Antiquários em Belém se reinventam para atrair novos públicos

Comerciantes da capital paraense aliam tradição e novas tecnologias para manter acervos históricos e conquistar clientes das gerações mais novas

Fabyo Cruz e Gabriel da Mota
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Em meio às transformações do varejo e à ascensão das vendas digitais, antiquários em Belém buscam novas estratégias para manter o setor de pé e preservar a história na capital paraense. Com décadas de atuação no mercado, comerciantes locais aliam o conhecimento histórico ao uso das redes sociais e parcerias com o setor de arquitetura para garantir que peças com valor simbólico continuem circulando. O movimento de reinvenção ocorre diariamente nas lojas físicas, onde a curadoria rigorosa e o atendimento personalizado tentam vencer a concorrência dos grandes marketplaces.

Há mais de três décadas no setor, o antiquário Marcus Elgrably, 52 anos, acompanha de perto as mudanças no segmento. Proprietário da loja Marcus Antiguidades, ele explica que o funcionamento do negócio depende de uma combinação de conhecimento histórico, sensibilidade estética e estratégia comercial.

“O negócio é baseado em compras diretas, consignação e garimpo. Compramos peças de particulares, heranças, leilões e também fazemos expedições a outros estados e países em busca de itens raros”, afirma Marcus.

Ele destaca ainda que Belém ocupa uma posição estratégica no comércio de antiguidades da região Norte, tanto pela história quanto pela circulação cultural.

Precificação técnica e novos perfis de clientes

Ao contrário de produtos convencionais, as antiguidades não possuem preços fixos ou tabelados. Marcus explica que a precificação envolve uma análise cuidadosa: “Na hora de precificar, consideramos o estado de conservação, raridade, procedência e demanda do mercado. O valor histórico também pesa bastante, especialmente se a peça tiver uma história interessante atrelada a ela”, detalha.

Essa singularidade atrai um público que está mudando. “Nos últimos anos, vimos um aumento de jovens interessados em decoração vintage e peças com história. É um público que quer dar personalidade aos espaços”, observa o antiquário.

image Marcus explica que a precificação envolve uma análise cuidadosa, considerando o estado de conservação, raridade, procedência e demanda do mercado, além do valor histórico (Thiago Gomes / O Liberal)

Desafios financeiros e o mercado digital

Manter um espaço físico desse porte exige planejamento. “Manter um acervo é caro, e a rotatividade de alguns itens é baixa. A gente precisa ter capital de giro e ser estratégico nas aquisições”, afirma Marcus. Ele reconhece a força da internet, mas pontua que a diferença dos antiquários tradicionais está na autenticidade e no cuidado com a procedência das peças.

Além das vendas diretas, Marcus encontrou novas fontes de renda na economia criativa. “O empréstimo de peças para produções audiovisuais, eventos e exposições tornou-se um nicho crescente. Representa uma oportunidade de divulgação da loja e uma fonte de renda complementar”, explica. Para ele, o segredo é equilibrar tradição e adaptação, usando redes sociais e parcerias com arquitetos e decoradores.

Honestidade como pilar de 48 anos de carreira

Se Marcus traz a visão da gestão moderna, Hildemir Freitas, 78 anos, traz a solidez de quem está no mercado há 48 anos. Para ele, a estratégia é simples: a verdade. “A minha estratégia é não enganar o cliente. Se eu sei que é antiga, eu digo. Se eu não sei, eu digo que não sei. Eu não invento as coisas. A gente trabalhando honestamente, a gente sempre tem clientes que confiam na gente”, afirma o veterano.

Hildemir nota que, embora muitos jovens ainda tenham preconceito com o "velho", os profissionais da área são seus grandes aliados. “Cerca de 20% dos jovens frequentam a minha loja. Mas a maioria são pessoas de idade e arquitetos. Eles me telefonam perguntando se eu tenho peças de anos específicos, lustres, e eu trabalho com qualquer pessoa que entra na loja”, relata.

O modelo de negócio de Hildemir também se adaptou às dificuldades logísticas. Após o fechamento de transportadoras que traziam peças do Rio de Janeiro e São Paulo, ele passou a focar no mercado paraense. “O que eu tenho é em consignação ou coisas que as pessoas da cidade vêm me oferecer. Para marcar o preço, comparo pela internet e levo em conta a conservação e a época”, conclui.

Como avaliar uma antiguidade

  • Estado de conservação: peças sem restauros grosseiros ou danos estruturais valem mais
  • Procedência: itens com histórico documentado ou de famílias tradicionais possuem maior valor agregado
  • Raridade: quanto menor o número de exemplares conhecidos no mercado, maior o preço
  • Época: peças fabricadas antes de 1940 costumam ter maior apelo entre colecionadores clássicos
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