A pandemia da covid-19 afeta o Brasil de uma forma absurda e vários estados implementaram medidas rígidas para combater o alastramento de novos casos e isso atinge também o futebol, já que muitos campeonatos foram paralisados. Por outro lado, alguns atletas são contra a paralisação, um deles é o goleiro Marcão Milanezi, ex-Paysandu, que relatou o desespero de amigos de profissão por conta do interrompimento.
LEIA MAIS
Marcão passou pelo Paysandu de 2015 a 2018, conquistou dois títulos do Parazão e também da Copa Verde, mas hoje defende a camisa do Sergipe-SE, equipe que foi eliminada pelo Cuiabá-MT, na primeira fase da Copa do Brasil, após empate em 0 a 0. O goleiro foi o destaque da partida com grandes defesas e também fora dela, com uma entrevista forte ao canal SporTV.
ASSISTA
O Camisa 1 falou da situação de atletas de clubes menores e que parar o futebol, que existe um protocolo, é difícil para todos, desde quem entra em campo, como funcionários e familiares.
“É muito delicado falar em paralisação do futebol, pois quem tem um salário alto e está na Série A e B, recebe em dia, é muito fácil falar em parar o campeonato. Nós que jogamos a Série D, alguns jogadores e famílias passaram fome no ano passado, se não fosse a ajuda de outras pessoas”, disse.
Marcão lamenta as mortes por conta da covid-19, sabe que o tema é complicado, mas lamentou a paralisação
“Sei que é uma situação delicada no país pelas mortes que estão ocorrendo pela pandemia, torcemos que essa vacina chegue logo, que possam liberar os torcedores no estádio, mas não concordo com as paralisações dos campeonatos. Existem muitos jogadores de clubes pequenos que precisam muito e não são só jogadores, outras pessoas envolvidas no futebol, que são os funcionários do clube, como roupeiro, massagistas, que ganham pouco e precisam do futebol”, comentou.
Fome, desespero, uns com tão pouco e outros com recebendo em dia e bem. Marcão relatou essa disparidade e que a situação precisa ser repensada.
“Ano passado passamos por uma situação de quatro meses sem receber salários, quem está em clube grande ganha R$100, R$150 mil e consegue se manter tranquilo, mas e nós que ganhamos aqui um pouco mais de um salário mínimo? A gente sofre muito. Só torcemos e oramos para que isso acabe logo, pois esse tipo de opinião é delicada, uns defendem outros não, mas só quem está vivendo a situação, sabe o sofrimento”, finalizou.
A CBF, instituição que comanda o futebol brasileiro, segue com a Copa do Brasil, competição nacional e gerida por ela, porém os estaduais em vários estados estão paralisados.
