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PIX: Andar com dinheiro físico está fora de moda no Pará?

Comerciantes relatam que ter uma chave é excelente para vender mais

Elisa Vaz

Criado em novembro de 2020, em meio às incertezas da pandemia da covid-19, o PIX se tornou uma das ferramentas mais populares dos usuários de serviços de pagamento. As transações por meio desta modalidade atingiram a casa dos R$ 62,1 milhões no Norte em março deste ano, último dado disponibilizado pelo Banco Central (BC). Um ano atrás, o número era de apenas R$ 16,6 milhões, o que representa um crescimento de 272,3% na região, superior ao avanço registrado no país, que foi de 189,5% no período. Procurada pela reportagem, a instituição não cedeu dados do Pará.

Os trabalhadores informais são alguns dos mais beneficiados com a modalidade, porque não precisam usar a máquina de cartão de crédito e, mesmo assim, não deixam de faturar. Autônomo, Argemiro Orlando de Melo Tavares, de 51 anos, trabalha com a venda de biscoitos caseiros. Há cerca de 15 anos ele comercializa seus produtos na avenida Romulo Maiorana, em Belém, até as 18h, e depois vai para sua outra ocupação, em uma academia de ginástica próxima.

Dos R$ 200 a R$ 300 que ele ganha por dia, metade vem do pagamento por meio do PIX. Na opinião de Argemiro, a modalidade trouxe uma facilidade a mais, e agora é difícil perder uma venda porque não tem troco ou porque o cliente estava sem dinheiro em espécie. Ele ainda demorou para aderir à ferramenta – lançada em 2020, só criou uma chave neste ano, porque não sabia como fazer –, mas já sente que suas vendas aumentaram com essa possibilidade de pagamento.

“Facilita muito para os comerciantes, porque não perdemos a venda. Tem gente que não anda mais com dinheiro nem com cartão. Eu, na verdade, nem aceito cartão, só PIX e dinheiro”, conta. Outro benefício da modalidade virtual é que evita as vendas fiadas, ou seja, para pagar depois, já que muitas pessoas que fazem isso alegam que não têm o dinheiro em mãos. “Ainda existem alguns, sempre tem, que dizem que não estão com dinheiro no momento e pagam depois”.

Pix ajuda em valores mais baixos

Entre os biscoitos vendidos Argemiro tem os de castanha, de goiabada, monteiro lopes e beijo de moça, entre outros. O vendedor conta que todos saem bastante, mas o carro-chefe mesmo é o biscoito de castanha tradicional, a rosca, que custa R$ 15. Os potes oferecidos por ele variam entre R$ 10 e R$ 15. Por ser um valor mais baixo, o PIX ajuda muito, opina o trabalhador informal. Tudo que é recebido Argemiro consegue controlar pelo próprio celular, outra facilidade da ferramenta.

Fabíola Evangelista adora transitar sem dinheiro físico (Márcio Nagano / O Liberal)

Quando a administradora e servidora pública Fabíola Evangelista, de 44 anos, parou para comprar biscoitos no local, foi assim que o comerciante conseguiu confirmar o pagamento. Ela conta que é uma grande entusiasta do PIX e criou assim que a modalidade de pagamento foi lançada, justamente por conta da facilidade. “É ótimo não transitar com dinheiro físico, por conta de assaltos, sinto muita insegurança e até medo de estar com dinheiro no bolso, ter que sair para fazer pagamento com dinheiro e ser abordada em alguma tentativa de furto. E como sou servidora pública o meu banco é estadual, então nem todos os lugares aceitam”, lembra.

Atualmente, quase todos os seus gastos são por meio do PIX, diz Fabíola, inclusive pagamento de fatura e outras despesas fixas, que oferecem QR Code. Na rua, ela alega que é muito bom quando um pequeno empreendedor aceita a modalidade. “É interessante porque eles tinham também uma limitação. Às vezes não é um valor tão alto. Só a facilidade de podermos comprar no PIX, na palma da mão, já é ótimo”.

Empreendedora lucra mais

Desde o início de 2021, a administradora e confeiteira Danielle Andrade, de 43 anos, utiliza o PIX como meio de pagamento em seu negócio, em uma conta específica para recebimentos dos valores das vendas. Ela conta que, logo que a ferramenta surgiu, ficou receosa porque leu que seria um aplicativo para roubar informações das pessoas, mas após o lançamento foi atrás das informações corretas para dar início a essa inovação no mercado.

“Aqui no nosso atelier temos várias formas de pagamento, por PIX, máquina de cartão, link de pagamento parcelado ou até mesmo a modalidade comum e o sinal de 50% de entrada e o restante no dia da entrega do produto. Facilitamos de todas as formas para o nosso cliente aderir o nosso produto. Desde quando aderimos à ferramenta, 80% das nossas vendas são feitas pelo PIX. Às vezes ainda estamos informando algumas opções de recheio, cobertura e decoração do bolo e os clientes querem logo a chave para efetuar o pagamento e só depois perguntam as opções que recheio”, afirma.

Usando essa modalidade, as vendas de Danielle, que é formalizada, aumentaram significativamente, porque acaba sendo uma facilidade para o cliente e para os próprios empreendedores, por ter rapidez e praticidade. “Hoje o PIX facilita muito as formas de pagamento. As pessoas estavam deixando de andar com dinheiro por conta dos assaltos, então o cliente passava na loja, olhava o produto e informava que depois passaria porque naquele momento não tinha dinheiro em mãos e acabávamos perdendo aquela venda do dia por motivo da insegurança nas ruas”, lembra. Mas com a facilidade as vendas são feitas de forma rápida e, por conta da falta de moedas no mercado, a empresária utiliza o PIX troco, facilitando também a rotatividade das vendas.

Movimentação pelo PIX

Transações nacionais

Março de 2021: R$ 238.340.770

Março de 2022: R$ 690.198.170

Variação: 189,5%

Participação do Norte

Março de 2021: 0,07%

Março de 2022: 0,09%

Transações do Norte

Março de 2021: R$ 16.683.853,9

Março de 2022: R$ 62.117.835,3

Variação: 272,3%

Fonte: Banco Central

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