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inaceitável

Jogador de 20 anos sofre racismo ao pedir licença para cobrar lateral

Atleta foi chamado de 'negro rajado' durante jogo e desabafou sobre a humilhação sofrida

O Liberal

4 de novembro de 2026 às 08:30

Após a violência, o jogador Kaique Ramos precisou ser acalmado para continuar a partida

Após a violência, o jogador Kaique Ramos precisou ser acalmado para continuar a partida ( Foto: Reprodução )

Um ato de racismo marcou uma partida de futebol de várzea no último domingo (1º), no Povoado Cachimbo, área quilombola na zona rural de Posse, no nordeste de Goiás. O jogador Kaique Ramos, de 20 anos, foi alvo de ofensas durante o jogo, sendo chamado de "negro rajado" e "seu negro" por outro indivíduo.

A agressão verbal ocorreu quando Kaique Ramos pediu licença para cobrar um arremesso lateral. Em resposta, o autor das ofensas teria dito: "Não, eu não vou dar licença para você, seu negro".

O desabafo e a dor do atleta

Após o incidente, o atleta expressou a dor que sentiu. "Eu parei no meio do campo e comecei a chorar muito, perdi minhas forças e fiquei ali chorando. Ele já tinha falado com meus parentes, mas a gente relevou. Aí ele falou comigo e eu não vou aceitar isso", relatou Kaique à TV Anhanguera. O jogador contou que as palavras o atingiram profundamente, impedindo-o de continuar a partida.

"Aquilo me atingiu muito, dali para frente, eu não consegui jogar mais, só pensava naquilo! [...] Em nenhum momento eu desrespeitei ele, só pedi licença", afirmou.

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Kaique Ramos em prantos, deitado no chão, enquanto era consolado por membros da comissão técnica e policiais militares que chegaram ao local.

Segundo o jovem, a pessoa que teria cometido o ato de racismo já havia deixado o local quando a Polícia Militar chegou. A corporação informou ao g1 que o jogador estava muito nervoso, desesperado e chorando, precisando ser acalmado para continuar a partida.

"Me senti humilhado, à noite não consegui dormir. Minha vida não é a mesma depois que aconteceu isso, dá vontade de desistir de tudo", desabafou o atleta.

Ele enfatizou a importância de buscar justiça. "Meu sentimento é de fazer Justiça e fazer ele pagar pelo que falou. Quando você sofrer racismo, não deixe barato. Denuncie!", declarou.

Investigação e posicionamento da organização

O caso foi registrado na delegacia no dia seguinte ao ocorrido e está sendo investigado pela Polícia Civil como racismo.

Em nota, a organização do campeonato se solidarizou com o atleta e afirmou que não compactua com qualquer ato de racismo. O comunicado completo diz:

"A organização do 13º campeonato do povoado cachimbo vem por meio dessa nota se solidarizar com o atleta da equipe do Bacopari Mirim e dizer que não compactua com qualquer ato racista. O atleta tem o direito de procurar os órgãos competentes para fazer a denúncia e o infrator responder pelos seus atos.

Não ao racismo. Somos todos iguais, não é a cor da pele que nos diferencia. Força ao atleta, que se sinta abraçado pela organização".

Devido ao fato de o nome do suposto autor das ofensas não ter sido divulgado, o g1 não conseguiu entrar em contato para solicitar um posicionamento sobre o ocorrido.

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