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Empreendedora relata em podcast como conciliar trabalho e maternidade

Neyla Costa, de Abaetetuba, fala sobre as dificuldades, mas diz que faria tudo de novo

Daleth Oliveira

No 28º episódio do podcast “Poder Feminino”, do Grupo Liberal, a apresentadora Tainá Cavalcante conversa com a empreendedora Neyla Costa, que é influenciadora digital e tem uma loja em Abaetetuba, no nordeste paraense. O bate papo é sobre os desafios de conciliar o trabalho com a maternidade, bem como ter sucesso no ramo digital. A conversa completa estará disponível em breve na plataforma Libplay, em www.oliberal.com/play.

Você começou sua história no empreendedorismo há sete anos, largou a faculdade e o emprego fixo para tentar a sorte na sua loja online. O que te motivou?

Neyla Costa: Com toda a certeza, o meu filho. O Heitor era pequeno, eu trabalhava aqui em Belém e era muito difícil conciliar a maternidade com o emprego. Meu filho ficou doente, precisou ficar 16 dias internado e foi esse período que me fez pensar. No hospital, eu refletia o quanto eu precisava estar mais perto dele. A vivência foi um divisor de águas. Foi quando eu decidi que nunca mais queria trabalhar para ninguém, porque enquanto meu filho estava internado, sem saber se ele ia ou não para a UTI, a empresa que eu trabalhava me forçava a todo custo a voltar para o trabalho e deixar meu filho no hospital. Nesse momento eu vi o quanto meu filho era bem mais importante, acima de qualquer emprego. Então resolvi largar tudo por causa dele e mergulhar nesse universo que é o empreendedorismo. Hoje, talvez seja um dos maiores motivos para eu ser uma patroa tão mais flexível com os outros funcionários. A maioria dos meus funcionários são mães.

Quando você começou a empreender, seu filho estava com cerca de 1 ano. Como foi encarar esse desafio de dividir a rotina entre o teu negócio e a maternidade?

Desafiador. Primeiro que sair da capital para tentar algo no interior do Estado foi o maior desafio, porque eu me cobrava muito se caso desse errado. Eu falava que não tinha outra saída a não ser fazer dar certo. Lembro que não consegui viajar para abrir a loja, porque eu estava com o Heitor pequeno, então fiz os pedidos da fábrica tudo online. Eu quase não tinha noção de fábricas, porque estava começando o negócio naquela época, então, não conhecia a qualidade dos tecidos, não tinha noção alguma do que eu estava fazendo, foi tudo muito instintivo mesmo. Eu amo minha profissão, mas a gente sabe os desafios que nós passamos, porque muita gente nem reconhece o empreendedor como profissão.

Você lembra qual foi o momento mais desafiador de todos?

A primeira vez que eu fui viajar a trabalho, o Heitor tinha cerca de um ano e meio, e ele sempre foi muito apegado conosco. Então, a gente teve que deixar ele a primeira vez para viajar. Eu fui chorando, mas tive que deixar ele. Minha vantagem é ter o apoio muito grande da minha família. Mas tivemos outros momentos difíceis. A gente já teve mercadoria roubada, presa, já fomos assaltados, tudo aconteceu nesses últimos 7 anos. Então, é um lado do empreendedorismo que muita gente não mostra. A gente sabe o quanto tem mães que sonham ter o que a gente vive.

Você tem uma filha ainda bebê. Como é essa tua rotina na loja com um neném tão pequeno, de 3 meses?

Os meus filhos vão crescer sabendo que nada é fácil. O Heitor já viaja a trabalho com a gente. Com a Helena é a mesma coisa, ela vai todos os dias para a loja comigo. Claro que quando dá, eu deixo com minha família. Mas nesse início, optei por não ter babá, quem me ajuda muito é minha irmã e meu esposo. Então, tenho consciência que sou privilegiada por ter toda essa rede de apoio que me ajuda muito, mas sei que existem muitas mães solos que vivem dificuldades ainda maiores.

Além das dificuldades, ainda tem as críticas direcionadas às mães que trabalham. Como você lida com elas?

Eu sofri muito com isso porque eu larguei meu emprego, eu tinha uma carreira fixa, estava caminhando para uma promoção na época, então eu fui muito criticada. Me chamaram de louca. Ainda mais porque eu também larguei a faculdade, estava cursando Direito e faltavam 2 anos para eu me formar, tudo isso para abrir uma loja que ninguém sabia se ia dar certo. Só que eu sou muito determinada. Eu não me permito perder. Sem falar que eu amo o que eu faço. Não é apenas pelo dinheiro, mas pelo sonho de ter o meu próprio negócio, então tudo se torna mais fácil.

E agora, que já estás mais estabelecida, ainda recebe muitas críticas?

Muito. Recentemente, fui criticada porque provei as roupas e publiquei fotos após 20 dias do nascimento da minha filha. Várias pessoas falaram que eu estava gorda para fazer isso. Mas quem trabalha com redes sociais já está acostumado com isso. E, para mim, esse tipo de coisa me estimula a melhorar, a ser uma melhor empreendedora, melhor influenciadora e melhor mãe. Outro ponto é que as pessoas esquecem que quem tem o próprio negócio não tira férias ou licença maternidade. Eu estava havia 21 dias sem fazer nada, não aguentava mais, precisava trabalhar e estava feliz com isso.

E você faria tudo de novo?

Sem dúvida. Por causa do amor que tenho pelo empreendedorismo e pela importância que nós temos para a economia. Aqui em Abaetetuba, por exemplo, o que movimenta a cidade é o comércio local, que é bem forte. Não temos empresas grandes que tragam tanto dinheiro para nosso município, como os comerciantes locais. Não é fácil, mas amamos.

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