Febre da corrida de rua abre novos caminhos para empreendedores em Belém
Com mais provas e corredores nas ruas, fotógrafos, assessorias esportivas e lojas especializadas encontram no esporte uma nova oportunidade de negócio na capital paraense
O crescimento das corridas de rua em Belém tem ido além da prática esportiva e se transformado também em uma oportunidade de empreendedorismo. Com cada vez mais provas no calendário da cidade e um número crescente de corredores, profissionais de diferentes áreas passaram a enxergar no esporte um nicho promissor para oferecer serviços e produtos especializados, como assessorias esportivas, fotografia esportiva e lojas de vestuário específico.
Para garantir mais qualidade nos treinos e constância na evolução dos atletas, o boom da modalidade impulsionou o surgimento de assessorias esportivas especializadas. O profissional de educação física Lucas Amazonas, de 32 anos, transformou a paixão pela modalidade em negócio após concluir a graduação.
Corredor desde a época da faculdade, ele decidiu abrir a própria assessoria voltada ao treinamento para provas de rua. “Esse mundo da corrida já estava dentro de mim. Eu precisava me formar para conseguir abrir minha assessoria esportiva”, conta.
Segundo ele, a demanda por orientação profissional tem crescido à medida que mais pessoas passam a praticar a atividade, seja por saúde ou por objetivos esportivos.
“As pessoas procuram muito as assessorias para ganhar condicionamento físico, buscar saúde ou melhorar a performance. Tem quem queira fazer a primeira prova de 5 quilômetros, 10 quilômetros ou até uma maratona”, explica.
Para quem deseja empreender nesse segmento, Lucas diz que o principal investimento está na qualificação profissional. “Primeiro é necessário se formar em educação física e buscar cursos voltados para corrida de rua. Os materiais usados nos treinos são relativamente simples e acessíveis”, afirma.
Mas, com a expansão de todo mercado, existe o crescimento da concorrência. Lucas afirma que a humanização e individualização no acompanhamento é fundamental pra fidelizar os clientes. Ele revela que atende de 30 a 45 alunos na sua assessoria, entre consultoria online e presencial, e diz que a quantidade é ideal para poder atender todos com atenção.
”Consigo entender cada aluno, saber qual a necessidade, qual a limitação, o objetivo e assim podemos trabalhar melhor. Com tantas pessoas é claro que não conseguimos dar a mesma atenção. Assim facilita e o aluno se sente mais acolhido”, disse o profissional.
FOTOGRAFIA
E a fotografia se tornou item de desejo entre os corredores. Para o fotógrafo Raphael Macedo, a corrida de rua se tornou um novo nicho dentro de sua atuação no audiovisual. Com mais de uma década de experiência em fotografia e produção de vídeos, ele passou a registrar treinos e provas há cerca de um ano, após perceber o crescimento do mercado.
“Eu sempre observo tendências de mercado. Quando percebi o aumento do número de corredores e eventos, vi que isso poderia gerar uma boa oportunidade de venda”, afirma.
Segundo ele, o trabalho na fotografia esportiva permite conciliar o novo nicho com outras atividades profissionais. Os registros geralmente são feitos no início da manhã, durante os treinos das assessorias ou nas provas, o que permite manter outras frentes de atuação ao longo do dia.
“Entre quatro e meia e oito da manhã eu estou trabalhando com o pessoal da corrida de rua. Depois sigo com outros trabalhos, como eventos, shows, produção de clipes e comerciais”, explica.
O crescimento do segmento também intensificou a concorrência. De acordo com o fotógrafo, o número de profissionais atuando nesse mercado aumentou significativamente nos últimos anos.
“Antes era um ambiente mais escasso de fotógrafos voltados para corrida. Hoje há muito mais gente trabalhando com isso, o que gera uma concorrência forte”, relata.
Mesmo com a disputa, o retorno financeiro pode ser significativo. Segundo ele, o faturamento médio por corrida varia entre R$ 1.500 e R$ 2.000, podendo ultrapassar R$ 5 mil em eventos maiores.
ROUPAS
O aumento do número de corredores também se reflete no comércio de roupas e acessórios específicos para a prática esportiva. A empresária Jackeline Ribeiro, dona de uma loja de moda fitness, afirma que percebeu o crescimento da procura por produtos voltados à corrida desde o período da pandemia.
Segundo ela, as restrições nas academias levaram muitas pessoas a buscar atividades ao ar livre, o que impulsionou a corrida.
“Muita gente começou a procurar alternativas para continuar se exercitando. A corrida acabou se tornando uma opção prática, e isso aumentou a procura por produtos específicos”, diz.
Hoje, cerca de 40% do faturamento da loja está ligado ao público corredor — número que, segundo a empresária, tende a crescer.
“Cada dia mais as pessoas estão correndo e participando de eventos. Isso também influencia nas vendas, porque muitos gostam de combinar as roupas com as cores das provas ou com datas especiais”, afirma.
Entre os itens mais procurados estão peças que unem conforto e funcionalidade, como roupas com bolsos para carregar chaves, celulares ou suplementos usados durante as provas.
“Os corredores procuram qualidade e praticidade. A roupa precisa ser confortável, não pode ficar subindo durante a corrida e precisa ter funcionalidade”, explica.
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