Visagismo: conheça o método que impulsiona barbearias em Belém com serviços de até R$ 1 mil
Método ganha popularidade ao alinhar o corte à rotina e profissão dos homens, gerando crescimento de até 90% no faturamento de salões da capital paraense
Muito além de simplesmente aparar os fios, o mercado da beleza masculina em Belém vive um momento de sofisticação. Estabelecimentos da capital estão investindo no visagismo, técnica que analisa as proporções do rosto, o formato do crânio, a tipagem do cabelo e até a profissão do cliente para criar uma identidade visual personalizada. A prática ganhou ainda mais visibilidade recentemente após a transformação no visual do ator Reynaldo Gianecchini, reforçando o interesse do público pelo método. O serviço exige certificações específicas, impulsionou os negócios locais e transformou o perfil de consumo dos homens paraenses.
Proprietário de uma barbearia há sete anos na avenida Tavares Bastos, no bairro da Marambaia, Daniel Moura foi um dos pioneiros a implementar o serviço no local, em 2023. O profissional, que estuda o tema desde 2017 e possui certificação internacional, explica que o método se baseia nos pilares da beleza, estética e saúde.
"O efeito do visagismo é revelar a beleza através das proporções. Não existem homens sem beleza, o que existe são belezas ocultas ainda não reveladas. Avaliamos a altura, expansão e projeção, o formato de crânio e a classificação de cabelo", afirma Daniel Moura.
O barbeiro destaca que o autoconhecimento é um dos resultados do atendimento. "Na nossa região, tem muito cabelo ondulado e algumas pessoas, por falta de informação, confundem e acham que o cabelo é liso. O visagismo compensa espaçamentos, no cabelo e na barba, analisando o comprimento dos fios e a densidade", detalha o especialista.
O professor Guto Nunes, 47, decidiu experimentar a técnica pela primeira vez, justamente para evitar a insatisfação comum com cortes padronizados.
"Sempre saio arrependido dos salões por cortarem muito. O Daniel me mostrou esse equilíbrio. Percebo que estou ficando do jeito que eu realmente gosto de ficar. Se você tem a oportunidade, experimente uma vez, porque vai gostar e depois disso é só manter", ressalta o cliente.
Adequação ao mercado de trabalho
No bairro de Nazaré, o serviço também tem ditado o ritmo financeiro de salões. A proprietária Emanuelle Pena relata que o modelo explodiu nas regiões Sudeste e Sul, mas vive agora seu momento de consolidação na capital paraense, exigindo espaços com privacidade para a realização de entrevistas com os clientes.
"Mais de 90% do nosso crescimento nesta unidade se deu depois que começamos a divulgar o trabalho com o visagismo, há cerca de um ano. Nas últimas duas semanas, devido à proximidade do Dia dos Pais, tivemos um incremento de cerca de 40% na demanda, muitas vezes impulsionado por esposas que presenteiam os maridos", relata Emanuelle Pena.
A empresária explica que o corte final é definido pelo que o cliente deseja comunicar na vida pessoal e profissional.
"Se o cliente é mais criativo, como um arquiteto, ele vai trabalhar com um corte mais descontraído. Diferente de um advogado ou juiz, que exige linhas mais sérias. Tudo isso entra no nosso direcionamento, que inclui até orientações de produtos para finalizar o cabelo em casa", detalha a proprietária.
Os valores do investimento refletem a complexidade do atendimento. Segundo o profissional visagista Thyago Costa, a técnica começou a ser adaptada no mercado local a partir de 2018. Hoje, os espaços oferecem desde o corte tradicional com aplicação de algumas técnicas (a partir de R$ 150) até consultorias completas de harmonização, que variam de R$ 550 a mais de R$ 1 mil.
"A principal vantagem é alcançar algo muito mais personalizado. Levamos em consideração a rotina de cuidados do nosso cliente, a personalidade e o seu estilo de vida. Os clientes acabam sentindo uma essência de transformação na vida, pois não trabalhamos só o que ele vê de si, mas também entramos com a psicologia", destaca Thyago Costa.
O legado na barbearia
Por trás da técnica de transformação de imagem, o visagismo também revela histórias de sucessão familiar. Na barbearia da Marambaia, o negócio conta com a participação da esposa de Daniel e do filho primogênito, Erick Leite, o único dos três filhos a seguir a profissão do pai.
"Meu pai sempre foi minha inspiração desde o início, em todas as profissões que ele já exerceu. Decidi embarcar nessa carreira de barbeiro visagista e venho estudando há oito anos, fortalecendo cada vez mais a empresa junto com ele", conta Erick Leite.
Para o patriarca, que foi o primeiro instrutor do próprio filho, a divisão do espaço de trabalho transcende a questão comercial. "Trabalhar com o meu filho não tem apenas um significado, tem uma representação. Representa amor, companheirismo, fidelidade, parceria e legado", conclui Daniel.
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