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Autoconhecimento e liderança ganham peso em um mercado de trabalho mais dinâmico

Especialistas apontam que perfil comportamental e inteligência emocional influenciam cada vez mais a carreira

Fabyo Cruz
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O interesse por crescimento profissional e novas oportunidades tem levado trabalhadores a refletirem cada vez mais sobre suas habilidades e comportamentos no ambiente corporativo. Em um cenário de maior mobilidade no mercado de trabalho, compreender o próprio perfil e investir em desenvolvimento pessoal pode fazer diferença na trajetória profissional.

O chamado perfil profissional reúne competências, preferências e padrões de comportamento que se alinham a diferentes ambientes de trabalho. Para as organizações, essa leitura é importante para orientar processos de desenvolvimento interno, melhorar o desempenho das equipes e aumentar a retenção de talentos.

A consultora especializada em desenvolvimento humano e organizacional e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Pará (ABRH-PA), Graciete Maria Barros Corrêa, explica que muitas empresas passaram a utilizar metodologias estruturadas para identificar o perfil comportamental dos colaboradores e orientar decisões de desenvolvimento e promoção.

image Graciete Maria Barros Corrêa é consultora especializada em desenvolvimento humano e organizacional e presidente do Conselho Deliberativo da ABRH-PA (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Ela explica que uma das ferramentas mais utilizadas é a metodologia Disc, que analisa quatro dimensões comportamentais: dominância, influência, estabilidade e conformidade. “A identificação do perfil profissional nas organizações mais estruturadas passa hoje por uma abordagem científica e metodológica, e não mais por percepções subjetivas de gestores”, afirma.

De acordo com a especialista, o processo começa com a aplicação de questionários comportamentais que geram relatórios detalhados sobre o perfil do profissional. Esses documentos ajudam a identificar tanto as características naturais da pessoa quanto a forma como ela se adapta às demandas do ambiente de trabalho.

“Esses relatórios revelam o perfil natural do colaborador, que representa sua essência comportamental, e também o perfil adaptado, que mostra como ele está se comportando para atender às exigências do ambiente”, explica.

Para as empresas, esse tipo de análise também pode orientar decisões estratégicas dentro das equipes. “Quando as organizações cruzam o perfil comportamental do colaborador com o perfil ideal para a função, as promoções e movimentações internas passam a ser decisões baseadas em dados, reduzindo erros e frustrações tanto para a empresa quanto para o profissional”, destaca.

Perfis diferentes, resultados complementares

No ambiente corporativo, alguns perfis aparecem com frequência nas discussões sobre desempenho profissional, como o analítico, comunicador, executor, planejador e criativo. Segundo Graciete Corrêa, essas classificações podem variar de acordo com a metodologia utilizada, mas refletem diferentes combinações de comportamento dentro das equipes.

Ela explica que, em ambientes mais competitivos, perfis voltados à ação e à comunicação costumam ganhar visibilidade. “O perfil dominante se destaca pela capacidade de tomar decisões rápidas, assumir riscos calculados e entregar resultados com urgência. Já o perfil influente aparece muito em funções que exigem engajamento de equipes e construção de relacionamentos”, afirma.

Ao mesmo tempo, áreas que exigem maior precisão técnica têm valorizado profissionais com perfil analítico. “Há uma valorização crescente desse perfil em setores que exigem precisão, compliance, tecnologia e gestão de dados”, observa.

Mesmo com essas diferenças, a especialista ressalta que não existe um perfil ideal para todas as situações. “A grande evolução nas organizações mais maduras é compreender que não existe um perfil superior. Existem perfis mais ou menos adequados para determinados contextos e funções”, diz.

Adaptabilidade

Para a consultora, um dos fatores que mais influenciam a evolução profissional é o nível de consciência que cada pessoa tem sobre o próprio comportamento. “O desafio não está no perfil em si, mas no nível de consciência e maturidade comportamental do profissional”, afirma.

Ela destaca que alguns comportamentos podem se tornar obstáculos quando aparecem de forma exagerada, como impulsividade, falta de foco, resistência a mudanças ou perfeccionismo excessivo. “O comportamento que mais prejudica carreiras, independentemente do perfil, é a falta de consciência sobre os próprios pontos limitantes”, afirma.

Nesse contexto, a capacidade de adaptação ganhou ainda mais importância. “A adaptabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito de sobrevivência profissional”, diz. Além do entendimento sobre os perfis profissionais, outro tema que tem ganhado espaço nas organizações é o desenvolvimento de lideranças.

Liderança

Além do entendimento sobre os perfis profissionais, outro tema que tem ganhado espaço nas organizações é o desenvolvimento de lideranças.

Para a empresária e mentora de líderes, Raquel Conde, existe uma diferença importante entre ser líder e ser apenas gestor. “Um líder promove mudanças e por isso tem uma visão clara de futuro e começa definindo uma direção. Ele precisa criar coalizões que entendam essa visão e estejam comprometidas com sua realização”, afirma.

image Raquel Conde é empresária e mentora de líderes (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Já o gestor tende a atuar mais no controle de processos e na execução do plano de trabalho. “Um bom gestor costuma ser focado principalmente em processos, controle e resultados operacionais. Ele garante o cumprimento do plano por meio do acompanhamento e da solução de problemas”, explica.

Segundo Raquel Conde, muitas pessoas assumem cargos de chefia sem preparação adequada, o que acaba gerando dificuldades no relacionamento com as equipes. Entre as habilidades mais importantes para quem deseja liderar estão inteligência emocional, comunicação clara, capacidade de definir prioridades e habilidade de desenvolver outras pessoas.

“A base de tudo é o profissional decidir sair do papel de especialista técnico e assumir o papel de desenvolvedor de pessoas e direcionador de resultados”, afirma.

Para ela, erros comuns entre líderes iniciantes incluem tentar centralizar todas as decisões, evitar conversas difíceis ou acreditar que precisam ter todas as respostas para a equipe. Esses comportamentos, segundo a especialista, podem comprometer o desempenho coletivo.

“Quando falta clareza nas expectativas, quando há comunicação agressiva ou centralização excessiva das decisões, a confiança da equipe começa a se enfraquecer”, afirma.

Diante de um mercado cada vez mais dinâmico, Raquel Conde avalia que as empresas buscam líderes capazes de combinar desempenho e desenvolvimento humano. “Hoje as organizações procuram líderes que consigam dar direção e, ao mesmo tempo, fazer as pessoas crescerem junto com os resultados da empresa”, conclui.

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