Falta pouco mais de um mês para a 41ª edição da Corrida do Círio. Nos dias 18 e 19 de outubro, milhares de corredores voltarão às ruas de Belém para participar de uma das principais tradições esportivas da cidade. Antes da largada, porém, vale voltar no tempo e conhecer algumas das histórias que ajudaram a transformar a prova em um dos maiores eventos de corrida de rua do Norte do Brasil.
O primeiro campeão
A história começou em 1982, quando Manoel José Vasconcelos se tornou o primeiro campeão da Corrida do Círio. Natural de Belém, ele tinha 67 anos quando conquistou o título.
Décadas depois, Manoel ainda considera um privilégio ter seu nome ligado ao início da competição.
“Para mim é um privilégio, pois nós que treinamos para sempre estar no pessoal da elite, isso é bom porque incentiva os demais atletas a participarem também”, afirmou.
O segundo vencedor foi Abelardo Neves, hoje com 77 anos. O antigo corredor seguiu ligado ao esporte e atualmente trabalha como profissional de Educação Física e técnico de atletismo e corrida.
Ao lembrar os tempos de competição, Abelardo admite que sente saudade, mas também orgulho do caminho percorrido.
“Dá saudade, dá vontade de você voltar a treinar, voltar a competir, mas tudo é uma fase em nossa vida”, conta.
A pioneira
A primeira mulher a vencer a Corrida do Círio também entrou para a história logo nos primeiros anos da competição. Irinea Oliveira foi reconhecida pelo feito e, mais de quatro décadas depois, ainda se emociona ao falar da conquista.
“Eu me sinto muito feliz, muito grata”, resume.
Sua história representa uma transformação que acompanhou a própria Corrida do Círio, que deixou de ser uma competição para poucos e passou a reunir milhares de participantes.
Presença garantida
Entre tantos corredores que passaram pela prova, poucos têm uma história tão particular quanto Vitor Souza. Aos 84 anos, ele participou de todas as edições da Corrida do Círio.
Torcedor da Tuna Luso, Vitor também ficou conhecido por outro detalhe: durante décadas, correu descalço. A escolha era consequência de uma promessa feita a Nossa Senhora de Nazaré. “Eu iria participar de toda corrida dela e, principalmente, descalço”, conta.
De onde surgiu a ideia
Se os corredores construíram boa parte da história da prova, seus criadores também guardam episódios curiosos. Carlindo Lins, um dos responsáveis pela criação da Corrida do Círio, lembra que a primeira edição reuniu 786 inscritos.
O número impressionou porque, naquela época, corridas no Pará costumavam reunir cerca de 40 participantes. Quando chegavam a 50, já era motivo de festa.
A primeira largada também foi inusitada. A organização havia combinado com a Polícia Militar o uso de uma arma com bala de festim, mas o equipamento não apareceu.
Carlindo então recorreu a Conrado, outro dos criadores da prova, que tinha um terreno próximo ao local. O vigia emprestou seu revólver.
O padre Brambilla, então pároco da Basílica de Nazaré, seria o responsável pela largada. Carlindo segurou a mão do sacerdote e deu o tiro. Só havia um problema: a bala era verdadeira. Depois, ainda precisou correr para devolver a arma ao vigia.
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