A semana do Paysandu promete ser bastante agitada. A perda do acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, no último dia 11 de outubro, fez com que o clube antecipasse o planejamento da próxima temporada. Nesta segunda-feira (19), o presidente Márcio Tuma vai abrir à imprensa o que está sendo pensado pela gestão, que tem ele como candidato à reeleição no pleito de novembro, para 2027.
E os indicativos de mudança geral no clube foram dados nos últimos dias. O primeiro a "rodar" foi o técnico Mazola Junior. A segunda passagem do treinador pela Curuzu durou apenas quatro partidas, com uma vitória, uma derrota e dois empates no quadrangular da Série C.
Havia a expectativa de que Mazola Junior pudesse ter o vínculo prolongado para iniciar o planejamento de 2027. No entanto, isso não foi confirmado e o clube segue ao mercado em busca de um novo treinador.

Mas antes de escolher o comandante, a procura bicolor, ao que tudo indica, é por uma nova gestão no departamento de futebol.
Com orçamento reduzido neste ano por conta dos milhões em dívidas de 2025, Márcio Tuma colocou o clube em recuperação judicial, manobra adotada para congelar as dívidas e evitar uma possível falência. Em meio a isso, a cúpula de futebol, tendo o diretor Alberto Maia e o executivo Marcelo Sant'Ana como lideranças, fez um verdadeiro milagre com as finanças do clube.
Ao todo, 28 jogadores foram contratados durante 2026, sendo 12 na janela de meio do ano. Os "escolhidos", somados ao técnico Junior Rocha, tornaram o Paysandu um time competitivo na temporada. Resultado: tríplice coroa conquistada - Parazão, Copa Norte e Copa Verde - e chegada na última rodada do quadrangular da Série C com chances de acesso à segunda divisão.
Além das conquistas em campo, o Paysandu encerrou 2026 com 49 partidas, 25 vitórias, sete empates e 17 derrotas.
Como e quem fica?
Durante a semana, o Grupo Liberal conversou com exclusividade com Marcelo Sant'Ana sobre a situação no Paysandu. Em poucas palavras, o executivo de futebol contou à reportagem que a definição da permanência ou não saíria até esta segunda-feira (19).
Mas em meio a indefinição, nomes foram surgindo, com procura da diretoria bicolor no mercado para uma - possível - mudança na gestão do departamento.
Na sexta-feira (16), o Grupo Liberal revelou que o acerto salarial travou o retorno de Ari Barros ao Paysandu. Após deixar o CRB em abril deste ano, o profissional segue livre no mercado. A negociação entre ele e a diretoria bicolor até andou, mas a "grana" virou um problema.

Enquanto tenta resolver as pendências do departamento de futebol, o Paysandu se vê em um processo natural de saídas do elenco. Durante a semana, o zagueiro Pedro Carrerette e o meia-atacante Pablo Alcântara puxaram a fila ao anunciarem que não seguem no clube para 2027. A dupla estava por empréstimo de Noroeste e Vitória, respectivamente.
A situação é semelhante à vivida pelo artilheiro do time nesta temporada. Autor de 19 gols em 2026, Ítalo tem a permanência indefinida. Isso porque ele está emprestado pelo Volta Redonda e, neste momento, segundo apuração da reportagem, o Paysandu ainda não sinalizou ao clube carioca a abertura da negociação pela compra do atacante, avaliado em R$ 1 milhão.
Desafios
Neste processo de reformulação, o Paysandu vai precisar ser bastante assertivo. Em mais um ano de Série C, sem cota de transmissão ou por participação na competição, o clube tende a viver um 2027 semelhante a 2026 na questão financeira. O "alívio" será a Copa do Brasil e a bilheteria dos jogos.
No torneio nacional, a equipe volta a entrar na terceira fase por ter sido campeã da Copa Verde. Com isso, garante uma cota de cerca de R$ 950 mil, valor pago neste ano. A título de comparação, a competição deu ao Papão cerca de R$ 4 milhões em 2026 por ter avançado até a quinta fase.
Já os jogos em casa renderam ao clube uma renda bruta de cerca de R$ 5.2 milhões, somando as 13 partidas da Série C do Campeonato Brasileiro em Belém.
Além da organização fora das quatro linhas, dentro de campo o Paysandu vai encontrar uma terceira divisão mais encorpada e com mais jogos. Em 2027, o torneio passa a ter 24 equipes, aumentando a primeira fase para 23 rodadas.
Entre os adversários já confirmados, estão Guarani, Figueirense, Caxias e Brusque, todos remanescentes de 2026. Vindo da Série D, os tradicionais ABC, ASA, Gama e o rival regional Nacional do Amazonas.
Já entre os rebaixados da Série B, até o momento, o indicativo é que América-MG e Ponte Preta serão adversários em 2027. Com eles, mais duas vagas em aberto, tendo o Londrina como quase confirmado e Avaí, Botafogo-SP, Ceará, Náutico e Athletic brigando contra a queda.

