O caso envolvendo a participação de mulheres trans no vôlei brasileiro ganhou um novo capítulo. Uma petição criada após a mudança nas regras da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) pede que o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e outras entidades discutam a presença dessas atletas nas competições nacionais.
A mobilização é liderada pela Angels Volley, projeto voltado ao esporte LGBTQIA+ que também atua com mulheres trans e travestis. O documento foi elaborado após a CBV anunciar uma nova política de elegibilidade para torneios femininos, com critérios relacionados ao sexo biológico.
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Entre as atletas afetadas pela mudança está Tifanny Abreu, do Osasco. A jogadora está autorizada a disputar o Campeonato Paulista Feminino, mas, pelas regras atualmente adotadas pela CBV, não poderá participar da Superliga Feminina 2026/27, da Supercopa e da Copa Brasil.
A Federação Paulista de Vôlei (FPV) decidiu manter as regras que estavam em vigor quando o Campeonato Paulista começou, em 13 de agosto. Por isso, Tifanny poderá atuar normalmente pelo Osasco no Estadual.
A entidade informou que eventuais mudanças nas regras da competição serão avaliadas posteriormente pelos setores jurídico e de saúde.
O que diz a petição?
O documento afirma que a nova política da CBV pode afetar atletas que já construíram suas carreiras no voleibol feminino brasileiro. Os autores defendem que o assunto seja debatido pelo Congresso, pelo STF e por outras instituições antes da aplicação das novas regras.
A petição também pede que o debate considere aspectos científicos, jurídicos e relacionados à segurança das atletas. Tifanny é citada como um dos principais exemplos dos impactos que a mudança pode provocar na carreira de mulheres trans no esporte.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL) foi uma das figuras políticas convidadas a apoiar a mobilização.
A CBV anunciou em agosto uma nova política de elegibilidade para as competições femininas. A medida estabelece critérios relacionados ao sexo biológico e prevê uma triagem genética para verificar o gene SRY.
Com a nova regra, mulheres trans ficam impedidas de participar das principais competições nacionais organizadas pela entidade. No caso de Tifanny, a decisão pode interromper uma sequência de aproximadamente nove temporadas disputadas na Superliga.
O Osasco afirmou ter sido surpreendido pela mudança e acionou o departamento jurídico. O clube também declarou apoio à atleta, que faz parte do elenco desde 2021.
Petição pede revisão das regras
A mobilização defende que a participação de mulheres trans no esporte seja discutida antes da aplicação das novas normas. O texto afirma que a intenção é buscar regras claras, segurança jurídica e espaço para que atletas sejam ouvidas durante o processo.
A petição reúne atletas, profissionais do esporte, pesquisadores, profissionais da saúde, juristas, familiares, torcedores e outros apoiadores. O documento também pede que o debate envolva ciência, direito e transparência antes que novas decisões afetem as carreiras das jogadoras.
