O Instituto Amazônia+21 e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/PA) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para desenvolver ações de formação e capacitação profissional voltadas à construção civil com madeira engenheira da amazônica. A iniciativa integra o projeto Morar Amazônico, que busca desenvolver soluções sustentáveis para habitações de interesse social adaptadas às características ambientais, culturais e sociais da região.
O projeto é realizado pelo Instituto Amazônia+21 em parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do Fundo Socioambiental (FSA). A proposta é estimular o uso de madeiras nativas provenientes de manejo responsável e fortalecer uma cadeia produtiva sustentável da construção civil na Amazônia, com geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico regional.
Segundo dados da Fundação João Pinheiro, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, de 2023, a Região Norte apresenta déficit habitacional relativo de 11,9% e inadequação habitacional de 74,5%, os maiores índices regionais do país.
Levantamento do Observatório da Amazônia, sediado no Instituto Amazônia+21, aponta que a Amazônia Legal comercializou aproximadamente 6,57 milhões de metros cúbicos de madeira em tora em 2024. O Pará respondeu por cerca de 40% desse volume. Apesar da participação expressiva, grande parte da produção ainda é destinada a produtos de baixo ou médio beneficiamento, enquanto a indústria de madeira engenheirada permanece concentrada nas regiões Sul e Sudeste.
Para o presidente do Instituto Amazônia+21, Marcelo Thomé, a construção habitacional representa uma oportunidade de agregar valor à matéria-prima dentro da própria região. “Quando falamos em desenvolvimento da Amazônia, precisamos pensar em soluções que respondam às necessidades das pessoas e, ao mesmo tempo, sejam capazes de gerar oportunidades no próprio território. A habitação tem esse potencial”, afirma.
Capacitação e inovação
Entre as ações previstas no acordo está a elaboração de um itinerário formativo especializado em construção civil com madeira engenheirada, além da adaptação de tecnologias construtivas à realidade amazônica. O Senai/PA disponibilizará seu laboratório em Bragança, no nordeste paraense, para a construção e validação de um protótipo habitacional com madeira nativa.
O diretor regional do Senai/PA, Dário Lemos, destaca que a parceria pretende aproximar inovação, sustentabilidade e qualificação profissional. “A madeira engenheirada abre novas possibilidades para a indústria e para a formação de profissionais na Amazônia. Nosso papel é contribuir para que conhecimento, tecnologia e qualificação estejam a serviço de soluções adequadas à nossa realidade e que possam ganhar escala no futuro”, ressalta.
LibAcademy amplia acesso à qualificação profissional
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