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Mercado de trabalho da Geração Alpha será marcado por IA e novas profissões

Além do conhecimento técnico, adaptabilidade, pensamento crítico e aprendizado contínuo devem ganhar protagonismo nas profissões do futuro

Gabriel Pires
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A geração Alpha, formada por crianças nascidas a partir de 2010, deve ingressar em um mercado de trabalho marcado pelo avanço acelerado da inteligência artificial, pela automação e pela transformação constante das profissões. Em meio a esse cenário, especialistas apontam que, mais do que dominar conhecimentos técnicos, será essencial desenvolver habilidades como adaptabilidade, inteligência emocional, pensamento crítico e aprendizado contínuo para acompanhar as mudanças previstas até 2030.

Entre as principais transformações que devem impactar o mercado de trabalho está a velocidade das mudanças, impulsionada principalmente pelo avanço da inteligência artificial, afirma a gerente de Recursos Humanos Anna Padinha. Segundo ela, o conhecimento técnico, por si só, deixará de ser suficiente, tornando indispensáveis o aprendizado contínuo, a capacidade de adaptação e o desenvolvimento constante de novas competências ao longo da carreira.

“Tecnologia continuará em alta, mas não será a única área. Saúde, sustentabilidade, energias renováveis, análise de dados e Gestão de Pessoas também devem crescer bastante. O mercado busca profissionais que saibam unir tecnologia com uma boa capacidade de relacionamento e tomada de decisão. As habilidades comportamentais serão o grande diferencial. Adaptabilidade, inteligência emocional, comunicação, criatividade, ética e trabalho em equipe serão competências cada vez mais valorizadas”, comenta.

Fator humano ainda deve ser decisivo

Mesmo com a era digital, o fator humano ainda continua e permanecerá essencial, segundo a especialista. “A tecnologia evolui rapidamente, mas são as pessoas que fazem a diferença, isso tende a ter mais destaque, há muitas críticas nas novas gerações e este impacto para os Alphas devem chegar com mais resiliência, mas com velocidade. Ao meu ver este equilíbrio será muito mais desafiador que qualquer outra mudança no mercado, pois eles já nasceram com as mudanças tecnológicas”, frisa.

“As atividades mais repetitivas tendem a ser automatizadas. Por outro lado, crescerá a demanda por profissionais que saibam analisar informações, resolver problemas, inovar e liderar pessoas. O aprendizado contínuo será o melhor investimento para qualquer carreira”, completa a especialista em RH.

Formação deve ser adaptada

Diante dessas mudanças no mercado, a formação também deve passar por adaptações para manter esses futuros profissionais preparados. “As instituições precisam aproximar mais os alunos da realidade do mercado. Não basta ensinar teoria. É preciso desenvolver pensamento crítico, resolução de problemas, inovação e preparar os estudantes para aprender durante toda a vida, ou seja, um ambiente tecnológico, ágil e com capacidade de promover o lúdico com a teoria de forma dinâmica”, observa Anna.

“A tecnologia fará parte de praticamente todas as profissões. Por isso, mais importante do que escolher uma carreira da ‘moda’ é identificar talentos e desenvolver competências. Quando existe propósito e preparo, as oportunidades aparecem naturalmente, mas todo o cuidado é pouco, pois isso impacta nas aptidões e realizações profissionais, ou seja, os filhos devem fazer suas próprias escolhas, mesmo que haja esse ‘empurrãozinho’”, afirma.

Conforme avalia o administrador e docente Hinton Bentes, a academia já capacita os profissionais para atender às necessidades futuras. O especialista destaca que o estudante universitário atual, independentemente da região brasileira em que se encontra, apresenta uma experiência de mundo significativamente diferente da geração anterior, tendo crescido em um contexto de conectividade digital e acesso a plataformas de informação, em detrimento do modelo tradicional de bibliotecas.

“Os dados regionais confirmam esse movimento: segundo o Censo da Educação Superior, o Norte do Brasil registrou nas últimas décadas um crescimento expressivo de matrículas em cursos de Tecnologia da Informação, Gestão e áreas correlatas à bioeconomia. Em Belém, esse fenômeno ganhou tração com a aproximação da COP 30, que colocou a Amazônia no centro de agendas globais e acendeu o interesse por cursos ligados à sustentabilidade, geoprocessamento, etnobiodiversidade e economia de carbono”, relata.

Profissões do futuro

Para Bentes, preparar profissionais para carreiras que ainda nem foram formalmente consolidadas deixou de ser uma possibilidade e se tornou uma necessidade. Segundo ele, a Amazônia ocupa uma posição privilegiada nesse cenário, já que atividades como analista de crédito de carbono, especialista em etnofarmacologia aplicada, gestor de territórios digitais indígenas e arquiteto de soluções para cidades de floresta já são desempenhadas na prática, embora muitas ainda não tenham nomenclatura consolidada nem formação específica.

“Algumas instituições como no Estado do Pará têm experimentado trilhas formativas interdisciplinares que cruzam saberes tradicionais com tecnologia, preparando profissionais para esse espaço ainda sem mapa. Isso se faz com metodologias de aprendizagem por projetos, com aproximação real às comunidades ribeirinhas e quilombolas, com laboratórios vivos na própria floresta”, pontua Hilton.

Compartilhando da mesma linha de pensamento de Bentes, Anna Padinha também acrescenta que investir em aprendizado é fator chave para as novas profissões: “Meu conselho é investir menos na profissão do futuro e mais nas competências do futuro. O mercado muda muito rápido. Quem desenvolver curiosidade, disciplina, inteligência emocional, capacidade de aprender e boas relações terá muito mais chances de construir uma carreira sólida, independentemente da área escolhida”, destaca.

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