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Pancadaria e ameaça de morte: jogo termina com 53 expulsos e bate recorde

Briga generalizada envolveu jogadores, comissões técnicas, dirigentes e até gandulas. Número supera recorde mundial anterior

O Liberal

4 de novembro de 2026 às 11:38

( Foto: Reprodução )

Uma partida de futebol terminou com um número impressionante de cartões vermelhos: 53 pessoas foram expulsas após uma briga generalizada entre Uberlândia e Mamoré, pela semifinal da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro sub-20. O confronto foi disputado no Parque do Sabiá, em Uberlândia, e terminou com vitória do Mamoré por 3 a 1.

A confusão aconteceu nos acréscimos do segundo tempo e envolveu jogadores, integrantes das comissões técnicas e dirigentes dos dois clubes. Ao todo, foram expulsos 43 atletas, oito membros das comissões técnicas e dois dirigentes. O episódio superou o recorde mundial anterior de cartões vermelhos em uma partida de futebol.

O estopim da briga foi a comemoração do terceiro gol do Mamoré, marcado aos 54 minutos do segundo tempo. Depois de balançar as redes, o jogador Davi fez gestos provocativos em direção ao banco de reservas do Uberlândia e proferiu xingamentos contra o adversário.

Briga generalizada termina com 50 expulsões

Segundo o registro da arbitragem, 50 pessoas receberam cartão vermelho em decorrência da confusão. Foram 24 expulsos do Uberlândia e 29 do Mamoré, considerando o total de jogadores, integrantes das comissões técnicas e dirigentes.

O árbitro descreveu que alguns envolvidos desferiram socos e pontapés contra adversários. Em determinados casos, não foi possível apresentar o cartão vermelho em campo por causa do tumulto.

O episódio também chamou atenção pelo número de expulsões em comparação com outros registros do futebol mundial. Antes da partida em Uberlândia, o recorde pertencia a um confronto entre Atlético Claypole e Victoriano Arenas, pela quinta divisão argentina, em 27 de fevereiro de 2011. Na ocasião, 36 pessoas foram expulsas, segundo o Guinness Book.

Dirigentes ameaçaram árbitro e caso foi parar na polícia

A confusão não ficou restrita aos jogadores. Dois dirigentes do Uberlândia também foram expulsos após ameaçarem e ofenderem o árbitro Fernando Patrick.

Willer Francisco Silva, gerente de futebol profissional, e André Luiz Nascimento, gerente de futebol de base, foram identificados na súmula. As ameaças teriam ocorrido após uma decisão de arbitragem que provocou revolta entre integrantes da direção do clube.

Entre as declarações atribuídas aos dirigentes, o árbitro registrou ameaças como: "Vocês não vão sair daqui hoje, vocês acham que vão conseguir sair da cidade, vamos pegar vocês, vieram aqui pra f... a gente!".

Willer também teria ameaçado agredir o árbitro e afirmou que o encontraria do lado de fora do estádio. Segundo a súmula, ele ainda fez gestos simulando roubo em direção à equipe de arbitragem.

O caso resultou em boletim de ocorrência registrado sob o número 2026-051046625-001.

Partida ficou paralisada por 40 minutos

A súmula também detalha que os problemas começaram antes da briga generalizada. Aos oito minutos do segundo tempo, após a expulsão de um jogador do Uberlândia por uma ação considerada temerária, dirigentes do clube invadiram o gramado e passaram a pressionar a arbitragem.

De acordo com Fernando Patrick, integrantes da direção exigiam a revisão da decisão e se recusavam a permitir o reinício da partida enquanto o cartão vermelho não fosse revertido.

O proprietário do Uberlândia, Fábio Mineiro, também teria ameaçado o árbitro, afirmando que faria o possível para impedir que ele continuasse trabalhando.

A partida ficou interrompida por 40 minutos, até que os dirigentes fossem retirados do campo e a equipe de segurança confirmasse condições para a retomada do confronto.

Gandulas também participaram da confusão

Outro trecho da súmula aponta o envolvimento de seis gandulas na briga. Segundo o árbitro, Carlos Eduardo de Andrade, Lucas Daniel Pereira Turra, Kauan Moraes Maria, João Arthur Alves de Amorim, Matheus Campos de Freitas e Luís Felipe da Silva desferiram socos, pontapés e arremessaram objetos contra jogadores e integrantes da comissão técnica do Mamoré.

O registro também relata que Willer Francisco Silva correu em direção ao local onde estavam os atletas do Mamoré e passou a desferir chutes contra eles.

Depois que os jogadores entraram no vestiário, o dirigente teria arremessado um cooler de água, a bolsa do massagista e outros materiais do Mamoré em uma vala existente no estádio.

A arbitragem também foi informada de que o vestiário utilizado pelo Mamoré teria sido depredado. Segundo a súmula, entretanto, não foi apresentado boletim de ocorrência sobre esse episódio até a elaboração do documento.

Outros três jogadores foram expulsos durante a partida

Além das 50 expulsões relacionadas à confusão generalizada, outros três jogadores receberam cartão vermelho por ocorrências registradas durante o jogo.

  • Luike, do Uberlândia: recebeu o segundo cartão amarelo aos sete minutos do segundo tempo, após cometer uma falta no adversário.
  • João Henrique, do Mamoré: foi expulso aos 22 minutos, após reclamar de uma falta e se dirigir ao árbitro de maneira acintosa.
  • Nelzi Neto, do Uberlândia: recebeu cartão vermelho aos 23 minutos, após atingir o abdômen do goleiro João Henrique com um soco.

Veja a lista dos 53 expulsos

Jogadores

Uberlândia (22): Luike Santos, Neto Cardoso, Santiago Novellino, Pedro Marques, Lucas Caixeta, Pietro Silveira, Alírio Neto, Ítalo Medeiros, Pedro Santos, Micaell Antunes, Vinicyus Silva, Arthur Matias, Francesco Pozzo, Jhonnatan Barbosa, Pedro Souza, Jaaziel Pereira, Arthur Souza, Ítalo Santos, Marcio Guimarães, Paulo Junior, Caio Santos e Luiz Santos.

Mamoré (21): João Vieira, Davi Bittencourt, Pedro Silva, Arthur Bessa, Daniel Souza, João Araujo, Deivison Carrijo, Vitor França, Luiz Carnaúba, Fabio Camara, Arthur Esmélia, Rafael Silva, Kauã Moreira, Arídio Neto, Matheus Lima, Vitor Gonçalves, Augusto Nunes, Natan Pereira, Ronald Marinho, Kaiki Santos e Gustavo Dias.

Comissões técnicas

Uberlândia: Paulo Sérgio (preparador de goleiros), Brian Oliveira (fisioterapeuta), Marcelo Ferreira (técnico) e Gabriell Vieira (preparador físico).

Mamoré: Vinicius Chaves (preparador de goleiros), Francisco Domingues (auxiliar técnico), Gabriel Castro (massagista) e Quintino Filho (técnico).

Dirigentes

Uberlândia: Willer Silva (gerente de futebol profissional) e André Nascimento (gerente de futebol de base).