DOM · 25 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

Futebol

Paysandu aposta na base para fortalecer o profissional

Bernardo Benjamin detalha planejamento para 2027, integração entre categorias e formação de atletas com potencial esportivo e financeiro; clube busca aliar competitividade e revelação de talentos

O Liberal

25 de outubro de 2026 às 08:00

( Foto: Ascom Paysandu )

A formação de jogadores para o futebol profissional e a possibilidade de gerar receitas com a revelação de talentos estão entre as prioridades do Paysandu para os próximos anos. Em meio ao planejamento para 2027 e ao cenário financeiro do clube, o trabalho nas categorias de base ganha importância estratégica, tanto para reduzir a necessidade de contratações quanto para ampliar as possibilidades de retorno esportivo e financeiro.

WhatsApp: saiba tudo sobre o Paysandu

Diretor da base bicolor, Bernardo Benjamin afirma que o objetivo é preparar atletas de qualidade para integrar o elenco principal sem abrir mão da competitividade nas categorias inferiores.

“Desde o início do ano, nós temos o planejamento de apresentar ao futebol profissional, no mínimo, cinco atletas em condições de subir”, explica. Segundo ele, o clube já trabalha para que jogadores estejam preparados para participar da pré-temporada de 2027. Na temporada passada, o número de jovens utilizados foi superior ao inicialmente previsto, com participação em competições como o Campeonato Paraense, a Série C e a Copa Verde.

O aproveitamento desses atletas também é visto como uma alternativa para equilibrar as contas. Em um contexto de recuperação judicial, a capacidade de formar jogadores pode representar uma vantagem na montagem do elenco profissional, desde que o critério técnico seja preservado.

“O objetivo não é colocar de qualquer jeito os atletas. É colocar no futebol profissional atletas com qualidade, porque não adianta economizar e não ter o atleta de qualidade”, ressalta Bernardo. Ele destaca que jogadores formados no clube podem reduzir despesas com salários e, ao mesmo tempo, desenvolver potencial de mercado.

“Se a gente conseguir aliar atletas vindo da base, atletas mais baratos, com potencial de venda e gerando essa economia para o clube, eu acho que é fundamental”, acrescenta.

A venda de Pedro Henrique ao Flamengo representa um exemplo dessa possibilidade de retorno financeiro. O acordo girou em torno de R$ 3,04 milhões, com o Paysandu ficando com 7% do percentual para negociações futuras do volante.

O dirigente não descarta novas negociações e afirma que o Paysandu tem outros jogadores capazes de despertar o interesse do mercado nacional. Embora evite divulgar nomes por considerar as tratativas estratégicas, ele cita João Henrique e Kukri, do sub-20, entre os atletas que vêm chamando atenção, além de outros jovens com potencial de valorização.

“Temos muitos outros atletas, inclusive alguns que já estavam no futebol profissional este ano e ainda têm idade de base”, afirma. Para Bernardo, as categorias sub-17 e sub-20 concentram oportunidades importantes de negócio, sem que isso limite o acompanhamento de talentos mais jovens.

Kukri é um dos novos destaques da base bicolor. (Ascom Paysandu)
Kukri é um dos novos destaques da base bicolor. (Ascom Paysandu)

Integração e competitividade

O desempenho das categorias de base também passa pela estrutura de trabalho e pela integração entre profissionais. Bernardo, que está no clube desde janeiro de 2024, atribui a campanha do sub-20 na Copa do Brasil, com a equipe invicta e classificada para as quartas de final, a uma combinação de fatores: apoio da diretoria, melhores condições de trabalho, qualificação das comissões técnicas e captação de atletas de outras regiões.

Outro pilar é a metodologia integrada, aplicada das categorias sub-13 ao sub-20. A proposta também alcança o futebol profissional, aproximando processos e preparando os jovens para a transição.

É nesse contexto que Inácio, auxiliar permanente da equipe principal, também atua como treinador do sub-20. A aproximação, segundo Bernardo, foi planejada para facilitar a adaptação dos atletas ao modelo de trabalho do elenco profissional. A integração inclui ainda análise de dados, avaliação de jogadores, estudo de adversários e acompanhamento do mercado.

“O planejamento do ano que vem está muito bem traçado. Base é longo prazo, a gente pensa muito lá na frente”, afirma o dirigente, que prefere não antecipar mudanças na estrutura para 2027.

VEJA MAIS

STJD não julga denúncias contra Paysandu e Brusque por incidentes na Série C Processo estava previsto na pauta da 5ª Comissão Disciplinar, mas não aparece no documento com os resultados da sessão realizada na quinta-feira (22)

Paysandu encara o Palmeiras nas quartas de final da Copa do Brasil Sub-20 Papão chega à fase entre os oito melhores com 100% de aproveitamento e sem sofrer gols; Verdão também avançou com duas vitórias nas oitavas

Psicologia se consolida como aliada do Paysandu Acompanhamento emocional auxilia atletas a enfrentar a pressão dos resultados, aprender com as derrotas e reagir às adversidades dentro de campo

A formação, porém, não é a única meta. O Paysandu busca construir uma identidade competitiva desde as categorias inferiores, preparando jogadores para lidar com a pressão por resultados que marca a trajetória no futebol profissional.

“Nosso principal objetivo é formar atletas de qualidade para o profissional, mas esses atletas precisam ter uma identidade vitoriosa no futebol de base”, resume Bernardo.

Na avaliação do dirigente, as duas frentes são complementares. Com estrutura adequada, bons profissionais e planejamento, o clube pode desenvolver jogadores preparados para o time principal e, simultaneamente, fortalecer equipes capazes de disputar títulos.