O coronel Antônio Carlos Nunes de Lima morreu na madrugada deste domingo (13), aos 87 anos. Mais conhecido como Coronel Nunes, ele foi militar, político e dirigente esportivo e construiu uma trajetória ligada ao futebol e à vida pública, especialmente no Pará. Nunes assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e comandou a entidade entre 2017 e 2019.
Em 2018, Coronel Nunes se envolveu em uma polêmica durante a votação que definiu a sede da Copa do Mundo de 2026. O Brasil fazia parte de um acordo articulado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para que os dez países do continente apoiassem a candidatura formada por Estados Unidos, México e Canadá.
O apoio havia sido formalizado pela Conmebol em 13 de abril daquele ano, após uma reunião do Conselho da entidade, em Buenos Aires, na Argentina. O acordo foi ratificado posteriormente em encontros realizados em Assunção, no Paraguai, e Moscou, na Rússia. Nunes, que fazia parte do Conselho, esteve presente nas reuniões.
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A votação ocorreu por meio eletrônico, durante o Congresso da Fifa em Moscou. As opções eram a candidatura da América do Norte, Marrocos ou "Nenhum deles". Minutos antes, Nunes foi lembrado pela cúpula da CBF de que deveria votar nos Estados Unidos, México e Canadá. O pedido foi ignorado.
Nunes acreditava que o voto seria secreto, mas a Fifa havia definido que as escolhas seriam divulgadas. Questionado por jornalistas, ele inicialmente afirmou: "o voto é secreto". Depois, admitiu a preferência pelo Marrocos.
"Estados Unidos e México já fizeram Copa, não é? Seria bom se fosse Marrocos", declarou o Coronel Nunes.
Decisão gerou reação entre dirigentes
Na Conmebol, a decisão foi entendida como uma quebra do acordo firmado entre os países sul-americanos. Em troca do apoio à candidatura da América do Norte para 2026, a confederação esperava contar com os votos dos países do Norte na disputa pela sede da Copa de 2030, que teria uma candidatura formada por Argentina, Paraguai e Uruguai. Dirigentes brasileiros e sul-americanos evitaram comentar publicamente o episódio. Nos bastidores, porém, o Brasil passou a ser alvo de críticas e até de piadas entre cartolas.
A decisão também causou desconforto entre os dirigentes da América do Norte, que esperavam o voto brasileiro. Na cúpula da Fifa, a escolha de Nunes foi recebida com perplexidade. Já os marroquinos interpretaram o voto como uma demonstração de apoio à candidatura do país.
Nunes apresentou justificativa para voto no Marrocos
A falta de uma explicação considerada convincente alimentou especulações sobre os motivos da decisão. Entre as hipóteses levantadas estavam uma possível retaliação porque Estados Unidos e México não haviam aceitado disputar a Copa América de 2019 no Brasil e uma suposta vingança contra os Estados Unidos, país que havia encerrado a carreira de Marco Polo Del Nero.
Nunes, porém, sustentou que votou no Marrocos porque o país nunca havia sediado uma Copa do Mundo. Ele chegou a citar o resultado final para minimizar o impacto de sua escolha. A candidatura de Estados Unidos, México e Canadá venceu por 134 votos a 65.
Como Nunes chegou à presidência da CBF
Nunes foi eleito vice-presidente da CBF em 16 de dezembro de 2015, quando Marco Polo Del Nero precisou se licenciar para se defender de acusações nos Estados Unidos. A eleição permitiu que Nunes assumisse a presidência da entidade posteriormente.
Del Nero acabou banido do futebol, enquanto Nunes permaneceu no comando da CBF até abril de 2019. Em 2018, a entidade havia eleito Rogério Caboclo para a presidência, mas o mandato só começaria em abril de 2019.
Até lá, Nunes continuava com os poderes de presidente da CBF. Naquele período, chegou a declarar sobre a seleção brasileira: "Eu disse ao presidente da Fifa [Gianni Infantino] preparar a taça para o Brasil. Eu quero levantar a taça".

