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Inclusão de profissionais sêniores é desafio nas empresas

Especialista explica que a prática de gestão da diversidade é essencial para os negócios

Elisa Vaz

Ao menos um terço da população brasileira deve ter 50 anos ou mais em 2029 e o número de pessoas acima de 60 chegará a dois bilhões no mundo todo até 2050, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o envelhecimento populacional, o mercado de trabalho precisará se adaptar para incluí-las da melhor forma possível e inovar seus negócios com este público.

Consultora e administradora, a professora doutora Regina Cleide Teixeira, que é coordenadora nacional da Escola de Negócios do Grupo Ser Educacional e da Unama, afirma que boa parte da população brasileira já atingiu a sua maturidade. Ela aponta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que, em 2060, um quarto da população (25,5%) deverá ter mais de 65 anos, ou seja, a longevidade fará com que os brasileiros idosos tenham cada vez mais potencial para continuar atuante no mercado de trabalho.

Por conta disso, há a necessidade de as empresas de todos os segmentos da economia focarem na prática da gestão da diversidade, programas que devem, primeiramente, ser interados e integrados com o sistema de recursos humanos da organização. “A finalidade de um diálogo nas organizações sobre a diversidade e inclusão urge.  Discussões sobre diversidade (gênero, raça, idade, orientação sexual, nacionalidade, crença, formação, histórico social, cultural, emocional, preferência política, entre outros), no contexto organizacional representa para as empresas uma fonte de vantagem competitiva centrada em política de gestão de pessoas”, comenta.

Nesta ótica, as empresas que pensam de forma disruptiva já estão ou deverão focar na diversidade etária e pensar como manter profissionais experientes e maduros, criando uma política de gestão de pessoas direcionada para profissionais com mais 50 anos, com o intuito de tornar estes profissionais mentores no processo de engajamento de novos profissionais: jovens aprendizes, trainees e os que estão iniciando suas carreiras profissionais. É preciso que todos aspectos da política de gestão de pessoas da organização estejam alinhados, diz ela, com destaque para as práticas gerenciais de recrutamento, seleção, remuneração, treinamento e cultura organizacional.

O foco no público mais experiente pode beneficiar o funcionário e fazer com que ele se sinta incluído, pertencente e valorizado pelo seu conhecimento e experiência no ambiente organizacional. Para Regina, a implementação da gestão da diversidade, focada em um programa de valorização do idoso, tem o potencial de desenvolver os membros organizacionais para que eles se engajem e repassem conhecimento, experiência e valores entre as diversas faixa etárias que constroem de forma colaborativa a marca da empresa a ser percebida pelo mercado.

Ensino

Durante muitos anos, ensinar as mudanças tecnológicas para quem ainda não estava acostumado com elas era um desafio. Afinal, nem sempre pessoas que nasceram em outra geração tinham facilidade para aprender sobre ferramentas digitais. Com a chamada “Sociedade 5.0”, a forma de ensinar, seja jovens ou sêniores, no mundo organizacional e acadêmico mudou radicalmente. Por isso a administradora defende a criação, nas organizações, de um processo de ensino organizacional e disruptivo, que rompa com o estabelecido, transformando o processo de ensino-aprendizagem organizacional em busca de mais efetividade.

“A forma de ensinar no mundo organizacional absorveu de maneira incrível as novas plataformas. Entendemos que, tanto para jovens como para sêniores, interagir com as novas formas de qualificação profissional tem sido um grande desafio. Estamos em processo de construção de uma nova cultura organizacional, onde a criatividade, inovação e tecnologia não pode ficar de fora. A maioria das ferramentas de apoio ao processo de qualificação profissional, reuniões remotas e ou treinamentos remotos, dentro da realidade da maioria das empresas passou a ser uma rotina a partir de 2020. Assim, observamos que, independente da idade, a inserção das novas metodologias de treinamento organizacional são mais rapidamente absorvidas pelo profissional jovem ou sênior que busca pensar disruptivamente e foca nas suas soft skills (habilidades pessoais e intangíveis que um profissional possui) e hard skills (capacitações técnicas que um profissional pode comprovar)”, avalia Regina.

Vantagens

Ter profissionais experientes na equipe traz uma série de benefícios. De acordo com o site RH Pra Você, os profissionais com 45 anos ou mais serão estratégicos para manter o conhecimento na empresa. Além disso, eles se mostram muito fiéis à organização, menos adeptos às mudanças de emprego e carregam consigo a expertise importante sobre o negócio.

Para a empresa, Regina diz que uma das vantagens é ter ganhos múltiplos, como o fortalecimento da marca, promoção de imagem e a reputação da organização, mais proximidade com os clientes maduros e responsabilidade social. O comportamento também valoriza os seguintes pontos dos profissionais considerados maduros: criatividade e inovação, clima de respeito e colaboração, motivação e desempenho, diminuição de turnover e custos, experiência profissional somada à experiência de vida e comprometimento e dedicação.

Além disso, o estudo “Envelhecimento nas Organizações: práticas de diversidade etária como estratégia de inovação”, publicado pela FGV, aponta que empresas que investem na diversidade de suas equipes tendem a ter performances financeiras superiores àquelas que nada investem neste tema.

“O cenário do mundo organizacional vive em constante processo de mudança e, desde 2020, observamos que tem se falado em diversidade, incluindo a etária. As empresas para conseguirem no mercado terem uma percepção diferenciada pela sociedade em geral e pelo seu cliente com relação ao seu comprometimento com questões de responsabilidade social precisam implementar uma cultura inclusiva, mediante práticas de gestão da diversidade. Não é uma tarefa fácil, rápida e simples, mas as organizações precisam pensar fora da caixa, o mercado competitivo pede, então a mudança de mentalidade para um pensamento disruptivo pode e deve ser feita por organizações de todos os portes e segmentos, pois não podemos deixar de valorizar a interação e integração etária”, finaliza Regina.

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