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OPORTUNIDADES

Mercado de tecnologia cresce 4,8% no Pará em dois anos, aponta levantamento

Estado teve crescimento de 4,8% nos empregos formais de TIC entre 2023 e 2025, enquanto Região Norte registrou alta de 5,4%

Gabriel Pires

7 de setembro de 2026 às 09:30

A região Norte liderou o crescimento do mercado de trabalho formal em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no país entre 2023 e 2025, com alta acumulada de 5,4% no número de empregos com carteira assinada. O Pará aparece na segunda posição entre os estados da região, com 9.198 empregos formais no setor, salário médio de R$ 2.755 e crescimento de 4,8% no período. Os dados são do Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, divulgado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom).

O mercado formal de TIC no Norte também manteve ritmo de expansão acima do registrado nas demais regiões no último ano. Entre 2024 e 2025, a região teve crescimento de 2,4% no número de empregos, superando as taxas observadas no Sul (2%) e no Sudeste (1,8%). Ao todo, o Norte concentra 36.079 empregos formais no setor, com salário médio de R$ 2.715, ainda de acordo com o levantamento.

Entre os estados nortistas, o Amazonas concentra a maior parcela do mercado de TIC, com 20.139 empregos formais, o equivalente a mais de 55% dos postos existentes na região. O estado também registrou crescimento de 6,4% entre 2023 e 2025 e tem salário médio de R$ 2.770. Na sequência aparece o Pará, com 9.198 empregos formais, remuneração média de R$ 2.755 e expansão de 4,8% no período. Em Belém, o setor ganha espaço a partir da conexão com áreas como logística e bioeconomia.

Os demais estados apresentam mercados menores em número de vínculos. Rondônia contabiliza 2.491 empregos formais em TIC, enquanto o Tocantins soma 2.165 e teve crescimento de 5,9% entre 2023 e 2025. Roraima reúne 739 postos, seguido pelo Acre, com 695, e pelo Amapá, com 649. Apesar do menor número de empregos, o Amapá registrou alta de 4,7% no período e tem salário médio de R$ 2.818, o maior entre os estados da região com menor número de vínculos.

Tecnologia e produtividade

Para o cientista e engenheiro da computação Rafael Alfaia, esse crescimento de profissionais está ligado ao fato de que as empresas da região estão entendendo melhor o impacto da tecnologia na produtividade. Ferramentas de alto desempenho, sistemas de gestão, automação e soluções digitais passaram a fazer parte da rotina de organizações que antes dependiam muito mais de processos manuais.

“Existe uma transformação real acontecendo. Empresas, governos, universidades, comércio, saúde, bancos e serviços públicos estão digitalizando processos que antes eram predominantemente presenciais ou manuais. Isso amplia a demanda por profissionais de desenvolvimento de sistemas, suporte, infraestrutura, redes, segurança da informação, banco de dados e computação em nuvem. Vejo os 5,4% como um reflexo desse avanço da transformação digital na Região Norte”, comenta.

Alfaia, que também é professor universitário, esclarece que ainda é preciso cautela para classificar o avanço como uma mudança estrutural consolidada no mercado de trabalho da região. “Quando falamos de avanços tecnológicos, a Região Norte historicamente ainda é menos favorecida em aspectos como infraestrutura, investimentos, presença de grandes empresas do setor e proximidade com os principais centros de inovação do país”, afirma.

E entrar nesse mercado exige qualificação “Para aproveitar essas oportunidades, o estudante precisa construir uma base sólida em lógica de programação, desenvolvimento de software, banco de dados, APIs, Git e GitHub, fundamentos de cloud e segurança. Além disso, inglês técnico, comunicação, capacidade de resolver problemas e um portfólio consistente fazem muita diferença. O mercado valoriza a formação, mas também quer enxergar o que o profissional consegue desenvolver na prática”, observa Rafael.

A remuneração, no entanto, é um ponto de atenção, na visão de Rafael. “Esse é, para mim, talvez o ponto mais preocupante dos dados. Uma remuneração média de R$ 2.715 parece baixa quando consideramos o nível de conhecimento, responsabilidade e atualização constante normalmente exigido de um profissional de tecnologia. É uma área em que a pessoa precisa estudar continuamente e acompanhar novas ferramentas, linguagens, segurança, computação em nuvem, inteligência artificial e outras mudanças do setor”.

Crescimento acelerado

Essa realidade é percebida de forma cada vez mais crescente entre os profissionais da área. A engenheira de software Hilma Carla Castro, 30, de Belém, que atua há cinco anos no setor, frisa que o mercado de tecnologia no Pará está em um crescimento acelerado. Hoje, empresas locais, comércios e o setor público buscam se digitalizar, o que gera muita oportunidade para quem sabe criar sistemas, automatizar processos e trabalhar com dados. 

“Além disso, Belém vem se destacando como um polo de inovação na região Norte. E o trabalho remoto permite que profissionais daqui atendam o Brasil inteiro e o exterior, sem precisar sair de casa”, diz Hilma.

Atualmente, as áreas que mais oferecem oportunidades são a de desenvolvimento de software, inteligência de dados e automação de processos. “Há uma busca muito grande por profissionais que saibam integrar sistema, criar soluções ágeis para a empresa e transformar dados em sites úteis para qualquer negócio”, relata. “A principal dificuldade hoje não é a falta de vagas, mas o alinhamento entre a teoria da faculdade e a prática do mercado”, completa. 

“Muitas vezes o profissional recém-formado sai com uma base teórica sólida, mas sente um choque de realidade com as ferramentas modernas, metodologias ágeis e a necessidade de entregar soluções rápidas. Outro desafio comum é a existência de experiência prévia, até para vagas consideradas junho, o que torna o primeiro emprego ou a transição mais desafiadora”, diz Hilma.

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