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Futebol

Próxima gestão do Paysandu terá desafio de reconstruir clube; entenda

Colunistas de O Liberal avaliam cenário para 2027 e apontam recuperação judicial, formação do elenco e capacidade de investimento como principais obstáculos

Caio Maia

4 de outubro de 2026 às 07:30

( Foto: Igor Mota / O Liberal )

A eleição para a presidência do Paysandu, marcada para novembro, colocará a próxima gestão diante de um cenário de incertezas para o planejamento da temporada 2027. Com o prazo para inscrição de novas chapas terminando no dia 5 de outubro, segunda-feira, o clube ainda não sabe qual será seu ponto de partida esportivo no próximo ano, mas já conhece parte das dificuldades que terá pela frente: recuperação judicial, necessidade de reorganização financeira e a possibilidade de reconstrução do elenco.

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Para os colunistas de O Liberal Carlos Ferreira e Pio Netto, a situação exige atenção principalmente porque as decisões administrativas estarão diretamente ligadas à capacidade do clube de investir no futebol. Caso o Paysandu permaneça na Série C, a tendência apontada por Ferreira é de um cenário ainda mais restritivo, com a necessidade de remontar praticamente toda a equipe.

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Se não subir, Paysandu enfrentará Série C maior e com times tradicionais em 2027 Caso não consiga a classificação, o Paysandu permanecerá na Série C e encontrará uma competição maior, com mais participantes e presença de clubes com histórico relevante no cenário nacional.

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A recuperação judicial acrescenta outra camada ao planejamento. O processo limita a margem de atuação da diretoria e exige que as decisões sejam tomadas dentro das condições estabelecidas para a reorganização das dívidas. Ao mesmo tempo, o clube precisará conciliar os compromissos financeiros com a necessidade de formar um elenco competitivo.

“Porque ele está em recuperação judicial, isso limita muito a gestão e fica sobre rédeas curtas da Justiça, da assembleia dos credores. Tem que haver toda uma adaptação da gestão a essas condições”, explica Carlos Ferreira.

Desfio do elenco

A montagem do time para 2027 aparece como um dos principais problemas no horizonte. O cenário esportivo deste ano também influencia diretamente essa tarefa: uma eventual permanência na Série C pode provocar mudanças profundas no grupo atual, enquanto um acesso à Série B ampliaria as receitas e modificaria a capacidade de investimento.

Carlos avalia que a diferença entre os dois cenários será significativa para o planejamento. Na Série B, além de uma receita maior, o clube passaria a ter maior peso na hora de buscar recursos no mercado. Na Série C, por outro lado, a reconstrução teria de ser feita em condições mais apertadas.

“Se o clube sobe à Série B, ele aumentaria significativamente a receita e o seu peso no mercado para atrair dinheiro. Então, diante disso, a próxima gestão terá que ser cirúrgica em tudo”, afirma o colunista.

Pio Netto também coloca a formação do elenco no centro das preocupações, mas chama atenção para uma questão anterior às contratações: a origem dos recursos que serão utilizados para montar o novo time. Para ele, a situação financeira pode limitar a capacidade de reação da diretoria eleita.

“Seguramente não ficará uma base de jogadores e as contratações serão inevitáveis. Mas contratar com que recursos? A situação me parece preocupante”, analisa Pio.

Herança do primeiro semestre

Paysandu conquistou três títulos no primeiro semestre (Igor Mota / O Liberal)
Paysandu conquistou três títulos no primeiro semestre (Igor Mota / O Liberal)

Apesar das dificuldades, a próxima gestão também receberá experiências recentes que podem servir de referência para os próximos anos. Carlos Ferreira destaca que o Paysandu teve um primeiro semestre de resultados expressivos, mas não conseguiu transformar o bom momento esportivo em estabilidade para o restante da temporada.

“Este ano foi um ano muito difícil para a gestão do clube, mas esportivamente teve pelo menos um primeiro semestre muito glorioso. Se o presidente continuar no cargo, se ele for reeleito, ele tem que aproveitar as lições que ficaram, o aprendizado de quem viu o desafio de gerir o sucesso”, afirma Carlos.

Cotas antes do campo

Diretoria bicolor terá de discutir finanças em 2027 (Jorge Luís Totti/Paysandu)
Diretoria bicolor terá de discutir finanças em 2027 (Jorge Luís Totti/Paysandu)

A recuperação judicial também cria uma preocupação com o futuro dos compromissos financeiros. Pio Netto observa que o Paysandu precisará lidar com obrigações que foram postergadas dentro do processo ao mesmo tempo em que terá de encontrar receitas para a temporada.

“Como honrar compromissos que foram adiados em função da recuperação judicial e ainda contar com receitas para formar um novo elenco, me parece ser a maior dificuldade”, aponta Pio.

Para Ferreira, a combinação desses fatores aumenta a pressão sobre quem assumir o comando do clube. A resposta, segundo ele, precisará aparecer não apenas nos resultados imediatos, mas na capacidade de reorganizar o Paysandu para voltar a crescer de forma sustentável.

“O Paysandu precisa se recolocar nos trilhos para voltar a crescer em todos os aspectos. Não tem margem para erros, ou pelo menos para erros graves. Erros sempre haverá, mas vai ter que iniciar uma mudança de processo”, afirma.