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Biscoitos regionais: empreendedoras de Belém transformam tradição em sucesso comercial

Uma das receitas mais tradicionais no mercado local é a de monteiro lopes

Gabriel da Mota

De acordo com os dados mais recentes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Pará foi, em 2022, o estado brasileiro com maior número de empregados sobre o total de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) no ramo de fabricação de biscoitos e bolachas regionais: 57,8 funcionários por MPE. Apesar desses índices, empreendimentos locais também sobrevivem no mercado com equipes menores, e até com uma única pessoa tomando conta do negócio, graças ao empenho em cativar a clientela e oferecer produtos de qualidade.

Roberta Cardoso, 34, abriu sua biscoitaria durante a pandemia como uma forma de renda extra. Utilizando receitas familiares, ela e sua equipe transformaram a cozinha de casa em um negócio próspero. “Hoje somos uma microempresa de oito funcionários, entre diretos e indiretos, com pontos de revenda na cidade. Nosso faturamento cresceu quase seis vezes ao longo desses três anos”, relata. A biscoitaria, que começou como MEI, agora possui uma cozinha própria.

image Roberta Cardoso, 34, mostra alguns dos produtos comercializados em sua biscoitaria no bairro da Cidade Velha, em Belém (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Os desafios de empreender, segundo Roberta, são muitos, especialmente para quem começa pequeno. “Não tínhamos recursos próprios para investimento no início, e grande parte do dinheiro que entrava era reinvestido na empresa. A falta de recursos também impedia a contratação de uma equipe compatível com nossas necessidades de crescimento, o que acabava recaindo sobre o dono o acúmulo de muitas funções”, explica. 

O mercado de biscoitos regionais em Belém ainda tem muito espaço para ser explorado, segundo Roberta. “Além da busca pela excelência no produto, prezamos muito o tratamento ao cliente. Temos um clube de vantagens que oferece descontos e promoções exclusivos, e mais de 70% da nossa clientela mensal são de clientes que já compraram conosco anteriormente”, afirma. As receitas tradicionais incluem monteiro lopes, biscoito de castanha-do-pará, amanteigados e edições especiais, comercializados em potes de 250 a 500 g que custam entre R$ 32 e R$ 68 (sem contar taxas de entrega).

image Funcionária prepara massa dos biscoitos regionais na cozinha do empreendimento de Roberta (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Outra empreendedora do ramo em Belém é Uanda Casseb, 33, que encontrou nos biscoitos regionais uma saída para um momento difícil de sua vida. Com a "filha pet" diagnosticada com câncer e diabetes e enfrentando o desemprego, ela começou a vender monteiro lopes em 2021. “Minha mãe deu a ideia de vender. Comecei vendendo para as professoras da escola onde ela trabalha e, após algum tempo, comecei a divulgar no Twitter. Só depois resolvi fazer um Instagram profissional”, conta. 

Segundo Uanda, três anos e meio depois, o retorno tem sido positivo, com as encomendas disparando após uma parceria de divulgação. “Graças a Deus, sigo com a agenda cheia todas as semanas”, diz. No entanto, ela enfrenta desafios, principalmente por trabalhar sozinha.

“É virar madrugada trabalhando, superar o cansaço extremo e o sono privado. Mas, graças a Deus, meus clientes entendem minha forma de trabalhar e consigo organizar a agenda direitinho”, comenta.

Na visão de Uanda, o mercado de biscoitos regionais em Belém é competitivo e, por isso, a qualidade do produto e o bom atendimento são diferenciais essenciais. “Quando seu produto é bom e você é simpática com os clientes, atende com respeito, as coisas se desenvolvem como devem ser. A melhor propaganda é a de boca a boca”, opina. Uanda aposta na diversificação dos produtos, oferecendo não apenas os tradicionais monteiro lopes, mas também variações com castanha do Pará, recheados e opções para intolerantes a lactose e glúten, comercializados em kits de 10 unidades a um cento, que custam entre R$ 8 e R$ 158 (sem contar taxas de entrega).

Gosto de infância

Os biscoitos regionais têm um espaço especial na vida dos consumidores paraenses. A professora Ameli Couto, 49, diz que consome frequentemente o Monteiro Lopes não apenas por ser o seu favorito, mas também pelas memórias afetivas que ele traz. “Geralmente eu compro uma vez por mês, porque já compro um cento. É meu doce favorito, adoro demais e me remete bastante à minha infância”, conta.

image Monteiro Lopes é um dos biscoitos que mais faz sucesso (Ivan Duarte/O Liberal)

Para Ameli, a qualidade dos ingredientes é um fator crucial na escolha de onde comprar esses biscoitos. Ela também ressalta a importância de apoiar empreendedores locais: “Eu já compro há uns dois anos os Monteiro Lopes da Uanda, porque são preços justos, e eu sei que ela tem todo um cuidado na fabricação, dedicação. E precisamos manter nossos doces regionais e nossa cultura. E eu, particularmente, apoio o empreendedorismo feminino”.

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