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Dia do hambúrguer: originalidade de receitas e persistência ajudam empreendedores a manter o sucesso

Segmento da alimentação ainda tem mercado em Belém, mesmo com cerca de 800 empreendimentos de hambúrguer artesanal, segundo influencer gastronômico

Natália Mello

O hambúrguer, definitivamente, é um queridinho dentre as opções de lanche procuradas pelos brasileiros e, segundo o publicitário e influencer gastronômico Médici, são o principal produto de cerca de 800 hamburguerias artesanais espalhadas pela região metropolitana de Belém. Em comemoração ao Dia do Hambúrguer, celebrado neste sábado (28), empreendedores falaram sobre os desafios desse mercado e deram algumas dicas para os que buscam um espaço nesse segmento do ramo alimentar, entre eles, dois toques primordiais: a originalidade das receitas e a persistência para manter o sucesso do negócio.

O jovem Lucas Araújo, de 29 anos, está há nove à frente da hamburgueria, e o que começou com um carrinho de lanches em frente à uma faculdade particular da capital, onde ele cursava administração, levou a uma franquia que hoje possui lojas em oito pontos de Belém, além de duas em Fortaleza e duas em Portugal – onde ele reside atualmente. Hoje com dois sócios, o administrador acredita que o crescimento do negócio está diretamente ligado à preocupação com a oferta de um hambúrguer produzido com receita própria e, não menos importante, também ao fato de existir uma inquietação diante do mercado. 

“Ter um produto diferente e persistir são duas dicas importantes. Como sou formado em administração, tudo que apendi na faculdade implanto no negócio. Aí fizemos uma consultoria em São Paulo em 2019 e começamos a franquear. Mas é muito trabalho, não é fácil, acho que é necessário ter atenção no dia a dia, com colaboradores, clientes, vai envolvendo tudo, além de tentar trazer sempre novidades. A gente lança hambúrguer de seis em seis meses. Agora temos uma casquinha própria”, explica.

Lucas lembra um pouco de como começou e o processo de expansão do negócio. “Comecei com um carrinho de rua, de um metro e 30 centímetros por 50, na Rua dos Mundurucus. Do carrinho, a gente foi para um trailer, onde passamos dois anos. Aí tive um sócio nessa época, a gente ficava na frente das festas e depois de tantos pedidos todos os dias, abrimos a primeira loja, na Serzedelo Correa, em Batista Campos. Aí depois fomos para a Duque e Cidade Nova, já em Ananindeua, fechamos a loja na Serzedelo, e depois passamos para o processo de franquia no mesmo bairro”, lembra.

Atualmente, a ideia é também alcançar o público de menor poder aquisitivo, já que a inflação tem atingido percentuais alarmantes. O jovem empreendedor afirma que, anteriormente, clientes que costumavam frequentar o espaço de duas a três vezes na semana passaram a ir apenas uma vez. “Estamos tentando nos adaptar. Mas tem mercado. O Uata não cabe mais em Belém, mas hamburgueria sempre tem espaço. Só que tem gente que abre e quer ganhar dinheiro no primeiro mês e não tem como”, alerta.

Paulo lavareda também está há algum tempo trabalhando com a venda de hambúrguer. Há sete anos, ele iniciou um negócio que admite, já passou por diversas adaptações. Atualmente, ele está em um ponto no bairro do Marco, recomeçando após atravessar algumas dificuldades no período da pandemia da Covid-19, quando precisou fechar as portas.

Com duas filhas, uma de cinco e outra de dois anos, ele se divide com a esposa para conseguir dedicar tempo ao trabalho. Com o início da trajetória no bairro do Tapanã, dentro da cozinha da casa da sogra, o despontar do empreendimento ocorreu ao vencer um concurso de hambúrguer em 2016.

“Em janeiro eu ganhei o concurso, um mês depois com a receita que eu ganhei, inaugurei na casa dos meus pais a minha hamburgueria, em São Brás. Passei um tempo bom lá, a venda era muito boa, mas já não conseguia atender a todos os clientes. Muita gente ia pelo lanche, mas o público começou a demandar um espaço confortável para ficar com a família e inclusive dizer que o espaço não condizia com o sanduiche que eu oferecia”, conta.

Sempre enfrentando dificuldades financeiras, assim como Lucas, ele afirma que é preciso persistir para se manter no mercado. Depois de passar por pelo menos três pontos, foi difícil, após o início da pandemia, se reestruturar. “Eu sempre fui um cara descapitalizado, então procuro maneiras de conseguir entrar no mercado. Sempre foi muita luta. Na pandemia, fechamos e trabalhamos só com o delivery, depois retornou com 50% do público e voltei a trabalhar. Aí em agosto, setembro, as coisas ficaram difíceis e em outubro meu negócio já muito afetado começou a ruir. E fechei. Aí voltei para casa. Aí reabri no Chaco, em outubro do ano passado, e seguimos na luta, mas já é um sucesso absoluto, sinto que temos reconhecimento, só que nem sempre traz retorno financeiro”, conta.

Financeiramente, Paulo avalia que, no momento atual, atingiu o mesmo patamar de antes da pandemia. E quais as dicas para os empreendedores que desejam viver desse mercado? ugir do comum. “Não pode ser só mais um no mercado. Hamburgueria em Belém temos mais de 700. Tem muita gente fazendo mais do mesmo e também prejudicando o mercado com preços que não existem, ainda mais passando por uma crise. Temos que trabalhar sempre com qualidade e um preço justo, sabendo se diferenciar. Eu sei que tenho exclusividade no hambúrguer que eu faço e quem comer comigo não vai comer igual com ninguém mais. Tem que saber valorizar as tradições, e o que eu trago hoje é a memória afetiva no meu cardápio”, conclui o empreendedor, que também tem curso de cozinheiro e de hambúrguer.

Mercado em Belém

Médici é publicitário e começou a trabalhar com influência gastronômica dedicada desde 2015, jurado do Comida di Buteco e também do Prazeres da Mesa. No último mapeamento que ele fez, em 2020, no início da pandemia, ele localizou 666 lugares que tinham no hambúrguer o principal produto de venda. Já em 2021, conversando com o dono de uma panificadora, ele especulou, para a região metropolitana, 1.000 hamburguerias. Atualmente, neste cenário de uma espécie de pós-crise da Covid-19, além de ter levantado o número de hamburguerias em Belém – inclusive os 800 citados são referentes somente aos artesanais –, ele avalia o cenário, que acompanha há um bom tempo.

“Possível de crescer é, mas se fosse investir nesse mercado, eu não ficaria na venda para o cliente direto. Focaria na venda de insumos para hamburguerias. Se você prestar atenção no que faz um bom hambúrguer artesanal, você vê carne, queijo e pão. Vamos ter quatro quintos fornecedores de pão, mais ou menos isso, em bons fornecedores de queijo, e o blend, a mistura das carnes, é sempre mais ou menos a mesma. Investir nos insumos é onde esse mercado mais pode crescer. Mas você tendo um bom produto com esses 3 itens, você se destaca e cresce”, analisa.

Há 3 anos, ele segue uma métrica de provar um hambúrguer novo por semana e ele garante, sempre há um novo para provar. E disso tudo, ele diz: é preciso existir “o básico bem feito”. Esse é outro conselho que o apreciador de hambúrgueres indica. “Às vezes vejo gente querendo entregar um hambúrguer com criatividade: um pão colorido, um molho agridoce especial, um ingrediente paraense que pode dar todo o tchan no sanduíche. Mas não faz o básico bem feito. Usar um pão novo, selar ele para dar sabor e impermeabilizar, usar uma mistura saborosa para a carne e saber entregar o ponto seja na chapa ou na brasa, utilizar um queijo ou molho de queijo que valorize o produto, ao invés de simplesmente fazer algo pra ficar instagramável”, conclui Médici.

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