu na Segunda Divisão nacional. Depois de conquistar três títulos em 2026, mas terminar a Série C sem o acesso, Tuma quer que o próximo ciclo seja marcado por maior integração entre planejamento, formação e desempenho.
"Tenho certeza de que a equipe estará mais preparada. Aprendemos muito com os erros. Aconteceu de tudo, tivemos problemas fora de campo e dentro de campo. Essas experiências nos deixam mais fortalecidos para enfrentar os novos desafios", concluiu.
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