Esmac e Pinheirense iniciam a caminhada no Campeonato Brasileiro Feminino A2. A Esmac joga neste domingo, às 15 horas, no Ceju, contra o São Valério, time do Tocantins. Já o Pinheirense joga na quarta-feira (3), às 15 horas, no Ceju. A partida será contra o Atlético Acreano.
No Campeonato Brasileiro Feminino A2 participam 36 clubes. A Esmac está na grupo 1. O time tricampeão paraense faz parte do grupo ao lado do São Valério-TO, Ceará- CE, Oratório- AP, Santa Quitéria - MA e Tiradentes -PI, com três jogos em casa e dois fora. O Pinheirense está no grupo 2 com Atlético - AC, São Raimundo- RR, 3B Sports- AM, Operário - MT e Porto Velho - RO.
A participação de dois times paraenses na competição nacional é importante, mas ainda há muito a se fazer pelo futebol feminino no estado. Falta de estrutura, falta de patrocínio e de apoio são alguns entraves para o desenvolvimento do futebol feminino aqui no Pará. Recentemente, o Paysandu criou uma diretoria de futebol feminino. Mas os representantes do Pará no Brasileirão Feminino A2, Pinheirense e Esmac, ainda lutam para conseguir a visibilidade e meios para sustentar suas atletas. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) dá uma ajuda de custo, mas o valor pago não chega nem perto do que é disponibilizado para o futebol masculino. Para se ter ideia, os times que disputam o Campeonato Brasileiro Feminino A2 recebem passagens rodoviárias ou áreas e ajuda de custo de R$ 5 mil, se for visitante, e R$ 10 mil se for mandante.

"O desafio aqui em nosso estado é imenso.Falta muita coisa ainda, principalmente investimentos e estrutura. Se nos clubes não existirem pessoas que amem essa modalidade, que possam trabalhar em prol dela sem receber nada em troca, com certeza não avança. A maioria dos clubes femininos aqui no Pará estão de pé porque tem abnegados e apaixonados pela modalidade, que fazem coisas além de suas possibilidades para mantê-los em atividade e competitivos. Falo isso no contexto geral", afirma o técnico da Esmac, Mercy Nunes.
Mercy explica que a Esmac consegue ajudar as atletas por meio de bolsas de estudos. "A Esmac é um clube universitário, único clube do Norte do país a dar bolsa de estudo, no ensino fundamental, médio e superior, para todas suas atletas. Todas só jogam aqui se aceitarem a bolsa de estudo, que é tipo o salário das atletas. Aqui elas ganham educação e formação superior", comenta.
O Pinheirense teve algumas dificuldades para contratar as atletas. Em 2018, o time disputou a "Série A" do Campeonato Brasileiro Feminino. Mas o time acabou caindo por falta de investimento e recursos para competir com grandes clubes do país. "Investimento e patrocínio para o futebol feminino ainda são cenários insignificantes. Até 2017 ainda tínhamos o apoio da SporTV. Que era de grande incentivo para as meninas. O único investimento que temos é da CBF. Que ajuda com despesas no Campeonato Brasileiro para que possamos levar nossas meninas a realizar as partidas. A competição abriu oportunidade para elas quando obrigou os clubes da 1ª Divisão do Campeonato Brasileiro Masculino a terem o time feminino. Porque podem ser vista por outro clube. Mas ainda há muita dificuldade e falta de apoio para o futebol feminino", afirma coordenadora de futebol do General da Vila, Izabel Luna.
Preparação das equipes
A Esmac está se preparando para a competição nacional desde 15 de janeiro. O objetivo inicial é chegar à semifinal. Os treinos ocorrem 4 dias por semana e em locais distintos. "No Ceju, no campo do SESI e no campo Fazendeira. Cada dia em um campo, um grande complicador. Para essa temporada nós mantivemos a equipe tricampeão do paraense de 2018. Temos uma equipe campeã, experiente, entrosada e motivada. Todas suportaram e venceram muitas coisas para essa estreia de domingo. Chegou a hora de colocar tudo em campo. Temos tudo para iniciar bem e terminar melhor ainda. O grande objetivo é chegar entre as quatro equipes que vão disputar a semifinal e ter a vaga para a Série A1", afirma o técnico Mercy Nunes.
Já o Pinheirense treina todos os dias, se dividindo entre o estádio Abelardo Conduru, em Icoaraci e o Ceju. " Treinamos todos os dias com campo pesado ou não, com sol ou com chuva, para que possamos chegar em nosso objetivo. Atlético é uma equipe que vem trabalhando forte. Equipe que deve ser respeitada e levada a sério. Estamos nos preparando o máximo quem sabe já sair com a 1ª vitória sobre o Atlético", conta Izabel Luna.
