O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) vistoriou, nos dias 21 e 23 de setembro, as rotas que serão utilizadas para o transporte gratuito de eleitores indígenas e quilombolas durante o primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro. As equipes estiveram em comunidades de Tracuateua e Tomé-Açu, no nordeste do Estado, para verificar as condições de acesso e os trajetos que serão percorridos pelos veículos.
A iniciativa faz parte do projeto-piloto Seu Voto Importa, instituído pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A proposta é oferecer transporte gratuito, de ida e volta, a pessoas que vivem em territórios indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais e que não tenham meios próprios de chegar às seções eleitorais.
No Pará, a primeira etapa do programa também prevê atendimento a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida em Belém. Já em Tomé-Açu, o transporte será destinado a comunidades indígenas, enquanto Tracuateua terá atendimento às comunidades quilombolas.
Rotas em Tracuateua
Em Tracuateua, a equipe do TRE-PA vistoriou as comunidades quilombolas do Torres e Jurussaca. Na sede do município, foram verificados dois ônibus e um carro de apoio que serão cedidos pela Prefeitura, com combustível e motoristas.
A rota que atenderá a região do Quilombo do Torres será ampliada para contemplar também eleitores da sede de Tracuateua e das comunidades de Quatro Bocas, Fundo da Dispensa e Goiabal, que não possuem seções eleitorais.
No Jurussaca, o ônibus sairá da sede do município e passará pelas localidades de Açaiteua, Cebola e Campo Novo antes de chegar à comunidade, que possui duas seções eleitorais.
Durante a vistoria, lideranças quilombolas também relataram dificuldades enfrentadas por eleitores não alfabetizados durante a votação. O TRE orientou que essas pessoas levem anotados os números das candidaturas para facilitar o preenchimento da urna eletrônica.
Transporte para aldeias de Tomé-Açu
Em Tomé-Açu, foram vistoriados os trajetos até as aldeias Cuxiú-Mirim e Turé, na Terra Indígena Turé-Mariquita.
Para chegar à Aldeia Cuxiú-Mirim, são cerca de 50 quilômetros de estrada asfaltada e outros 10 quilômetros de ramal. O percurso leva aproximadamente uma hora.
Já a Aldeia Turé funcionará como ponto de encontro para eleitores de diferentes comunidades da região. A partir do cartório da 39ª Zona Eleitoral, são aproximadamente 12 quilômetros de asfalto e 26 quilômetros de ramal, em um trajeto estimado entre 40 e 50 minutos.
As vistorias foram acompanhadas pelo juiz eleitoral da 39ª Zona Eleitoral, David Jacob Batos, e pela chefe de cartório, Lena Érika Leão.
Orientação eleitoral em língua indígena
Além da vistoria das rotas, o TRE-PA apresentou às comunidades de Tomé-Açu o guia “Originários: sua língua, seu voto, sua representatividade”, material produzido para levar informações sobre o processo eleitoral às populações indígenas em seus próprios idiomas.
Em Tomé-Açu, o conteúdo está disponível em Tenetehar, língua do tronco Tupi, em formatos de texto e vídeo. O material aborda temas como votação, campanha eleitoral, dia da eleição e segurança da urna eletrônica.
Os conteúdos foram traduzidos por indígenas Tembé da Aldeia Teko-Haw, em Paragominas.
Fiscalização no dia da eleição
Segundo o TRE-PA, dois servidores serão enviados a cada município atendido pelo programa para acompanhar a operação no dia da eleição. Eles deverão orientar os eleitores beneficiados, monitorar os trajetos e fiscalizar possíveis irregularidades eleitorais, como a realização de boca de urna.
O projeto-piloto foi regulamentado pela Resolução TSE nº 23.753/2026 e busca reduzir barreiras de acesso aos locais de votação para eleitores que vivem em áreas de difícil deslocamento.
