O Paysandu conseguiu uma vitória na Justiça em uma disputa que se arrastava há anos e envolvia um dos principais jogadores revelados pelo clube. A Justiça do Pará rejeitou o pedido de uma empresa que cobrava R$ 8 milhões do Papão por causa de uma possível transferência de Yago Pikachu para o Goiás, em 2014. A decisão, revelada pelo Liberal+ Notícias desta quarta-feira (7), foi assinada pelo juiz Ivan Delaquis Perez e ainda cabe recurso.
A ação foi movida pela BIG Sistemas de Segurança, que afirmou ter investido R$ 700 mil em 2012 para ter participação nos resultados de uma futura transferência de Pikachu. O acordo previa que a empresa teria direito a 70% dos ganhos sobre o atleta.
VEJA MAIS
Na época, Pikachu era uma das principais promessas do Paysandu. Seu contrato tinha uma cláusula de saída de R$ 8 milhões para clubes brasileiros. Em janeiro de 2014, o Goiás demonstrou interesse no jogador e tentou viabilizar a contratação.
Foi aí que começou a disputa. A empresa alegou que o Paysandu teria dificultado a negociação e impedido que os investidores recebessem o valor correspondente à cláusula. Por isso, pediu na Justiça os R$ 8 milhões, além de multas previstas no contrato.
O que a Justiça entendeu
O ponto central da decisão foi simples: para receber os R$ 8 milhões, a empresa precisaria provar que o dinheiro realmente seria pago pelo Goiás e que o comportamento do Paysandu foi o motivo direto para que isso não acontecesse. No entanto, para o juiz, essa prova não apareceu no processo.
A Justiça reconheceu que o Goiás tinha interesse em Pikachu, mas considerou que isso não era suficiente para concluir que o clube pagaria R$ 8 milhões. Naquele momento, o jogador ainda tinha contrato com o Paysandu até novembro de 2015.
Em outras palavras, a decisão fez uma distinção entre “o Goiás queria o jogador” e “o Goiás estava disposto a pagar R$ 8 milhões para contratar o jogador”. Para a Justiça, a segunda situação não ficou comprovada.
O advogado do Paysandu, Mateus Casemiro Araujo, destacou que esse foi um dos pontos centrais reconhecidos pela Justiça:
“A Justiça reconheceu que o interesse de um clube em contratar um atleta não prova que a cláusula de R$ 8 milhões seria paga, e que expectativa de ganho não é prejuízo. Sem dano comprovado e sem nexo causal, não há indenização.”
Na época, inclusive, o Goiás apresentou uma proposta considerada baixa pelo Paysandu. Reportagens publicadas em janeiro de 2014 registraram que o clube goiano buscava a contratação de Pikachu, mas as partes não chegaram a um acordo.
R$ 700 mil não serão devolvidos
Outro ponto importante é que a Justiça determinou que o Paysandu não precisa devolver os R$ 700 mil investidos pela BIG Sistemas inicialmente. A sentença também rejeitou duas multas de 10% previstas no contrato, já que elas estavam relacionadas ao mesmo suposto prejuízo que não foi comprovado.
Pikachu ficou no Paysandu
A disputa de 2014 terminou com Pikachu permanecendo no Paysandu. O jogador continuou no clube até 2015, quando deixou Belém após quatro temporadas, 220 partidas e 62 gols.
Anos depois, o lateral-direito construiu carreira no futebol brasileiro e internacional. Em 2023, quando renovou com o Fortaleza, o Paysandu recebeu cerca de R$ 96 mil pelo mecanismo de solidariedade da Fifa, por ter participado da formação do atleta.
