Governo vai reunir clubes após 'revolta' por proibição das bets

Encontro deve avaliar prejuízos com patrocínios e possíveis medidas para reduzir impacto da proibição das apostas no futebol

Hannah Franco
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O governo federal deve se reunir na próxima semana com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da medida provisória que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e jogos on-line no Brasil. A intenção é ouvir os dirigentes e levantar quanto a decisão pode representar de perda de receita para as equipes.

A reunião deve contar com uma comissão formada por representantes dos clubes. Neste primeiro momento, o governo pretende fazer um diagnóstico dos efeitos da medida sobre o futebol antes de definir quais alternativas poderão ser adotadas para amenizar os impactos financeiros.

A discussão ganhou força após casas de apostas comunicarem a clubes patrocinados sobre a possibilidade de encerramento ou revisão de contratos diante da mudança nas regras. Antes mesmo da publicação da MP, clubes e entidades esportivas já haviam se manifestado pela manutenção do mercado regulamentado.

Bets têm peso nos patrocínios dos clubes

O fim dos contratos pode representar uma perda significativa para as equipes que passaram a ter as empresas de apostas entre as principais fontes de patrocínio nos últimos anos.

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Segundo levantamento da Sports Value, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país em 2025. O valor correspondeu a cerca de 36% das receitas de marketing desses times.

Em algumas equipes, a dependência dos contratos com empresas do setor foi ainda maior. No São Paulo, por exemplo, as bets representaram 73% da receita obtida com patrocínios no período.

Entre os clubes que podem ser afetados está o Flamengo. A equipe recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e já afirmou não ter um plano alternativo para substituir imediatamente esse valor no orçamento.

O Fluminense também foi comunicado pela Superbet sobre a possibilidade de rompimento do contrato. O vínculo entre as partes prevê pagamentos de R$ 58 milhões por ano até 2029.

Governo ainda não definiu ajuda aos clubes

O governo ainda não estabeleceu qual tipo de medida poderá ser oferecida aos clubes. A discussão deve começar justamente pelo levantamento do impacto da proibição sobre as receitas das equipes e pela identificação dos contratos que podem ser encerrados.

A possibilidade de medidas de apoio aos clubes já vinha sendo discutida dentro do governo diante da dependência financeira criada pelos patrocínios das bets. O encontro com os dirigentes deverá servir para detalhar a situação e avaliar alternativas.

A proibição anunciada pelo governo passou a valer com a publicação da medida provisória. A partir dela, as plataformas ficaram impedidas de receber novos depósitos e apostas. Os sites e aplicativos permanecerão disponíveis apenas para que os usuários retirem os valores que ainda possuem nas contas.

Quando as bets deixam de funcionar no Brasil?

Pelas regras estabelecidas na MP, os apostadores terão até 23h59 de 5 de outubro para realizar voluntariamente o resgate dos valores disponíveis. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos das plataformas deverão sair do ar.

Os valores que permanecerem nas plataformas serão posteriormente identificados e devolvidos aos apostadores por meio das instituições financeiras. A Caixa Econômica Federal poderá intermediar os pagamentos em casos de impedimento.

A medida também prevê ações de fiscalização contra plataformas que continuarem operando de forma ilegal, incluindo o bloqueio de sites e de contas utilizadas para movimentações relacionadas às apostas.

A decisão representa uma mudança em relação ao modelo regulamentado pelo governo nos últimos anos. Agora, além da MP que determina o encerramento das operações, o Executivo pretende encaminhar ao Congresso um projeto de lei com regras para criminalizar a exploração de apostas on-line.

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