Há quem diga que religião e futebol não andam juntos. Mas pela segunda vez em quatro anos o cenário do Paysandu vai unir a festividade do Círio de Nazaré com o campo de jogo. Mais especificamente, a procissão da Trasladação, neste sábado (10), terá papel importante na temporada do clube.
Às 19h, quando a bola parar de rolar no Estádio Augusto Bauer, em Brusque, Santa Catarina, os bicolores vão saber se o ano de 2023 será 100% repetido. Naquela ocasião, quando a Berlinda com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré passava em frente à sede social do clube, na Avenida Nazaré, o Paysandu celebrava o retorno à Série B do Campeonato Brasileiro. Fato este que pode acontecer de novo neste sábado.
E como estamos no final de semana do Círio de Nazaré, pedir ajuda à Nazinha passa a ser quase que uma obrigação de todo torcedor bicolor. José Antônio da Silva, o "Papa do Paysandu", um dos símbolos da Fiel Torcida, contou ao O Liberal como lida com esta mistura de religião com a paixão pelo Paysandu.
"A religião é que a gente tem muita fé. E essa fé passa para o futebol. A pessoa sem fé, não é nada. Eu tiro por mim, que tenho muita fé em Deus e Nossa Senhora de Nazaré. Eu sou católico e peço pelo Paysandu, que esta vitória (contra o Brusque) venha. O Círio é maravilhoso, e com a vitória do Paysandu vai ser o triplo maravilhoso para a torcida do Paysandu, para o estado do Pará", disse em entrevista na última quinta-feira no Aeroporto Internacional de Belém, onde esteve acompanhando o embarque do time para Santa Catarina.
Assim como todo paraense, seja ele ligado ou não futebol, a promessa para Nossa Senhora de Nazaré já está feita pelo Papa do Paysandu. Segundo ele, a ida às procissões deste final de semana - como o Círio Fluvial, Trasladação e a grande procissão do domingo - serão vestindo uma batina especial.
"Eu temo quando falo da Nossa Senhora de Nazaré. Eu sou muito devoto desde quando cheguei (em Belém) da cidade de Cametá. Eu amo Ela (Nossa Senhora de Nazaré), amo o estado do Pará e Belém. Quando chega o Círio de Nazaré, a cidade só cheira a maniçoba. Eu vou (nas procissões) com a batina que eu nunca usei, que me deram no incêndio da minha casa naquele ano (2023)", revelou.
Em setembro de 2023, um incêndio no bairro da Sacramenta, em Belém, atingiu várias casas. Entre elas, a de José Antônio da Silva, o Papa do Paysandu. A situação gerou uma rede de solidariedade em prol das famílias e do torcedor símbolo do Papão.
"Eu ganhei esta batina (no dia do incêndio) e ainda não usei. Vou usar na trasladação, na (romaria) fluvial e esperar (a passagem da imagem peregrina no Círio) na subida da Presidente Vargas. Eu vou sofrer um pouco, já que sou um pouco velho. Mas Ela vai me dar força, coragem, saúde e ainda venho buscar o Paysandu aqui (no Aeroporto)".
Momento especial
Presente em todos os jogos, a relação do Papa com o Paysandu vai muito além das quatro linhas dos Estádios Banpará Curuzu e Mangueirão. Ele lembra que em 2023, quando o clube viveu situação idêntica à deste ano e conseguiu o acesso à segunda divisão, os jogadores o levaram para cima do trio elétrico para ser parte da festa pelas ruas de Belém.
"(É uma coincidência) Como foi naquele ano (2023), que eu subi no trio elétrico com eles (jogadores do Paysandu), agradeço. É a nossa fé. O Paysandu gosta de emoção, de fazer a torcida ficar emocionada, para acreditar, para ter fé. E este ano vai chegar como naquele ano que passou. É nosso de novo", lembrou.
Neste ano, o Paysandu, assim como em 2023, chega na última rodada do quadrangular da Série C precisando vencer e torcer por um resultado no outro jogo da chave para confirmar a vaga na Série B de 2027.
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