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EMPREENDEDORISMO

Círio amplia renda de empreendedoras com encomenda de pratos típicos e sobremesa

Maniçoba, vatapá, pato no tucupi e doces com frutas regionais estão entre os itens mais procurados para o almoço do Círio de Nazaré

Jéssica Nascimento

4 de outubro de 2026 às 08:00

Empreendedora mostra vatapá e sobremesas regionais que faz para o Círio de Nazaré.

Empreendedora mostra vatapá e sobremesas regionais que faz para o Círio de Nazaré. ( Foto: Foto: Ivan Duarte | O Liberal )

O almoço do Círio de Nazaré também representa uma oportunidade de renda extra para empreendedoras que aproveitam o período para preparar pratos típicos e sobremesas sob encomenda em Belém. Com a reunião de familiares e amigos para a tradicional celebração, cozinheiras, boieiras e confeiteiras registram aumento na procura por receitas que levam sabores característicos do Pará.

Para quem trabalha com encomendas, o movimento começa antes da grande procissão e pode representar uma parcela significativa do faturamento anual. É o caso da cozinheira e boieira Eliana Ferreira, que atua há 40 anos no Complexo do Ver-o-Peso e, além do negócio na feira, mantém dois restaurantes em Belém, na Rua Antônio Barreto e na Praça Brasil, ambos no Umarizal.

Eliana Ferreira.
Eliana Ferreira. (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Ela começou a trabalhar com encomendas específicas para o Círio há cinco anos, quando se mudou para a rua Antônio Barreto. A ideia surgiu ao perceber a procura dos clientes por pratos tradicionais durante o período.

“Eu fui vendo o público do Círio e daí veio a ideia de trabalhar com maniçoba, vatapá, pato e as sobremesas com as frutas da nossa região. O que me motivou foi justamente aumentar a minha renda e a procura do cliente”, conta.

Maniçoba e vatapá lideram pedidos

Entre os pratos oferecidos por Eliana, a maniçoba é a campeã de pedidos. O vatapá aparece na sequência, enquanto o pato no tucupi também é procurado, mas em menor quantidade devido ao preço.

“Quem não cozinha, não faz, encomenda. O mais pedido é a maniçoba. O segundo mais pedido é o vatapá. O cliente pede o pato no tucupi, mas, por ser um prato muito caro, ele não vende tanto quanto vende a maniçoba e o vatapá”, explica.

Neste ano, algumas encomendas de maniçoba já foram fechadas, mas a cozinheira espera que a procura aumente conforme o Círio se aproxima. A maniçoba custa R$ 30 por prato e R$ 100 o quilo. O vatapá sai por R$ 25 o prato e R$ 100 o quilo.

(Foto: Ivan Duarte | O Liberal)
(Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

As sobremesas também ganharam espaço no negócio. Entre as opções estão creme de bacuri e creme de cupuaçu, vendidos a R$ 15 a unidade.

“Antes, eu só tinha o pudim. Aí depois veio a ideia de fazer o creme. Eu trabalhei muito tempo só no creme. Depois eu pensei no queijo do Marajó, onde eu coloquei o queijo no creme e aí teve muita saída”, relata.

Segundo Eliana, o período do Círio representa um crescimento de cerca de 30% no faturamento do negócio. Para 2026, a expectativa é superar esse percentual.

“O Círio aumenta 30% no faturamento do meu negócio. É uma renda extra muito importante. Pra este ano, minha expectativa é melhor. Eu tô esperando um retorno maior que 30%”, afirma.

Confeitaria começa preparação com antecedência

Na confeitaria artesanal de Suellem Santos, o Círio também se transformou em uma das principais épocas do ano para as vendas. Ela começou a trabalhar com produtos voltados ao período em 2018, durante uma feirinha do Círio administrada pela Igreja Catedral de Belém.

Na ocasião, preparou mais de 20 bolos e conseguiu vender toda a produção. Parte dos produtos foi comprada para o domingo do Círio. A experiência também ajudou a conquistar clientes que continuam fazendo encomendas em outras datas comemorativas.

“Belém no Círio recebe muita gente de todos os lugares do mundo. É o momento em que a família se reúne e todo mundo quer aquela mesa farta. O Círio, para nós paraenses, costumamos dizer que já é o nosso Natal”, afirma.

De acordo com Suellem, outubro chega a representar quase sete meses de faturamento normal do negócio. Para este ano, 70% da agenda de encomendas já está preenchida.

“Este ano está ainda melhor. Já fechei 70% da agenda. Este ano a confeitaria estará na FAC (Feira de Artesanato do Círio), evento que é referência no Círio. Estou me programando mais cedo, já desde setembro, para dar conta da alta demanda”, explica.

Sabores regionais ganham destaque nas sobremesas

Na confeitaria, os produtos mais procurados para a mesa do Círio são preparados com ingredientes e referências da culinária paraense. Entre os campeões de vendas estão o bolo carimbó de cupuaçu com coco caramelizado, o bolo de bacuri com castanha-do-pará e a taça da felicidade.

Os produtos são oferecidos em tamanhos que atendem, em média, de 10 a 20 pessoas. As sobremesas custam entre R$ 150 e R$ 280, enquanto os pratos ficam na faixa de R$ 150 a R$ 300, dependendo do tamanho e dos ingredientes utilizados.

A empreendedora explica que a precificação considera os custos de produção, que podem aumentar durante o período do Círio.

Além do faturamento concentrado em outubro, Suellem vê nas encomendas uma oportunidade de apresentar o trabalho para novos consumidores. Segundo ela, parte dos clientes conquistados no Círio continua comprando ao longo do ano para aniversários e outras celebrações.

“O Círio representa fé, gratidão, o mês mais cheio de amor. É quando o número de captações de clientes cresce, pessoas conhecem meu trabalho e se apaixonam por cada doce feito com muito amor e carinho e assim fixo clientes ao longo do ano para aniversários e outras datas comemorativas”, afirma.