A temporada de 2026 ainda está no início, mas o Paysandu já vive uma mudança significativa em relação ao cenário recente. Após um 2025 marcado por rebaixamento à Série C, salários atrasados e ações trabalhistas de jogadores, além de um começo de ano com renúncia de presidente e processo de recuperação judicial, o clube iniciou o ano cercado de incertezas.
O contexto de instabilidade gerou desconfiança entre os torcedores, que viam com cautela as perspectivas para a temporada. No entanto, em poucos meses, o cenário passou por uma reviravolta. O Paysandu conquistou o título estadual diante do maior rival, mesmo com orçamento inferior, e avançou à 5ª fase da Copa do Brasil, garantindo receitas importantes. O que era visto como um ano de “terra arrasada” e sem muitas expectativas, ganhou contornos de esperança para a torcida alviceleste.
Planejamento e mudanças explicam reação do Paysandu
Segundo o jornalista e comentarista do Grupo Liberal, Carlos Ferreira, a principal diferença entre as temporadas está na forma como o clube conduziu o início do trabalho.
“O Paysandu deste ano é o extremo oposto do Paysandu do ano passado. Quando estava com fôlego financeiro, fez contratações internacionais e não realizou pré-temporada adequada. O clube começou a trabalhar no dia 4 de janeiro e poucos dias depois já estava em campo. Foi tudo feito de forma equivocada”, avaliou.
De acordo com ele, a limitação financeira em 2026 levou o clube a adotar decisões mais coerentes. “Sem dinheiro, o Paysandu buscou soluções mais ajustadas à sua realidade”, afirmou.

Aposta na base e contratações pontuais fortalecem elenco
Ferreira também destacou o papel da diretoria nas escolhas para a temporada, incluindo a contratação de profissionais e o aproveitamento de jovens atletas.
“O clube foi coerente na contratação do Marcelo Sant’Ana e, a partir dele, acertou nas escolhas do técnico Júnior Rocha e dos jogadores Marcinho, Ítalo e Castro. Além disso, investiu na garotada, o que acabou sendo uma oportunidade criada pelas circunstâncias”, explicou.

Segundo o comentarista, a pré-temporada mais longa e a preparação física adequada contribuíram para o desempenho do elenco.
“O Paysandu fez cerca de 40 dias de preparação. Os jovens vinham de uma boa campanha na Copa do Brasil sub-20 e passaram por um trabalho de fortalecimento físico. Entraram em campo com intensidade e motivação, aproveitando a oportunidade”, disse.
Ele também ressaltou o ambiente interno do clube. “Houve uma grande cumplicidade entre elenco e direção, com compromisso no pagamento em dia e confiança mútua. Isso foi fundamental para os resultados”, falou.
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Desempenho desperta interesse de outros clubes
O bom momento do Paysandu também tem gerado assédio a jogadores e membros da comissão técnica, especialmente após a classificação diante da Portuguesa-SP, pela Copa do Brasil.
“O clube chamou atenção, e agora seus profissionais estão sendo procurados. O preparador físico já saiu, Júnior Rocha tem interesse do Vila Nova-GO, e jogadores como Pedro Henrique e Marcinho recebem sondagens”, afirmou.

Ferreira destacou que a disputa da Série C pode dificultar a permanência desses profissionais. “A vitrine do Paysandu hoje é a Série C, enquanto surgem propostas de equipes da Série B e até do exterior”, completou.
Da desconfiança à esperança na temporada
Apesar dos desafios, o comentarista avalia que o clube já alcançou um resultado significativo ao mudar o ambiente interno e a percepção externa.
“Há uma vitória nisso tudo. O Paysandu saiu de uma condição de descrença para um cenário de empolgação e esperança. Independentemente do que acontecer, o clube tem condições de se recompor e buscar uma boa campanha na Série C e uma participação digna na sequência da Copa do Brasil”, concluiu.
