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Acidente mudou a vida de paraense, que hoje representa o Brasil no vôlei sentado

Paulo Cavalcanti transformou a superação em motivação e sonha com um pódio paralímpico

Fábio Will

19 de julho de 2026 às 08:00

( Foto: Arquivo pessoal )

A vida de Paulo Cavalcanti mudou completamente. O paraense sofreu um grave acidente de moto enquanto trabalhava no interior do Pará, perdeu a perna esquerda e precisou reconstruir a própria história. Hoje, ele integra a Seleção Brasileira de vôlei sentado e a Seleção Brasileira Militar de vôlei sentado, tornando-se o único atleta da Região Norte a defender o Brasil nas duas equipes.

Além das convocações, Paulo também foi o único atleta do Norte indicado pela Seleção Brasileira Militar de vôlei sentado para receber a Medalha Mérito Desportivo Militar, reconhecimento pelo desempenho na modalidade e relembrou momentos difíceis e suas conquistas.

"Trabalhava de moto quando um caminhão de lixo entrou transversalmente na minha frente e acabei colidindo com ele, que de imediato decepou minha perna esquerda", relembra.

Fé e força para recomeçar no vôlei sentado

Mesmo diante da gravidade do acidente, Paulo afirma que encontrou forças para seguir em frente.

"Deus blindou minha cabeça. Vi minha perna passando por cima de mim no dia do acidente. Através da fé, Deus blindou meu psicológico", afirma.

O retorno ao esporte aconteceu pouco tempo depois. Amigos que já conheciam sua trajetória no vôlei convencional apresentaram sua história ao técnico Cleberson Menezes, pioneiro do vôlei sentado no Pará.

"Ao saberem do acidente que sofri, amigos falaram de mim para o meu finado professor e técnico Cleberson Menezes. Assim que ele soube, entrou em contato comigo e me convidou para um treino. Gostei e comecei a treinar o vôlei sentado com ele. Já em dezembro de 2019 fui para o meu primeiro Campeonato Brasileiro de vôlei sentado, em São Paulo", conta.

Paulo em competição representando o Barsil (Arquivo pessoal)
Paulo em competição representando o Barsil (Arquivo pessoal)

Convocação para a Seleção Brasileira

A evolução nas competições nacionais abriu caminho para um novo desafio. Em 2022, Paulo recebeu a primeira convocação para defender a Seleção Brasileira de vôlei sentado.

"Cheguei graças ao incentivo e treinamento do meu finado técnico Cleberson Menezes. A visibilidade que tive nos campeonatos brasileiros fez com que, em 2022, viesse minha primeira convocação para integrar a Seleção Brasileira de vôlei sentado. Até hoje participo de fases de treinamento e competições. Pelo fato de ser militar, também fui convocado para integrar a Seleção Brasileira Militar de vôlei sentado", destaca.

Paulo Cavalcanti, atleta de vôlei sentado
Paulo Cavalcanti antes da sua primeira convocação (Ivan Duarte/O Liberal)

Rotina de treinos e sonho paralímpico

Para manter o alto nível de desempenho, Paulo concilia a preparação física com treinos organizados por iniciativa própria. Segundo ele, a rotina inclui: musculação em academia; treinos de vôlei sentado três vezes por semana; participação de amigos do vôlei convencional, que se sentam na quadra para ajudá-lo durante os treinamentos.

"Hoje em dia faço musculação na academia e os treinos de vôlei sentado são por conta própria. Convidei amigos do vôlei convencional para me ajudarem. Eles sentam na quadra para treinarmos juntos", explica.

O principal objetivo agora é representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos.

"Meu maior objetivo, se Deus me permitir, é defender a Seleção Brasileira de vôlei sentado em uma Paralimpíada e conquistar um lugar no pódio", disse.

Equipe campeã do Sul-Americano (Arquivo pessoal)
Equipe campeã do Sul-Americano (Arquivo pessoal)

Título sul-americano em 2026

A trajetória ganhou mais um capítulo no início deste mês de julho. Representando a Seleção Brasileira de vôlei sentado, Paulo participou dos Jogos Para-Sul-Americanos, disputados em Valledupar, na Colômbia. Na competição, a equipe masculina conquistou a medalha de ouro, alcançando o lugar mais alto do pódio.