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ELEIÇÕES 2026

TRE do Pará destaca ações para garantir voto livre e combater assédio eleitoral

Diretor-geral Bruno Giorgi Almeida afirmou que Justiça Eleitoral tem levado informações sobre segurança da urna e direitos políticos a comunidades, inclusive indígenas

Fabyo Cruz

4 de outubro de 2026 às 18:23

Coletiva de imprensa realizada neste domingo (4), no Centro de Divulgação das Eleições (CDE), do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), em Belém

Coletiva de imprensa realizada neste domingo (4), no Centro de Divulgação das Eleições (CDE), do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), em Belém ( Foto: Foto: Reprodução/Grupo Liberal )

Durante a coletiva de imprensa realizada no fim da tarde deste domingo (4), no Centro de Divulgação das Eleições (CDE), do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), a instituição foi questionada sobre as ações adotadas para garantir a liberdade de escolha dos eleitores no interior do Estado, especialmente em regiões onde ainda existem relações de poder político e econômico que podem favorecer situações de pressão sobre o eleitor.

A pergunta foi feita pelo jornalista Rodolfo Sousa, do Grupo Liberal, que citou a presença do chamado coronelismo em algumas áreas do interior paraense e perguntou como a Justiça Eleitoral atuou diante de possíveis situações de assédio eleitoral, como pressão para que trabalhadores votem em determinado candidato sob ameaça de perder o emprego ou de deixar de receber apoio de comerciantes e lideranças locais.

O diretor-geral do TRE-PA, Bruno Giorgi Almeida, relacionou o trabalho da Justiça Eleitoral à garantia de que o eleitor tenha segurança para votar de acordo com a própria consciência. Ele afirmou que uma das estratégias adotadas pelo tribunal é ampliar o acesso à informação, especialmente em comunidades que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços eleitorais.

“Sobre o assédio eleitoral, o que a gente informa, enquanto Justiça Eleitoral, é divulgar que a urna é segura. A gente mostra que não é pela internet, é por via satélite, que ele pode votar com a consciência”, disse.

Bruno Almeida destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo TRE-PA em comunidades indígenas do Estado. Entre as ações, estão a realização de rodas de conversa, atendimento eleitoral diretamente nas aldeias e a produção de materiais informativos traduzidos para línguas indígenas.

O próprio TRE-PA mantém o projeto “Guia Originários: sua língua, seu voto, sua representatividade”, elaborado para ampliar o acesso da população indígena às informações sobre o processo eleitoral. O material apresenta orientações sobre voto, campanha eleitoral, dia da eleição e segurança da urna eletrônica. 

Informação para garantir autonomia

Durante a coletiva, o diretor-geral relatou uma experiência que, segundo ele, marcou sua trajetória profissional na Justiça Eleitoral. Ao falar sobre as rodas de conversa realizadas nas aldeias, Bruno Almeida contou que um dos resultados mais importantes foi perceber que os próprios indígenas passaram a compreender que poderiam exercer o voto de forma autônoma.

“E a gente foi fazer rodas de conversa e levando o atendimento eleitoral para isso, nessas aldeias. Com isso, teve uma questão muito interessante que o indígena falou: ‘nossa, eu posso votar com a minha consciência’. Claro que ele não falou dessa forma, mas foi algo que ele se tocou”, relatou.

Para Bruno Almeida, a experiência demonstra a importância de levar informações eleitorais diretamente às comunidades e não apenas disponibilizá-las nos canais tradicionais da Justiça Eleitoral.

O TRE-PA informou que o projeto de guias eleitorais foi desenvolvido em cinco línguas indígenas, entre elas Munduruku, Nheengatu e Wai-Wai. A iniciativa busca reduzir barreiras linguísticas e ampliar a compreensão sobre os direitos políticos e o funcionamento das eleições. Em fevereiro, o tribunal também participou de uma audiência pública voltada à inclusão dos povos originários no processo eleitoral, com tradução simultânea para línguas indígenas.