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EMPREGO

Mercado de trabalho exige atualização diante de novas tecnologias; veja as habilidades essenciais

Mudanças provocadas pela inteligência artificial, digitalização e novas demandas econômicas devem transformar competências profissionais até 2030; no Pará, setores estratégicos já enfrentam a necessidade de requalificar trabalhadores

Jéssica Nascimento

5 de outubro de 2026 às 09:30

A expansão da inteligência artificial, a digitalização de processos, as mudanças econômicas e outras tendências estão modificando as competências consideradas importantes pelas empresas.

A expansão da inteligência artificial, a digitalização de processos, as mudanças econômicas e outras tendências estão modificando as competências consideradas importantes pelas empresas. ( Foto: Foto: Freepick )

Ter as mesmas habilidades ao longo de toda a carreira pode deixar de ser suficiente para acompanhar o mercado de trabalho. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF), 39% das competências atualmente utilizadas pelos trabalhadores devem ser transformadas ou ficar desatualizadas até 2030.

O levantamento ouviu mais de mil empresas em 55 economias e aponta que a transformação das habilidades profissionais não está restrita às áreas diretamente ligadas à tecnologia. A expansão da inteligência artificial, a digitalização de processos, as mudanças econômicas e outras tendências estão modificando as competências consideradas importantes pelas empresas.

Nesse cenário, a capacidade de aprender continuamente ganha espaço entre as características esperadas dos profissionais. Para Anna Padinha, especialista em gestão de Recursos Humanos, empresas têm buscado pessoas com capacidade de adaptação, domínio de tecnologia, inteligência emocional, boa comunicação e habilidade para solucionar problemas.

“Até 2030, a principal competência será estar aberto ao novo. O profissional não pode ter medo de aprender, de mudar e de desenvolver novas habilidades”, afirma.

Para a especialista, a experiência acumulada ao longo da carreira continua tendo valor, mas precisa ser atualizada de acordo com as novas exigências.

“O profissional do futuro não será aquele que sabe tudo, mas aquele que não tem medo de aprender o que ainda não sabe”, destaca.

Requalificação também depende das empresas

A atualização profissional não precisa ser responsabilidade exclusiva dos trabalhadores. Segundo Anna Padinha, as empresas podem contribuir diretamente para preparar suas equipes para as mudanças do mercado.

Ela defende que a capacitação contínua seja incorporada às estratégias das organizações, por meio de investimentos em treinamento e desenvolvimento. Para profissionais com muitos anos de experiência, a proposta não é começar novamente, mas adaptar conhecimentos já adquiridos às novas tecnologias e formas de trabalho.

“Empresas que desenvolvem continuamente o time estarão mais preparadas para acompanhar as mudanças e construir equipes mais qualificadas, adaptáveis e inovadoras”, avalia.

A necessidade de requalificação também ganha contornos específicos no Pará. De acordo com o economista paraense Genardo Chaves de Oliveira, a transformação das competências profissionais deve atingir setores estratégicos da economia regional, como logística, construção civil, metalmecânica, tecnologia, inteligência artificial e bioeconomia.

Pará terá demanda por profissionais qualificados

Na logística e no transporte, a previsão apresentada pelo economista é de demanda por 65 mil profissionais até 2027. Na construção civil, seriam necessários 48 mil trabalhadores qualificados. A expansão da infraestrutura também deve impulsionar atividades ligadas à metalmecânica e à manutenção industrial.

Na área de tecnologia, novas funções começam a aparecer no mercado paraense, incluindo atividades relacionadas à inteligência artificial, como engenharia de prompts e curadoria de dados. Ao mesmo tempo, setores ligados à bioeconomia e à sustentabilidade ganham relevância diante da importância econômica e ambiental da Amazônia.

Outro fator apontado por Genardo é o impacto de grandes eventos e investimentos em infraestrutura. A realização da COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas0, em 2025, movimentou setores como construção, turismo, serviços e infraestrutura, contribuindo para a criação de novas oportunidades e para a necessidade de profissionais preparados para atender a essas demandas.

Com a digitalização e a adoção da inteligência artificial, também cresce a procura por profissionais que consigam combinar conhecimento técnico com visão estratégica. Nesse cenário, competências comportamentais, conhecidas como soft skills, passam a ter peso maior, entre elas pensamento crítico, criatividade, comunicação e inteligência emocional.

Desigualdade no acesso à qualificação

Se a atualização profissional se torna cada vez mais necessária, o acesso às oportunidades de capacitação passa a ser um dos principais desafios. Segundo o economista, o Pará precisará qualificar 286 mil profissionais até 2027. Desse total, 47 mil seriam novos trabalhadores e 239 mil precisariam passar por processos de requalificação.

O problema é que nem todos partem das mesmas condições para acompanhar as transformações. Limitações de infraestrutura tecnológica, acesso restrito a cursos e dificuldades econômicas podem dificultar a formação de trabalhadores de baixa renda, informais e com menor escolaridade.

Para Genardo, essa diferença pode produzir efeitos sobre emprego, renda e produtividade. Trabalhadores que não conseguirem acompanhar as novas exigências podem encontrar mais dificuldades para permanecer ou ingressar no mercado formal, enquanto aqueles que tiverem acesso à qualificação poderão ampliar suas oportunidades profissionais.

A falta de capacitação também pode afetar as próprias empresas, que correm o risco de enfrentar escassez de mão de obra qualificada em áreas estratégicas.