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FUTEBOL

Fé e solidariedade: torcidas do Remo e do Paysandu acolhem romeiros do Círio

Barra Camisa 33 e Banda Alma Celeste promovem ações de apoio aos devotos com distribuição de alimentos, bebidas e assistência a quem caminha até Belém para cumprir promessas

Fábio Will

9 de outubro de 2026 às 12:12

( Foto: Divulgação Camisa 33 e Banda Alma Celeste )

O amor pelo futebol dá lugar à solidariedade durante uma das maiores manifestações de fé do Brasil. Nesta sexta-feira (9), dia de passagem de milhares de romeiros por Belém, as torcidas Banda Alma Celeste, do Paysandu, e Barra Camisa 33, do Remo, mobilizam integrantes para acolher os devotos de Nossa Senhora de Nazaré que chegam à capital paraense após longas caminhadas. Com pontos de apoio próximos aos estádios dos dois clubes, as iniciativas oferecem alimentos, bebidas, cuidados básicos e palavras de incentivo a quem segue em direção à Basílica Santuário.

Mais do que uma demonstração de devoção, as ações também buscam reforçar o papel social das torcidas, tradicionalmente associadas ao futebol, mas que encontram no Círio uma oportunidade de exercitar a empatia e o cuidado com o próximo.

BAC

A Banda Alma Celeste realiza o trabalho há mais de uma década. Segundo Isadora Carvalho, estudante de 30 anos e integrante da coordenação da iniciativa, a mobilização começou de maneira simples, com a distribuição de água e frutas obtidas por meio de doações na Central de Abastecimento do Pará (Ceasa). Com o passar dos anos, a ação ganhou novas proporções e passou a reunir diferentes formas de assistência aos peregrinos.

Em 2026, aproximadamente 15 pessoas participam da organização, divididas entre os turnos da manhã, tarde e noite. O ponto de acolhimento fica em frente à Curuzu, estádio do Paysandu. Além de água, frutas e sucos, a torcida recebe doações de alimentos e outros materiais. Integrantes da área da saúde também se disponibilizam a realizar curativos, massagens e atendimentos conforme a necessidade dos romeiros.

“O que nos une e nos movimenta é muito além do futebol”, destaca Isadora, ao explicar a importância da iniciativa para aproximar a torcida da comunidade e ajudar a desconstruir estigmas relacionados às torcidas”, disse.

Parte da equipe da Alma Celeste em ações passadas (Divulgação / Banda Alma Celeste)
Parte da equipe da Alma Celeste em ações passadas (Divulgação / Banda Alma Celeste)

A experiência também é marcada por histórias que permanecem na memória dos voluntários. Isadora recorda que, em 2023, quando o Paysandu disputava uma partida decisiva pela vaga na Série B, uma romeira bicolor passou pelo ponto de apoio e demonstrou confiança no acesso do clube.

“Ela nos olhou empolgada, disse ‘VAMOS SUBIR’ e entregou uma fitinha azul-celeste. Naquele ano, subimos”, relembra.

Para a coordenadora, episódios como esse mostram como a fé, a emoção e o futebol podem se encontrar durante o período nazareno. Mesmo sem ser católica, ela considera gratificante participar de uma mobilização que reúne pessoas com diferentes crenças em torno de um objetivo comum, que é servir ao próximo.

CAMISA 33

Do outro lado da Avenida Almirante Barroso, a Barra Camisa 33 também transforma a região do Baenão em espaço de acolhimento. A empresária Yéssica Pena, de 30 anos, que integra a coordenação da ação, conta que a iniciativa começou por volta de 2014, quando membros da torcida se reuniram para receber os peregrinos que passavam em frente ao estádio do Remo. Desde então, a atividade tornou-se uma tradição no calendário anual do grupo.

Neste ano, mais de 80 pessoas estão envolvidas na organização. O ponto de apoio fica na esquina da Avenida Antônio Baena com a Avenida Almirante Barroso, onde os romeiros recebem lanches, bebidas, doces, massagens e auxílio básico para recuperar as energias antes de continuar o percurso. A torcida também arrecada doações de café, pães, mingaus, bebidas e materiais de primeiros socorros, além de contribuições financeiras via Pix.

Parte da equipe da Camisa 33 em ações passadas  (Divulgação / Barra Camisa 33)
Parte da equipe da Camisa 33 em ações passadas  (Divulgação / Barra Camisa 33)

Yéssica ressalta que a iniciativa representa uma das principais ações sociais da torcida e demonstra que o compromisso de seus integrantes ultrapassa os limites dos estádios.

“O papel da torcida vai muito além das arquibancadas: também envolve solidariedade, cuidado e compromisso com as pessoas”, afirma.

A empresária destaca ainda que a fé dos romeiros é o aspecto que mais chama a atenção durante a acolhida. Ao observar o cansaço de quem percorre quilômetros para cumprir promessas, os voluntários encontram motivação para continuar o trabalho. Para ela, participar da iniciativa é uma forma de unir a paixão pelo Remo ao sentimento de gratidão e à disposição de ajudar quem precisa.