Após as 17h, foram identificadas 35.521 confirmações de votos para presidente registradas neste domingo (25), no horário de Brasília, durante o segundo turno das eleições de 2026. Do total, 30.866 registros correspondem a seções eleitorais com transmissão identificada como “Totalizado”, enquanto outros 4.655 estão em seções cujos dados ainda aguardavam validação. Os dados foram divulgados segundo levantamento do G1, junto aos dados do TSE.
A votação após o horário regular ocorreu após o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a prorrogação do prazo até as 19h. A decisão foi tomada pouco depois das 17h e, posteriormente, esclarecida para estabelecer que a medida se aplicava apenas aos locais em que as seções eleitorais ainda estavam abertas.
O levantamento analisou arquivos conhecidos como logs das urnas eletrônicas, que registram automaticamente os eventos ocorridos durante o funcionamento dos equipamentos, incluindo os horários em que os votos são confirmados e a votação é encerrada. Os registros permitem identificar o momento em que os votos foram computados, mas não revelam a escolha dos eleitores.
Dados das urnas eletrônicas
Segundo o levantamento, foram analisadas informações de 497.897 seções eleitorais. Os dados foram extraídos dos registros de funcionamento das urnas, que permitem acompanhar a sequência de eventos durante o processo de votação.
As 35.521 confirmações de votos para presidente registradas após as 17h foram divididas em dois grupos. O primeiro reúne 30.866 registros em seções cuja transmissão aparece como “Totalizado”. O segundo inclui 4.655 registros em seções que ainda estavam pendentes de validação.
Os arquivos utilizados na análise são diferentes dos boletins de urna (BUs) e dos Registros Digitais do Voto (RDVs). Enquanto os boletins apresentam os resultados de cada seção eleitoral, os RDVs armazenam os votos registrados sem identificar os eleitores. Já os logs documentam os eventos e os horários de funcionamento dos equipamentos.
Prorrogação do horário de votação
A decisão de estender o horário de votação ocorreu após pedidos apresentados pelas campanhas dos dois candidatos à Presidência da República.
A campanha do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou a ampliação do prazo em municípios onde eleitores teriam enfrentado dificuldades para chegar aos locais de votação devido a problemas no transporte público. Entre as ocorrências relatadas estavam redução da frota de ônibus, longos períodos de espera e cobrança indevida de passagens.
Em São Paulo, a campanha petista afirmou que cerca de 60% dos ônibus estavam em circulação na capital, apesar de uma determinação judicial para que toda a frota, equivalente a 100%, fosse disponibilizada. Também foram relatados problemas no transporte em Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, pediu ao TSE a prorrogação da votação por duas horas em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A solicitação mencionava fortes chuvas, enchentes e falta de energia elétrica em locais de votação.
Diante dos pedidos, Cristiano Zanin determinou a extensão do horário até as 19h em todo o país. Posteriormente, esclareceu que a medida valeria apenas para as seções que ainda estivessem abertas no momento da decisão.
A determinação também levou à interrupção temporária da totalização dos votos, retomada após as 19h.
Resultado da eleição presidencial
Lula foi reeleito presidente da República com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O petista recebeu aproximadamente 64,2 milhões de votos, enquanto o candidato do PL obteve cerca de 59,8 milhões, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Após a confirmação do resultado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula e manifestou confiança no processo eleitoral.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, afirmou que não reconhecia a derrota, questionou a decisão de Cristiano Zanin sobre a extensão do horário de votação e anunciou que pediria a anulação da eleição.
Os registros analisados pelo g1 permitem dimensionar a quantidade de votos confirmados após as 17h, mas não identificam em quais candidatos esses eleitores votaram. Portanto, os dados não permitem atribuir os votos registrados nesse período a Lula ou a Flávio Bolsonaro.

