O Paysandu desperdiçou uma oportunidade importante na luta pelo acesso à Série B ao ser derrotado por 2 a 1, de virada, pelo Amazonas, no último fim de semana. O resultado chama atenção não apenas pelo revés diante do 12º colocado da Série C, agora com 20 pontos, mas principalmente pelo cenário vivido pelo adversário, que atravessa uma das maiores crises de sua história recente.
O Papão, sexto colocado com 23 pontos, deixou escapar pontos diante de um clube que enfrenta graves dificuldades financeiras e estruturais. O contexto foi destacado pelo repórter Rodolfo Sousa, da Rádio Liberal+, que revelou os bastidores enfrentados pelo Amazonas antes da partida.
"O Amazonas está devendo salários há cinco meses. O time foi concentrar no CT do Manauara e faltou energia. Os jogadores foram liberados para suas residências em Manaus. Alguém teve a ideia de pedir para os jogadores voltarem para concentrar na metade da manhã do dia do jogo. Na hora do almoço faltou energia. Os jogadores não almoçaram e foram para casa. Quem quis comer tambaqui comeu, quem não quis comer não comeu e o Paysandu perdeu para o Amazonas", afirmou.
A declaração resume o ambiente caótico vivido pelo clube amazonense nas últimas semanas. Há pouco mais de um mês, o Amazonas liderava a Série C e figurava entre os favoritos ao acesso. Desde então, o time despencou na classificação e passou a conviver com uma grave crise financeira.
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Os atrasos salariais, que chegam a cinco meses, provocaram uma série de ações trabalhistas. Até o momento, seis jogadores recorreram à Justiça para pedir a rescisão indireta dos contratos. Erick Varão e Jorge Jiménez já conseguiram a liberação, enquanto Gabriel Cipriano, Rafael Vitor, Renan e Léo Coelho aguardam decisões judiciais após alegarem atrasos de salários, ausência de depósitos do FGTS e outras obrigações contratuais.
Além da perda de atletas, o Amazonas enfrenta outro problema: o clube acumula seis transfer bans registrados pela Fifa. Três punições impedem a inscrição de novos jogadores até a regularização das pendências financeiras, enquanto outras três bloqueiam registros pelas próximas três janelas de transferências, dificultando ainda mais a reconstrução do elenco.
Mesmo diante desse cenário de instabilidade administrativa, financeira e logística, o Amazonas conseguiu reagir em campo e superar o Paysandu de virada. Para o Papão, o resultado representa uma oportunidade desperdiçada contra um adversário que entrou em campo cercado por incertezas e dificuldades que extrapolavam as quatro linhas.
Agora, a equipe bicolor terá um período para reorganizar a campanha antes do próximo compromisso. O Paysandu volta a campo no dia 10 de agosto, quando recebe o Confiança, na Curuzu, em confronto direto por posições na parte de cima da tabela da Série C.
